Literatura

Aos 69, futurista transforma mudança para Lisboa em livro sobre longevidade

Beia Carvalho lança "#FUI – Morar Sozinha na Europa aos 69 anos" em Brasília, no dia 20 de agosto, com uma narrativa que mistura memórias, fotografias e conteúdos digitais

Beia Carvalho revisita experiência de morar sozinha na Europa em livro -  (crédito: Pat Cividanes)
Beia Carvalho revisita experiência de morar sozinha na Europa em livro - (crédito: Pat Cividanes)

A pandemia fez Beia Carvalho parar e olhar para um sonho antigo. Aos 67 anos, enquanto trabalhava remotamente e vivia sozinha em seu apartamento, a futurista se lembrou do desejo de morar na Europa. O momento de isolamento, segundo ela, trouxe tempo para pensar sobre planos que haviam ficado pelo caminho. “A data de vencimento do sonho já estava chegando. Afinal, não iria me mudar aos 100 anos!”, conta.

Dois anos depois, a experiência de transformar esse desejo em realidade virou livro. #FUI – Morar Sozinha na Europa aos 69 anos é lançado em Brasília nesta quinta-feira (20), às 17h, na Livraria Sebinho. A obra reúne 336 páginas de textos, mais de 160 fotografias e 79 vídeos acessados por QR Codes, em uma narrativa que mistura literatura, diário e conteúdo digital.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

O projeto despertou questionamentos entre familiares, amigos e leitores. A ideia de uma mulher de quase 70 anos partir sozinha para outro país causava estranhamento. Beia, porém, não enxergava a solidão como um impedimento. “Lógico que vou sozinha, eu moro sozinha no Brasil!”, lembra.

A experiência, segundo ela, também contrariou algumas das preocupações que ouviu antes da partida. Sobre deixar os netos, por exemplo, a resposta foi simples: “Estou dando uma chance a eles de irem para Europa me visitar”. Quanto aos amigos, a mudança significou não uma perda, mas a possibilidade de ampliar os vínculos. “O presente dos deuses é ter novos amigos. E fazer festa e ter amigos nunca foi problema para mim”, diz.

Foi justamente a renovação das relações que trouxe uma das principais transformações pessoais. Ao morar em outro país, Beia passou a conviver com um novo grupo de pessoas, o que ampliou seus interesses e perspectivas. “A renovação do grupo próximo de amigos deu um novo colorido, uma nova dimensão aos meus olhares, interesses e à minha capacidade de aprender e ensinar”, conta.

É nesse contexto que surge um dos conceitos centrais do livro: o “capital de experiência”. Beia o define como o conhecimento que nasce do próprio viver, da capacidade desenvolvida ao longo dos anos para lidar com situações, pessoas e mudanças. “É quando a importância, a dimensão do conhecimento, do saber-fazer, do know-how, da competência vem do seu próprio viver”, explica.

Para a futurista, a maturidade não deve se limitar à saúde, à aposentadoria ou à previdência. É preciso pensar também em como preencher essas novas décadas de vida com experiências, relações e possibilidades. Segundo ela, essa fase pode trazer uma liberdade que muitas vezes só aparece depois de décadas de experiência. “Empregamos as nossas 24 horas do dia para conhecer pessoas e lugares, nos conhecer, nos divertir, em vez de nos preocuparmos com o que as pessoas pensam sobre as nossas escolhas”, afirma.

A autora diz se sentir atualmente “muito mais livre e feliz” e procura estar próxima de pessoas que também não vivem sob aquilo que chama de “ditadura dos outros”. Para ela, esse desprendimento pode tornar a vida mais leve e saudável.

Do WhatsApp para o livro

Antes de virar publicação, #FUI foi uma experiência compartilhada diariamente por meio do WhatsApp. Durante dois anos, Beia enviou crônicas sobre a viagem, acompanhadas de fotografias e vídeos, para uma lista de transmissão que chegou a reunir mais de duas mil pessoas.

O conteúdo das mensagens foi preservado na publicação. “Os ‘posts’, como gosto de chamar essas crônicas da minha viagem enviadas pelo WhatsApp, são ipsis litteris as mensagens que estão no livro”, explica.

As fotografias foram ampliadas na edição para ilustrar os locais e assuntos abordados. Já os vídeos exigiram outro tipo de trabalho. Ao todo, 79 registros foram disponibilizados no canal FUI, no YouTube, e podem ser acessados pelos QR Codes presentes no final de cada publicação.

A estrutura transforma o livro em uma experiência híbrida e interativa, aproximando o leitor da maneira como a história foi originalmente compartilhada. “Foi um trabalhão subir os 79 vídeos e contextualizá-los com o post correspondente. Valeu a pena”, afirma.

Mais do que um relato sobre uma mudança para outro país, #FUI propõe uma reflexão sobre a possibilidade de recomeçar em diferentes momentos da vida. A pergunta que atravessa a obra é também um convite ao leitor: “Na sua vida cabem outras vidas?”.

Além de Brasília, o lançamento passa por São Paulo (14 e 24 de agosto), Bauru (27 de agosto) e Lisboa (8 de setembro).

Serviço

Lançamento de #FUI – Morar Sozinha na Europa aos 69 anos

20 de agosto, às 17h, na Livraria Sebinho, Brasília.

*Estagiária sob a supervisão de Nahima Maciel

  • Google Discover Icon
EB
postado em 17/08/2026 15:36
x