
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nessa quinta-feira, novas entregas do programa Imóvel da Gente, iniciativa que destina imóveis da União para ações sociais. A solenidade, no Palácio do Planalto, apresentou um balanço da iniciativa. Desde 2023, foram cerca de 1,9 mil empreendimentos cedidos, em 638 municípios.
O número supera em quase 20% a meta de 1,6 mil imóveis prevista para ser alcançada até o fim de 2026. Segundo o governo, as destinações têm potencial para beneficiar aproximadamente 400 mil famílias em todo o país, por meio de projetos de moradia, regularização fundiária e implantação de equipamentos públicos.
Em seu discurso, Lula disse que o que está sendo feito pelo governo nesse programa era algo que o deixava inquieto. Ele citou que muitas capitais, como Recife, Porto Alegre e São Paulo, têm prédios e casas abandonadas que poderiam ser destinadas à população carente.
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Lula comentou que precisou levar seus ministros para visitar Brasília Teimosa, no Recife, para ver de perto onde as pessoas moravam, em palafitas. E destacou que é preciso governar para os necessitados. "O povo pobre come o pão que o diabo amassou, todos os dias, para sobreviver. Quando queremos fazer as coisas, já é difícil. Se a máquina cair na mão de uma pessoa burocrática, ela não faz", acrescentou.
O chefe do Executivo também fez duras críticas à situação em que encontrou a Granja do Torto, em Brasília, espécie de residência de campo da Presidência. Segundo ele, o local segue em reforma por conta da deterioração deixada pelo antigo governo, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Tem burocrata, principalmente depois que saímos do governo, que está no prédio, mas não cuida. O prédio vai se deteriorando. Ele não cuida, ele não pede um contrato para fazer uma pintura. Daqui a pouco, ele pede outro prédio e muda, e deixa aquele deteriorado. Foi assim que encontrei a Granja do torto. Estou até agora reformando a granja do Alvorada", afirmou.
Fila do INSS
O presidente finalizou seu discurso cobrando da atual presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Ana Cristina Viana Silveira, que zere a fila de atendimento. "Ela me prometeu que, até o fim do mês de setembro, vai zerar a fila", disse o presidente, ressaltando que a população deve continuar cobrando melhorias do governo. "Se não existir cobrança, se vocês não reclamarem, protestarem e gritarem, a gente acha que está tudo resolvido. Enquanto eu for presidente, cobrem o governo. Cobrar é uma obrigação, ficar quieto é uma omissão", declarou.
Atualmente, a fila do INSS está em cerca de 2,3 milhões de processos, e o Planalto espera zerá-la às vésperas das eleições de outubro, cumprindo promessa de campanha de 2022, que ainda não se concretizou.
Moradia
Durante a cerimônia, a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, destacou que parte desses imóveis corresponde a grandes áreas urbanas, capazes de atender a um elevado número de pessoas. Segundo ela, a expectativa do governo é ultrapassar a marca de 2 mil imóveis destinados até o final deste ano.
"São áreas, bairros inteiros, que contam como um imóvel, possibilitando beneficiar cerca de 400 mil famílias", disse a ministra.
O titular da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, também destacou a importância do projeto. Segundo o ministro, a medida tem ampliado o uso social do patrimônio da União e fortalecido políticas públicas voltadas à redução das desigualdades.
"No Brasil, temos mais casa sem gente, do gente com casa. Estamos dando um exemplo, colocando imóveis sem utilização, abandonados, para usufruto da população", afirmou. Ele ressaltou que as pessoas poderão morar com dignidade nos imóveis que serão recuperados. "É uma correção de uma desigualdade histórica", pontuou Boulos.
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