REVIEW

Control Resonant aposta na liberdade de combate e no surrealismo científico

A sequência muda a dinâmica de ação do primeiro jogo e entrega uma aventura de ficção científica marcada por desafios e ambientes imprevisíveis

A Remedy retorna com a franquia que mistura o mundo da burocracia com criaturas extradimensionais em Control Resonant. Dessa vez, o jogador controla o irmão da protagonista do primeiro título, Dylan Faden. Nessa nova trama, o personagem tem a missão de rastrear o Ruído – um ser extra dimensional capaz de mudar a realidade – que fugiu do departamento que lida com esses seres e acabou separando Manhattan do mundo real. No meio dessa bagunça, surgiram entidades capazes de destruir as criaturas criadas pelo Ruído, os Ressonantes, e para piorar, a presidente da agência, Jesse Faden, sumiu em uma missão para tentar deter uma ameaça ainda pior.

Combates diferentes

 

Reprodução/Remedy - Lutando contra as criaturas do ruído, Dylan teme por um passado recente, em que foi controlado pela entidade e luta agora pelo departamento em busca de redenção.

Control Resonant se diferencia muito no estilo de combate do primeiro jogo, enquanto Jesse tinha a telecinese e os tiros para lidar contra os inimigos a longa distância, Dylan utiliza seus poderes para criar armas para lutar colocando o combate corpo a corpo. Com o jogador podendo ter três tipos de “armas” equipadas: uma leve, uma pesada e uma que surge ao fim de um combo com a leve. Cada uma delas pode ser customizada. A leve e a pesada têm três estilos e a finalizadora, cinco. A leve pode ser uma foice, um cutelo ou duas lâminas. A pesada pode ser um martelo, uma furadeira ou um nunchaku. 

Mas em momento nenhum o título restringe o jogador a se manter ao mesmo estilo de habilidades, com o menu para alterá-las sendo disponível a qualquer momento, chamado de lapso. O jogador segura um botão e Dylan entra em transe para dentro de uma câmara onde pode mexer nas habilidades e treinar novas mecânicas, ajudando a tornar o combate mais dinâmico. 

Existem inimigos que só tomam dano com armas leves e outros com arma pesada, o jogo estimula que você utilize essa variação de golpes durante os combates. Cada inimigo possui um tipo singular, alguns voam, outros dão golpes mais fortes e outros disparam raios. As criaturas tem duas barras, uma de vida e uma de atordoamento, quando a segunda enche, o jogador pode fazer uma execução e acabar com o inimigo com um único golpe, com isso o inimigo libera algumas orbes para regenerar a vida do personagem. 

Ficção científica no talo

 

Reprodução/Remedy - A variedade e estilo dos inimigos do título é muito interessante, com até, um onibus dividido pela metade sendo "um ninho" de inimigos.

Dylan e Jesse possuem poderes telecinéticos, o que os permite flutuar no ar e dar arrancadas suspensas, contudo, em Resonant, a movimentação ganhou uma literal nova dimensão. Das mecânicas adicionadas no segundo título, a inversão de perspectiva com o boneco sendo capaz de “andar pelas paredes” em alguns momentos é algo fantástico, o que é utilizado tanto para lidar com inimigos que em locais fechados caminham tanto no teto, quanto no chão, quanto em resolver quebra-cabeças. 

Control Resonant não pega a mão do jogador para guiá-lo em seu mundo semi-aberto. A verdade é que o título estimula a exploração de ambientes e a procura por itens. Apenas dessa forma é possível evoluir a duração de habilidades, a força e a vida do personagem principal. Muitos dos cosméticos só são encontrados depois de muito fuçar o mapa, ou “evoluir” a área o suficiente, enfrentando inimigos dispersos para assim liberar novos itens nas lojas do jogo, representados por um food truck.

O jogo é dividido em várias regiões, cada uma delas reserva momentos únicos. Uma das mais marcantes foi um labirinto de várias salas e casas que Dylan fica preso e parece praticamente infinito, forçando o jogador a ficar atento aos detalhes presentes no cenário para não se perder. E conforme a história vai progredindo, você nota o esmero da Remedy em criar algo surrealista digno de uma pintura de Dali, com um fundo pesado de ficção científica. Esse polimento pode ser visto até em missões secundárias e quebra-cabeças, com desafios verdadeiramente pesados que vão botar os jogadores para pensar. 

Considerações Finais 

Reprodução/Remedy - Há alguns eventos no mapa onde Dylan pode enfrentar hordas de inimigos junto dos agentes do departamento, assim a região pode evoluir liberando a compra de novos itens na loja.

Control Resonant entrega muitas horas de diversão e desafio utilizando sua base de ficção científica para mostrar um primor visual surrealista. Além disso, o jogo inaugura a dublagem em português do Brasil, trazendo Sérgio Cantú, voz de Andrew Garfield nos cinemas, como Dylan Faden. 

A Remedy é cheia de surpresas e mesmo que esse ano não seja o de Control Resonant - GTAs a parte - , assim como o primeiro título, Resonant vai marcar quem for corajoso o suficiente para se desafiar até o fim do jogo. 

Nota: 8/10

Control Resonant está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.

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