Florianópolis - O avanço de mudanças na escala de trabalho 6x1 e à flexibilização da chamada "taxa das blusinhas" aplicada sobre compras internacionais de até US$ 50 preocupam empresários do setor de comércio e serviços. O assunto é tema de debate da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e da Associação Empresarial de Florianópolis (Acif), que apontam o risco de aumento de custos, perda de competitividade e impactos indiretos ao consumidor.
Representando 2,3 mil associações comerciais em todo o país, o presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, afirmou ao Correio que o debate sobre a jornada de trabalho precisa considerar a realidade econômica dos diferentes setores produtivos e não deve ser conduzido sob influência do calendário eleitoral. "Primeiramente, ninguém discute a validade de um debate. O que não se deve permitir é discutir esse tema em um ano eleitoral, pois o trabalho não é um tema meramente político. Ele é essencial para a formação da renda das pessoas. O trabalho deve ser debatido de outra forma. No fundo, o trabalho não é um castigo, mas uma virtude, trabalhar é fundamental", declarou.
Segundo Cotait Neto, uma eventual mudança na escala 6x1 exigiria atenção às particularidades de segmentos que dependem de funcionamento contínuo, especialmente comércio, serviços e alimentação. Ele também criticou que o tema tenha entrada em pauta em ano eleitoral e que, sendo feito às pressas, poderá atingir diretamente o empreendedor. "Não cabe discutir a escala 6x1 neste momento por ser um ano eleitoral. O empreendedor, o dono de restaurante ou o lojista não podem arcar com o custo de diminuir as horas de trabalho mantendo o mesmo valor de salário, isso não cabe no custo", disse.
O presidente da Associação Empresarial de Florianópolis (ACIF), Célio Antônio Bernardi Junior, afirmou que a entidade acompanha o debate com atenção, especialmente pelos impactos potenciais sobre os mais de 5,5 mil associados. Ele questiona a falta de um debate mais aprofundado sobre os efeitos econômicos. "Isso impactará economicamente toda a cadeia: se uma empresa possui uma escala de trabalho estabelecida e ela é alterada, será necessário contratar mais pessoas. Isso aumentará o custo, reduzirá a margem de lucro ou deverá ser repassado ao consumidor final. Resta saber se o consumidor e o empresário conseguirão absorver esse custo", declarou.
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Diálogo
Ontem, na cerimônia de abertura do Encontro Internacional da Indústria de Construção (Enic), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu que nenhuma mudança será imposta "na marra". Depois de receber uma pauta de reivindicações da da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), ele falou que a mudança será feita de forma colaborativa, com o governo federal aberto ao diálgo e atento às demandas específicas de cada setor econômico. "Não se escondam de fazer qualquer proposta para nós. A construção civil é imprescindível para o futuro deste país. Em qualquer momento histórico, ela é quem gera emprego com mais facilidade. É ela quem pode fazer as coisas acontecerem", disse o presidente.
Em seu discurso, o presidente justificou a medida dizendo que o mundo do trabalho deve acompanhar as transformações da sociedade. "Não fiquem assustados. (O fim da) escala 6x1 é uma coisa necessária, porque hoje o povo quer mais tempo para ficar em casa, para lazer, para estudar, para namorar. É normal que a sociedade tenha avançado muito, com os avanços tecnológicos", comentou ele.
Outra preocupação do empresariado envolve Medida Provisória (MP) que acaba com a cobrança de 20% do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até U$ 50, conhecido com a "taxa das blusinhas". Dados apresentados pela CACB apontam que o comércio varejista de vestuário e acessórios é um dos segmentos mais expostos à concorrência internacional, sendo também o maior setor de micro e pequenas empresas do país. A entidade informa que há 23,9 milhões de pequenos negócios com CNPJ ativo no Brasil e afirma que o faturamento das micro e pequenas empresas de moda recuou 15,9% em março de 2026, um dos piores desempenhos do período.
Para Cotait Neto, o problema central continua sendo a ausência de isonomia tributária entre o varejo nacional e os importados. "Mais uma vez, é o varejo brasileiro que paga a conta. Eu sou a favor da isonomia. Já que reduziram o imposto sobre as importações de até UU$ 50, deveriam dar ao produtor brasileiro a mesma isenção para produtos de até R$ 250."
*O repórter viajou a convite da CACB
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