
O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) atingiu um novo recorde nesta quarta-feira (11/2). Pela primeira vez na história, o principal índice da B3 chegou ao patamar de 190 mil pontos durante o dia de operações, em uma sessão em que a bolsa subiu 2,03%, encerrando o pregão aos 189.699 pontos. Desde o primeiro dia do ano, o Ibovespa acumula uma alta de 17,73%. No mês, a alta é de 4,6%.
As principais ações do índice fecharam com altas consistentes. Os papeis da Vale (VALE3) subiram 3,5%, cotadas a R$ 90,08, enquanto que as da Petrobras (PETR3 e PETR4) avançaram 3,16% e 1,95%, respectivamente. Entre as instituições financeiras, o destaque foram as ações do Bradesco (BBDC3), que valorizaram 2,96%, cotadas a R$ 21,50, ao mesmo tempo que Itaú Unibanco (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3) tiveram altas de 1,96% e 0,44%, respectivamente.
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Os investidores reagiram à divulgação da pesquisa Genial/Quest para a presidência da República em 2026. Em um dos cenários, o estudo revela o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 43% das intenções de voto, ante 38% do senador Flávio Bolsonaro. Na comparação com o último levantamento, o petista oscilou para baixo, enquanto que o filho do ex-presidente avançou.
No cenário internacional, a publicação do payroll – dados sobre o mercado de trabalho dos EUA – veio com um resultado melhor do que o esperado para o mês de janeiro. Mesmo assim, o mercado tratou o relatório como insuficiente para reverter a tendência de entrada de capitais para países emergentes, como o Brasil, o que permitiu que o real permanecesse forte em relação ao dólar, na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
“O ambiente externo ainda favorável a mercados emergentes, com fluxo global relevante de capitais em direção a ativos de maior retorno — movimento que segue beneficiando o real, apesar do payroll mais forte nos EUA”, avalia o especialista. Nesta quarta-feira (11), o dólar voltou a cair, com queda de 0,17%, cotado a R$ 5,18. Já as bolsas nos EUA fecharam em leve queda, com Dow Jones fechando com 0,13% de baixa, enquanto que S&P e Nasdaq encerraram o pregão com -0,01% e -0,16%.
Fluxo positivo
O economista Thomás Cordeiro, da Finance Consultoria, avalia que os movimentos recentes do câmbio e da Bolsa estão ligados principalmente ao ingresso de capital estrangeiro. De acordo com Cordeiro, o cenário internacional tem estimulado a diversificação de ativos, diante das incertezas geradas pela política econômica dos Estados Unidos. “Esse ambiente afeta o papel do dólar como reserva de valor global e contribui para um aumento do fluxo de capitais para mercados emergentes”, disse.
Nesse contexto, o Brasil tem se destacado como destino desses recursos, impulsionado também pelo diferencial de juros reais. Para ele, ao observar o câmbio real ajustado pela inflação brasileira e norte-americana nos últimos 10 ou 15 anos, o real ainda se encontra em patamar desvalorizado. Contudo, na avaliação de Cordeiro, existe espaço para continuidade desse movimento.
“Alguns analistas acreditam que o dólar possa chegar a R$ 4,50. Não significa que isso vá acontecer, mas é uma tendência possível. A estabilidade ou valorização cambial ajuda o Banco Central a atingir a meta de inflação”, disse Cordeiro.
Risco de correção
Em relação ao Ibovespa, que caminha para os 200 mil pontos, a considerar o ritmo atual de valorização, o gestor da Hike Capital, Ângelo Belitardo, alerta que há um risco de correção violenta, sobretudo porque alta puxada por fluxo de capitais tende a amplificar movimentos na reversão.
“Quando o comprador marginal é concentrado (não residente) e o mercado local não recompõe demanda na mesma intensidade, a queda pode ser rápida via realização, redução de risco e efeito câmbio, ou seja, real mais fraco costuma piorar o retorno em dólar e acelera saídas”, considera.
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O Ibovespa teve o melhor resultado para o mês de janeiro em 20 anos, com uma alta acumulada de 13%, mantendo o ritmo de valorização do ano anterior. Apesar disso, o especialista da Hike explica que o “gatilho” típico de reversão seria uma piora súbita nas condições financeiras globais, com dólar forte e juros longos mais altos, além de uma frustração com a trajetória da política fiscal doméstica. Segundo ele, em ano de eleição, é praticamente impossível prever o rumo da bolsa.

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