PRIVATIZAÇÃO

Operadora de Congonhas fica com o Aeroporto do Galeão por R$ 2,9 bi

Espanhola Aena, que administra Congonhas e outros 16 aeroportos brasileiros, arremata terminal do Galeão por R$ 2,9 bilhões. Apesar do ágio de 211%, o valor pago equivale a 15,2% do montante negociado no leilão realizado em 2013, de R$ 19 bilhões (sem correção)

Leilão do Aeroporto do Galeão na B3 -  (crédito: Paulo PInto/Agência Brasil)
Leilão do Aeroporto do Galeão na B3 - (crédito: Paulo PInto/Agência Brasil)

Após 26 lances, a espanhola Aena, por meio da subsidiária Aena Desarrollo Internacional, venceu a suíça Zurich Airport, no novo leilão de concessão do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro – Galeão, principal aeroporto do Rio de Janeiro (Brasil), realizado, nesta segunda-feira (30/3), na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). 

A Aena apresentou a melhor proposta no processo de venda assistida de 100% da concessionária do aeroporto, com um lance de R$ 2,9 bilhões, e ágio de 211,1% sobre o valor mínimo estipulado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), de R$ 932 milhões. A quantia deverá ser paga à vista. 

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Esse valor arrematado pelo aeroporto fluminense, contudo, é 15,2% do valor do leilão anterior, quando o Galeão foi vendido por R$ 19 bilhões. Em valores atualizados, o negócio de hoje equivale a 7,6% daquele montante -- que seria de R$ 37,8 bilhões, em valores corrigidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O leilão ocorreu em duas etapas. Na primeira, a Zurich Airport e a Aena fizeram a mesma proposta, de R$ 1,5 bilhão. Já a atual controladora do aeroporto, a RIOgaleão, ofertou o valor mínimo previsto, de R$ 932 milhões. Na segunda etapa, as duas classificadas fizeram 26 lances em viva-voz na B3. O ministro Silvio Costa, do MPor, participou do leilão e segurou o martelo na conclusão da disputa. 

A Aena já administra o Aeroporto de Congonhas, segundo maior aeroporto do país, e, com isso, passa a ser a maior operadora aeroportuária do país, totalizando 18 terminais aeroportuários operados no país. 

A expectativa é de que a companhia espanhola deverá assumir a operação do Galeão no segundo semestre de 2026. Como vencedora do leilão, a concessionária também deverá assumir o compromisso de pagar à União uma contribuição variável anual correspondente a 20% do faturamento bruto da concessão até maio de 2039.

Além disso, será a única controladora do terminal, já que o acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU) prevê o fim da participação acionária da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que detinha 49% de participação da RIOgaleão após a devolução da concessão em 2024.

Privatização anterior

O Aeroporto do Galeão foi privatizado pela primeira vez em 2013, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff e a concessionária RIOgaleão iniciou as operações em 2014. O consórcio vencedor era composto pela construtora Odebrecht, com 60%, e pelo operador Excelente B.V, subsidiária da Changi Airport Group (CAG), operadora do aeroporto de Cingapura, com 40%. 

Contudo, após o escândalo de corrupção deflagrado pela Operação Lava-Jato, que tinha a Odebrecht entre uma das principais empresas envolvidas, e a frustração no fluxo de passageiros no Galeão, o negócio desandou e a construtora deixou o negócio. Em 2024, a concessionária RIOgaleão devolveu, de forma amigável, o Aeroporto Internacional Tom Jobim para a União, e, com isso, a composição societária era composta pela Infraero, com 49%, pela Vinci Compass, com 35,7%, e pela Changi Airports International (CAI), subsidiária da CAG, com 15,3%. Juntas, as duas empresas integram a Rio de Janeiro Aeroportos que responde por 51% do capital da RIOgaleão.

Consolidação no mercado 

Com a incorporação do Aeroporto do Galeão, a Aena Brasil passa a administrar 18 aeroportos no país, com movimentação de mais de 62 milhões de passageiros em território brasileiro.

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Com essa nova aquisição, a Aena se consolida como operadora da maior rede de aeroportos concedidos do Brasil. Sob a marca Aena Brasil, a operadora espanhola administra, desde 2020, seis aeroportos no Nordeste do país e, desde 2022, outros 11 nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Pará. Além disso, a empresa também passa a ser uma das maiores operadoras mundiais do setor.

Na Espanha, a companhia administra 46 aeroportos e dois heliportos. No Reino Unido, a companhia detém 51% do Aeroporto de Londres-Luton e, em dezembro de 2025, anunciou a compra de uma participação de 51% na nova holding que controla e opera 100% do Aeroporto de Leeds Bradford e 49% do Aeroporto de Newcastle, operação cuja conclusão está prevista para o segundo trimestre de 2026. A Aena também opera 12 aeroportos no México e dois na Jamaica.

 


 

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postado em 30/03/2026 20:14 / atualizado em 30/03/2026 20:38
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