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William Nascimento enaltece a fé em cena no papel de Átila em "Emergência 53"

Entre técnica e superação, o ator William Nascimento, de 33 anos, ganha destaque com enfermeiro evangélico em "Emergência 53" após brilhar como lenda do MMA em "Anderson Spider Silva" e admite: "Tenho muita vontade de fazer uma novela".

Willian Nascimento, ator -  (crédito: Sérgio Baia)
Willian Nascimento, ator - (crédito: Sérgio Baia)

Com 18 anos de carreira e uma trajetória que mistura suor, disciplina e fé, o ator William Nascimento vive um dos momentos mais férteis de sua vida profissional. Atualmente no ar na série Emergência 53, do Globoplay, o intérprete do enfermeiro Átila já projeta 2027 como um ano de grandes estreias, incluindo o protagonismo no filme Linha de fogo, parceria entre Globo e Disney Plus. 

Interpretar um profissional da saúde é um peso que vai além da atuação. Para William, o maior desafio em na série atual foi atingir a precisão cirúrgica exigida pelo papel. "O maior desafio foi a responsabilidade técnica. O Átila é enfermeiro, e enfermeiro não pode hesitar: a mão sabe aonde vai antes da cabeça pensar", explica ele, que passou por uma preparação intensiva com profissionais da área.

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O ator de 33 anos revela que o processo foi tão imersivo que exigiu um esforço mental para dissociar a ficção da realidade. "A gente grava atendimento grave o dia inteiro e o corpo não sabe direito que é ficção. Foi preciso aprender a entrar e sair disso todo dia sem levar tudo para casa", conta. Apesar do desgaste, William destaca o aprendizado prático que a série proporcionou: "Hoje eu sei reconhecer sinal de engasgo, sei que os primeiros minutos de uma parada valem mais do que qualquer coisa. Se a série servir para uma pessoa aprender a fazer uma massagem cardíaca, já valeu".

Assim como seu personagem, William Nascimento é evangélico, e essa conexão pessoal foi fundamental para construir um retrato fugindo dos clichês. "Levei, sim. A fé faz parte de quem eu sou, então não precisei estudar isso de fora. Eu sei o que é orar antes de sair de casa, sei o silêncio que existe entre a pessoa e Deus em um momento de aflição", reflete.

O ator buscou trazer naturalidade para evitar a caricatura do religioso bonzinho ou do hipócrita. "O Átila não é nem um nem outro. Ele é um homem de fé que erra, que dúvida, que precisa tomar decisão", pondera. O trabalho, no entanto, também o confrontou com suas próprias certezas. "O Átila lida com coisas que a fé não resolve sozinha. Isso me obrigou a olhar para as minhas próprias certezas. Saí do trabalho entendendo que a fé de verdade não é a que nunca é abalada; é a que continua de pé depois de ser abalada", completa.

Um divisor de águas

Impossível falar com William Nascimento sem mencionar Anderson Spider Silva, série que o projetou mundialmente em 2023. O ator não esconde o temor e a honra de interpretar uma lenda viva do MMA. "Quando saiu minha aprovação, a alegria e o medo vieram juntos", admite.

A preparação foi quase um treinamento de atleta profissional: sete meses de quatro horas diárias de luta, musculação e dieta rigorosa para chegar ao corpo do campeão. "Estudei entrevista, gesto, jeito de andar, o silêncio dele antes de entrar no octógono. Foi de corpo e alma, não tinha outro jeito", detalha.

O legado deixado por Anderson Silva transcendeu as telas: "O que eu aprendi com ele foi superação e disciplina. Aquilo que ele fazia todo dia, no escuro, sem ninguém vendo, é o que construiu tudo o que apareceu depois. Isso eu levo para o meu trabalho até hoje". A relação com o atleta se mantém firme. "Nos conhecemos pessoalmente pouco antes do lançamento, e de lá para cá a gente se fala, troca ideia. É uma honra que não se explica direito", ccomemora Nascimento.

Willian Nascimento, ator
Willian Nascimento, ator (foto: Sérgio Baia)

De olho na novela

Ainda sem ter atuado em novelas (com exceção de uma participação em Dona Beja, da HBO Max), William encara o gênero como uma escola necessária. "Tenho muita vontade. Novela para o ator brasileiro é escola — é o ritmo mais duro que existe. E é o lugar onde o Brasil inteiro te vê", afirma.

Seus planos são ambiciosos e diversos. "Quero fazer papéis diferentes uns dos outros. Fiz um lutador, faço um enfermeiro evangélico — quero fazer comédia, quero fazer um vilão." Além disso, o ator nutre o sonho de internacionalizar a narrativa periférica e preta brasileira. "Quero levar história brasileira, história de gente preta e periférica, para fora do país — não como exceção, como normalidade", declara.

Com um currículo que inclui projetos luso-brasileiros como Praça Paris e O último animal, e os futuros lançamentos Corações naufragados (cinema) e Delegacia de Homicídios (Globoplay), William Nascimento segue firme. "Ator não tem linha de chegada, tem próximo trabalho. Se eu continuar sendo chamado e continuar com medo antes de cada estreia, está tudo certo", conclui.

 


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postado em 10/09/2026 17:37 / atualizado em 10/09/2026 18:08
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