
O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central (BC) Paulo Sérgio Neves de Souza vendeu uma fazenda de café por R$ 3 milhões a um fundo de investimentos ligado ao empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo investigações do BC e da Polícia Federal, Souza atuaria como um “consultor informal” do Master dentro da autarquia e teria recebido recursos para ajudar a instituição a driblar a fiscalização.
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A negociação da fazenda, localizada no interior de Minas Gerais, ocorreu em 2021, período em que Souza ocupava o cargo de diretor de Fiscalização e coincide com a fase de forte expansão do Banco Master. As informações foram reveladas pelo Valor Econômico.
A transação foi identificada pelo próprio Banco Central e comunicada à Polícia Federal, o que contribuiu para o afastamento de Souza em janeiro deste ano e para o avanço da terceira fase da Operação Compliance Zero. Em apuração interna, ele confirmou a venda da fazenda, mas afirmou não saber que o fundo tinha ligação com Vorcaro. Também declarou que, após a valorização do café, conseguiu arrendar novamente a propriedade para continuar utilizando a área.
Vantagens recebidas
Investigadores suspeitam que o pagamento pela fazenda tenha sido uma das vantagens recebidas pelo ex-diretor em troca de prestar serviços informais ao banco. Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, foram alvos da operação deflagrada na última quarta-feira (4), que também levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.
Por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, Souza passou a usar tornozeleira eletrônica, está proibido de manter contato com outros investigados e impedido de acessar sistemas do Banco Central.
As investigações também apontam possíveis favores indiretos. Em mensagens encontradas no celular de Vorcaro, o banqueiro orienta que seja providenciado um guia após saber que Souza e a família viajariam para a Disney.
No caso de Belline Santana, a Polícia Federal afirma que ele teria atrasado o envio de documentos solicitados para embasar o pedido de prisão de Vorcaro, em novembro do ano passado, e só encaminhou as informações após ser alertado sobre possível responsabilização judicial.
Segundo a PF, os dois servidores integravam um grupo de mensagens usado para contato direto com Vorcaro e teriam recebido recursos por meio de empresas de fachada ligadas a Fabiano Zettel. O dinheiro sairia da Super Participações, passaria pela Varajo Consultoria Empresarial, usada como conta de passagem, e chegaria às contas dos investigados.
As defesas dos citados não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

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