
Corpo e matéria são temas centrais na produção que a artista Rômulo Barros apresenta na exposição Do pó ao pó, em cartaz na Galeria A pilastra. Com trabalhos que representam diversas fases da trajetória, a mostra faz uma pequena retrospectiva e propõe uma leitura ampla da produção da artista pelo olhar de uma curadoria coletiva que faz parte de um projeto de residência da galeria. "É um time dos curadores que está estudando e fomentando a produção", explica Rômulo.
Leia também: Em ritmo de Copa do Mundo na combinação futebol e gastronomia
Reflexões sobre a vida, a morte, o movimento e o lugar do corpo e da matéria nesse ciclo são constantes na obra do artista. "Minha produção como um todo, por mais que seja variada em relação ao tempo, ela se correlaciona muito com pesquisas recorrentes. Sempre falo muito sobre o corpo, a morte, a vida, o movimento, essa coisa entre vida e morte, esse período que é depois da vida, mas não necessariamente é morte", explica Rômulo, que coloca a própria corporalidade e a experiência de ser uma artista trans no centro das reflexões.
São trabalhos como Olhos que a terra há de comer, fotoperformance na qual a artista posiciona pedras de cerâmica marcadas com o desenho de um olho em círculos de maneira a se entreolharem. "A pedra tem o lugar de ser um ultimato enquanto vida, um dos últimos lugares em que você se sedimenta, e está muito relacionada com a terra", diz. As cerâmicas também podem ser encaradas como artefatos que, após enterrados, podem ser encontrados, tal qual a memória de um corpo que foi enterrado. "É tudo muito subjetivo na minha produção, não gosto de deixar as coisas muito claras, gosto que as pessoas tenham esse encontro com as perspectivas delas", garante Rômulo.
Leia também: Artista italiana Ulrike Belloni mostra naturezas morta na Platô
Ou ainda obras como Fissuras, instalação feita com corpos em tecido que se derramam pelo espaço, e Som, som, som, que estabelece relação entre nascimento e morte ao associar um percurso de festa. "Essa questão do corpo me interessa muito porque, dentro dessa subjetividade, o trabalho é uma reprodução do meu corpo enquanto uma pessoa trans, negra. É um corpo considerado dissidente, abjeto. Meus trabalhos têm uma vontade de transformar a forma como penso meu corpo numa coisa valiosa, como em um exercício de alquimia", avisa.
Serviço
Do pó ao pó
Exposição de Rômulo Barros. Curadoria: Belo e Bizarro, Júlia Teodoro, Madá Granja, Ness, Tahak Meneguzzo. Visitação até 15 de agosto, na Galeria A Pilastra (QE 40 Rua 09 Lote 8 – Guará II)

Diversão e Arte
Diversão e Arte
Diversão e Arte