
Com 18 anos de carreira e uma trajetória que mistura suor, disciplina e fé, o ator William Nascimento vive um dos momentos mais férteis de sua vida profissional. Atualmente no ar na série Emergência 53, do Globoplay, o intérprete do enfermeiro Átila já projeta 2027 como um ano de grandes estreias, incluindo o protagonismo no filme Linha de fogo, parceria entre Globo e Disney Plus.
Interpretar um profissional da saúde é um peso que vai além da atuação. Para William, o maior desafio em na série atual foi atingir a precisão cirúrgica exigida pelo papel. "O maior desafio foi a responsabilidade técnica. O Átila é enfermeiro, e enfermeiro não pode hesitar: a mão sabe aonde vai antes da cabeça pensar", explica ele, que passou por uma preparação intensiva com profissionais da área.
O ator de 33 anos revela que o processo foi tão imersivo que exigiu um esforço mental para dissociar a ficção da realidade. "A gente grava atendimento grave o dia inteiro e o corpo não sabe direito que é ficção. Foi preciso aprender a entrar e sair disso todo dia sem levar tudo para casa", conta. Apesar do desgaste, William destaca o aprendizado prático que a série proporcionou: "Hoje eu sei reconhecer sinal de engasgo, sei que os primeiros minutos de uma parada valem mais do que qualquer coisa. Se a série servir para uma pessoa aprender a fazer uma massagem cardíaca, já valeu".
Assim como seu personagem, William Nascimento é evangélico, e essa conexão pessoal foi fundamental para construir um retrato fugindo dos clichês. "Levei, sim. A fé faz parte de quem eu sou, então não precisei estudar isso de fora. Eu sei o que é orar antes de sair de casa, sei o silêncio que existe entre a pessoa e Deus em um momento de aflição", reflete.
O ator buscou trazer naturalidade para evitar a caricatura do religioso bonzinho ou do hipócrita. "O Átila não é nem um nem outro. Ele é um homem de fé que erra, que dúvida, que precisa tomar decisão", pondera. O trabalho, no entanto, também o confrontou com suas próprias certezas. "O Átila lida com coisas que a fé não resolve sozinha. Isso me obrigou a olhar para as minhas próprias certezas. Saí do trabalho entendendo que a fé de verdade não é a que nunca é abalada; é a que continua de pé depois de ser abalada", completa.
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Um divisor de águas
Impossível falar com William Nascimento sem mencionar Anderson Spider Silva, série que o projetou mundialmente em 2023. O ator não esconde o temor e a honra de interpretar uma lenda viva do MMA. "Quando saiu minha aprovação, a alegria e o medo vieram juntos", admite.
A preparação foi quase um treinamento de atleta profissional: sete meses de quatro horas diárias de luta, musculação e dieta rigorosa para chegar ao corpo do campeão. "Estudei entrevista, gesto, jeito de andar, o silêncio dele antes de entrar no octógono. Foi de corpo e alma, não tinha outro jeito", detalha.
O legado deixado por Anderson Silva transcendeu as telas: "O que eu aprendi com ele foi superação e disciplina. Aquilo que ele fazia todo dia, no escuro, sem ninguém vendo, é o que construiu tudo o que apareceu depois. Isso eu levo para o meu trabalho até hoje". A relação com o atleta se mantém firme. "Nos conhecemos pessoalmente pouco antes do lançamento, e de lá para cá a gente se fala, troca ideia. É uma honra que não se explica direito", ccomemora Nascimento.
De olho na novela
Ainda sem ter atuado em novelas (com exceção de uma participação em Dona Beja, da HBO Max), William encara o gênero como uma escola necessária. "Tenho muita vontade. Novela para o ator brasileiro é escola — é o ritmo mais duro que existe. E é o lugar onde o Brasil inteiro te vê", afirma.
Seus planos são ambiciosos e diversos. "Quero fazer papéis diferentes uns dos outros. Fiz um lutador, faço um enfermeiro evangélico — quero fazer comédia, quero fazer um vilão." Além disso, o ator nutre o sonho de internacionalizar a narrativa periférica e preta brasileira. "Quero levar história brasileira, história de gente preta e periférica, para fora do país — não como exceção, como normalidade", declara.
Com um currículo que inclui projetos luso-brasileiros como Praça Paris e O último animal, e os futuros lançamentos Corações naufragados (cinema) e Delegacia de Homicídios (Globoplay), William Nascimento segue firme. "Ator não tem linha de chegada, tem próximo trabalho. Se eu continuar sendo chamado e continuar com medo antes de cada estreia, está tudo certo", conclui.

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