
Surgido do encontro de oito amigas antropólogas, o Coletivo Iló leva ao Museu Nacional da República a exposição Colagem e poéticas da alteridade, um conjunto de colagens que une conceitos clássicos da antropologia ao fazer artístico. O Iló, uma redução de "antropoilógicas", surgiu do reencontro de oito amigas que cursaram antropologia juntas e voltaram a se reunir em 2022 para trabalhar nas colagens. "E, desde então, todo mês, a gente se encontra para fazer colagem. E a gente trabalha muito a colagem com conceitos clássicos da antropologia, que é nossa área de conhecimento", explica Leila Lofego, que juntou o grupo.
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A exposição é dividida em três nichos. "Em dois a gente quis diluir a autoria individual para prevalecer uma autoria coletiva, então é uma colagem de colagens", explica Leila. No primeiro, Pessoas árvores, o visitante é convidado a entrar em uma floresta numa noite escura. O segundo apresenta um gabinete de curiosidades de seres híbridos para, no terceiro, as autorias individuais serem retomadas com 10 colagens de cada artista. "Nossas colagens são mais subjetivas como antropólogas. Mas há um diálogo entre nossos trabalhos", avisa Leila.
Ela explica que a técnica é excelente para provocar o estranhamento e proporcionar a reflexão diante das diferenças. "Tem várias definições sobre colagem, mas uma que gosto muito é que ela pode juntar o que naturalmente é considerado, nas sociedades, como disjunto", diz. "A colagem pode juntar porque são fragmentos de imagens que a gente pega de contextos diversos. E, ao mesmo tempo, pode disjuntar o que é naturalizado para estar junto."
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Esse trânsito acaba por resultar no que ela chama de uma antropologia visual. "Porque a antropologia é muito uma arte do estranhamento, de desnaturalizar um contexto no qual você foi socializado", acredita a artista, que também aposta no aprimoramento do olhar crítico e diverso por meio da técnica. "A antropologia é um pensamento crítico sobre a sociedade e a colagem é muito fecunda para fazer isso porque você trabalha com imagens socialmente construídas e pode mexer um pouco na naturalização dessas imagens", garante.
Serviço
Colagem e poéticas da alteridade
Exposição do Coletivo Iló. Visitação até 21 de junho, de terça a domingo, das 9h às 18h30, na galeria 3 do Museu Nacional da República
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