
Uma coalizão formada por procuradores-gerais de 12 estados norte-americanos, liderada pela Califórnia, entrou com uma ação na Justiça dos Estados Unidos para impedir a fusão de US$ 111 bilhões entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery nesta segunda-feira (13/7). Os estados argumentam que a operação viola a legislação antitruste dos EUA ao concentrar excessivamente o mercado de entretenimento, tanto na distribuição de filmes para os cinemas quanto no licenciamento de canais de televisão por assinatura.
A ação sustenta que a união das duas empresas infringe o Clayton Act, legislação que busca evitar a formação de monopólios e preservar a concorrência. Segundo os procuradores, caso a operação seja aprovada, apenas quatro grandes estúdios passarão a concentrar mais de 85% dos filmes de grande lançamento exibidos nos cinemas americanos. Essas produções responderam por cerca de 98% da arrecadação das bilheterias do país nos últimos quatro anos.
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Ainda de acordo com a ação, a nova Paramount controlaria sozinha mais de 30% dos chamados blockbusters, ampliando significativamente seu poder de negociação com redes de cinema.
Os estados também afirmam que a redução da concorrência poderá resultar em custos maiores para exibidores. Segundo a acusação, a empresa combinada teria condições de impor taxas mais elevadas aos cinemas, além de restringir promoções, descontos e ingressos de cortesia, o que poderia elevar o preço dos ingressos para o público e reduzir investimentos em melhorias nas salas de exibição, como poltronas premium, telas maiores e tecnologias de projeção.
A Paramount contestou as alegações e afirmou que o processo se baseia em uma interpretação equivocada das leis antitruste. A empresa argumenta que a fusão é necessária para fortalecer sua posição diante das grandes plataformas de tecnologia e streaming, como Netflix, Amazon e Google, que passaram a concentrar investimentos, audiência e talentos da indústria do entretenimento.
Segundo a companhia, impedir a operação acabaria favorecendo justamente essas empresas, dificultando a competitividade dos estúdios tradicionais de Hollywood.
Como parte da estratégia para reduzir as preocupações regulatórias, o futuro CEO da empresa combinada, David Ellison, assumiu o compromisso de lançar pelo menos 30 filmes por ano nos cinemas, mantendo uma janela mínima de 45 dias de exclusividade nas salas antes da disponibilização em plataformas digitais. Ellison também prometeu preservar a operação da Paramount e da Warner Bros. Discovery como estúdios cinematográficos independentes.
*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro
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