
Inspirada na própria natureza e nas noções de ancestralidade e pertencimento, a Companhia Afro Contemporânea Corpus Entre Mundos estreia nesta sexta-feira (30/1) o espetáculo Raízes em movimento. Com um total de 10 bailarinos e agregados que participam de residência vindos de Belo Horizonte, Angola e Goiânia, a companhia quer contar uma história que fala da coletividade e da importância do conhecimento relativo às origens. “O espetáculo fala das nossas raízes, de onde a gente vem, para onde a gente quer ir, e da conexão que a gente precisa ter para saber onde quer ir, porque, muitas vezes, a gente se desconecta uns dos outros”, explica Lenna Siqueira, coreógrafa e diretora da Entre Mundos. “Temos que lembrar que essa conexão pode somar. Lembrando sempre do coletivo que impulsiona o individual e do individual que impulsiona o coletivo.”
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O viés formativo e a diversidade são as características mais importantes da companhia. Os diretores Dilo Paulo e Lenna Araújo têm compromisso com a ideia de beber em todas as fontes que formam a cultura brasileira, especialmente as de origens africanas. “A diversidade é nossa maior característica. A gente pensa muito que essa diferença dos corpos dá a potência de um trabalho em grupo. Todos dançam a mesma coreografia, mas cada um coloca sua vida, sua singularidade, sua história. E acredito nessa diversidade. É isso que dá o poder da coletividade”, avisa Lenna, que incorporou ao cotidiano da companhia uma metodologia que inclui aulas de dança contemporânea, afro, kuduro e balé clássico.
Raízes em movimento é um mix de todos os temas, movimentos e estéticas trabalhados diariamente pela Entre Mundos. O espetáculo faz uma metáfora entre a criação de raízes, os ciclos vitais e a transmissão do saber intergeracional. “Mas a gente está falando realmente dessa raiz. A gente conta um pouco das fases até esse tronco crescer, morrer e florescer novamente”, explica a diretora. “É uma grande metáfora desse ciclo da vida, da ideia de morrer para construir de novo.”
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Para criar Raízes em movimento, Lenna e Dilo pesquisaram sobre a formação de raízes nas plantas e nas florestas, especialmente as conexões vitais que se dão, sobretudo, nos subsolos. “A gente pesquisou sobre o que acontece até se formar uma raiz, até se encontrar com outra, até florescer a árvore, crescer, a conexão com a terra, com o sol, com a água. Todas as raízes são conectadas, nenhuma fica sozinha, todas têm uma conexão”, conta. No palco, predominam as cores marrom e verde no figurino, cenografia e iluminação. A ideia não é apenas representar uma raiz, mas torná-la uma espécie de vestimenta. “É pra gente ser a raiz. Somos essas raízes, e entramos em cena como terra na qual vai florescer”, avisa.
Serviço
Raízes em Movimento
Com a Companhia Afro Contemporânea Corpus Entre Mundos. Sexta-feira (30/1) e sábado (31/1), às 20h, e domingo, às 19h, no SESC Taguatinga Norte. Dias 6, 7 e 8 de fevereiro, no Espaço Cultural Renato Russo. Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia), no Sympla
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