ATIVIDADE ECONÔMICA

Varejo do Rio cai 6,3% na comparação entre Shakira e Lady Gaga

Apesar dos 2 milhões de fãs em Copacabana, índice da Cielo aponta queda no faturamento de 6,3% do comércio na comparação com o fenômeno Lady Gaga em 2025. Entenda os motivos do recuo

O show da cantora colombiana Shakira no Rio de Janeiro, realizado no sábado (2/5), não impulsionou o comércio local como esperado. De acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), houve queda de 6,3% no faturamento entre 30 de abril e 3 de maio, em comparação com o mesmo período de 2025.

O resultado contrasta com o desempenho registrado no ano anterior, quando a apresentação da cantora Lady Gaga reuniu mais de 2,2 milhões de pessoas em Copacabana e gerou maior movimentação econômica. Embora o público de Shakira também tenha sido expressivo, com cerca de 2 milhões de espectadores, o impacto no consumo foi menor.

A base de comparação elevada ajuda a explicar o resultado negativo. Em 2025, o show de Lady Gaga quebrou recordes de público e atraiu um volume significativo de turistas para a capital fluminense.

Segundo Carlos Alves, vice-presidente de Negócios da Cielo, o recuo precisa ser analisado dentro desse contexto. "É uma queda em comparação com o fim de semana em que uma multidão ainda maior foi assistir à Lady Gaga em 2025 e quebrou recordes mundiais. Então, estamos falando em uma retração, mas numa base de comparação muito alta", afirmou.

A diferença no número de visitantes e no perfil do público também influenciou o desempenho do comércio, reduzindo o volume de gastos na cidade.

Desempenho dos setores

A retração foi generalizada entre os principais segmentos do varejo analisados pelo ICVA. O setor de Alimentação, que inclui bares e restaurantes, registrou a maior queda, de 10,4%.

Outros segmentos também apresentaram desempenho negativo. Vestuário e artigos esportivos caíram 10,4%, enquanto supermercados e hipermercados tiveram retração de 10,2%. O varejo alimentício especializado recuou 2,7%.

Já o setor de Turismo e Transporte apresentou queda menor, de 4,1%. Apesar do resultado negativo na comparação anual, esse segmento manteve um nível elevado quando comparado a fins de semana sem grandes eventos internacionais.

Outro fator apontado para o desempenho mais modesto do comércio é o aumento da frequência de grandes turnês internacionais no Brasil. Shakira, por exemplo, já realizou mais de 40 shows no país ao longo da carreira, além de diversas apresentações menores antes de alcançar sucesso internacional.

Carlos Alves destaca que essa maior oferta de eventos pode diluir o impacto econômico. “Hoje em dia, existe uma oferta maior de shows internacionais no país, o que tende a distribuir esse fluxo ao longo do tempo, o que pode reduzir a concentração de gastos em um único fim de semana”, explicou.

Esse cenário reduz a concentração de turistas em datas específicas e, consequentemente, diminui o efeito indireto sobre o comércio local.

O que é o ICVA

O Índice Cielo do Varejo Ampliado acompanha mensalmente a evolução das vendas no varejo brasileiro com base em dados reais de transações. O indicador considera 18 setores, desde pequenos lojistas até grandes redes.

Para garantir maior precisão, o ICVA utiliza modelos matemáticos que isolam fatores como mudanças no uso de meios de pagamento, incluindo a substituição de dinheiro e cheques por cartões e Pix. Assim, o índice busca refletir a dinâmica real do consumo no ponto de venda.

O indicador pode ser apresentado em diferentes versões. O ICVA nominal mostra a variação da receita de vendas, enquanto o deflacionado desconta a inflação, permitindo avaliar o crescimento real. Há também versões ajustadas ao calendário e voltadas ao comércio eletrônico.

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