Grafitti sem fronteiras

Grafiteiro de Ceilândia é convidado para expor em países da Ásia

Aos 34 anos, Leandro Vidão dará o primeiro passo na carreira internacional ao representar o DF em festivais na China e na Índia

Leandro Vidão, de 34 anos, começou a carreira como artista nas ruas de Ceilândia -  (crédito: Material cedido ao Correio)
Leandro Vidão, de 34 anos, começou a carreira como artista nas ruas de Ceilândia - (crédito: Material cedido ao Correio)

O grafiteiro e artista plástico Leandro Vidão, de 34 anos, deixou as primeiras marcas em murais nas ruas de Ceilândia, em 2005. Mais de vinte anos depois, as cores do brasiliense chegam a países como China e Índia, onde ele foi convidado para participar de alguns dos mais importantes eventos de graffiti no mundo.

“Tenho muito orgulho de carregar o nome de Ceilândia em minha trajetória e mostrar que a arte produzida na periferia pode alcançar lugares que antes pareciam muito distantes”, declara Vidão.

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Com cores fortes e chamativas, rostos sorridentes de crianças dividem espaço com imagens da fauna brasileira e os ágeis letreiros “wildstyle” nos mais de 150 murais grafitados pelo ceilandense. Ao Correio, Vidão explica que busca criar conexões entre os desenhos e o ambiente.

“Procuro transmitir identidade, representatividade, liberdade, respeito e esperança”, afirma. “Gosto de criar obras que conversem com as pessoas e que tenham um significado para o lugar onde estão sendo realizadas”.

Os desenhos, segundo ele, têm referências na cultura periférica e na população negra e indígena. “Para mim, o mural não deve apenas ocupar uma parede: ele precisa dialogar com as pessoas e deixar uma mensagem”, acrescenta. 

  • Cultura periférica serve de inspiração para os murais de Vidão
    Cultura periférica serve de inspiração para os murais de Vidão Material cedido ao Correio
  • ""Para mim, o mural não deve apenas ocupar uma parede: ele precisa dialogar com as pessoas e deixar uma mensagem", afirma o artista Material cedido ao Correio
  • Nos mais de 150 murais grafitados, Vidão destaca os traços ágeis dos letreiros
    Nos mais de 150 murais grafitados, Vidão destaca os traços ágeis dos letreiros "wildstyle" Material cedido ao Correio
  • Entre outubro e dezembro, o artista de Ceilândia participará de eventos na China e na Índia
    Entre outubro e dezembro, o artista de Ceilândia participará de eventos na China e na Índia Material cedido ao Correio

Conexão Ásia

No segundo semestre de  2026, Vidão está de malas e latas de spray prontas para embarcar rumo ao outro lado do mundo. Ele foi convidado para participar do Meeting of Styles, na China, e do Mood Indigo, na Índia.

A edição chinesa do festival de graffiti acontecerá em outubro, na cidade de Zhazhou. O evento, que reúne artistas de diferentes estilos e técnicas do mundo inteiro, marca o primeiro passo internacional da carreira de Vidão.

“Chegar ao Meeting of Styles é resultado de muitos anos de trabalho, dedicação e construção de uma identidade artística”, afirma. “É a realização de um sonho e, ao mesmo tempo, uma oportunidade de representar Ceilândia, Brasília e a arte brasileira em outro continente”.

Sobre as expectativas, o artista declara que o momento será uma expansão dos horizontes artísticos. “Quero criar uma obra marcante, trocar experiências com artistas de diferentes culturas e mostrar a força do graffiti produzido nas periferias brasileiras”, aponta.

Já o festival universitário internacional Mood Indigo, será realizado em Mumbai, a maior cidade da Índia, em dezembro. “Receber esse convite foi muito especial e reforçou que estou avançando pelo caminho certo”, celebra. “Quando olho para o lugar onde comecei e vejo que agora vou pintar nesses países, percebo que a arte realmente pode atravessar fronteiras e transformar caminhos”.

 

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postado em 11/09/2026 05:00
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