
O mercado financeiro reagiu com ânimo ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial nesta segunda-feira (5/10), primeiro dia de sessão após a votação. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), ultrapassou pela primeira vez a marca de 200 mil pontos e atingiu a máxima de 209,6 mil pontos, com alta superior a 8% e ganho de mais de 17 mil pontos em relação ao fechamento anterior. No fim do pregão, o índice fechou em alta de 7,7%, aos 206.911 pontos.
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O sentimento positivo contaminou quase todas as ações do Ibovespa no primeiro dia da semana. Sete papéis listados na bolsa avançaram acima de 20% apenas nesta segunda, com destaque para a Cosan (CSAN3), que subiu acima de 24%, e Magazine Luiza (MGLU3), com mais de 23%. Outras 23 ações tiveram uma alta diária entre 10% e 20%, enquanto somente sete ações performaram negativamente no que ficou conhecido como 'Flávio Day', em referência à liderança do candidato Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
O dólar comercial também teve forte queda. Na abertura da sessão, a moeda norte-americana recuou 4,71% e passou a ser negociada na faixa de R$ 4,97. Ao longo do dia, a cotação oscilou entre R$ 4,95 e R$ 4,98, ante o patamar de R$ 5,21 registrado anteriormente. No fechamento, o dólar ficou 'cravado' nos R$ 5,00, com queda de 4,12% em relação ao último pregão.
Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o movimento do câmbio acompanhou o desempenho da renda variável brasileira e ocorreu em sentido diferente do comportamento do dólar no exterior. “Esse forte recuo no mercado doméstico ocorreu na contramão da tendência externa, uma vez que o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de pares globais, chegou a registrar leve alta durante a sessão”, explica.
Resultado eleitoral
Na visão do analista da Ouro Preto Investimentos Bruno Komura, o mercado se animou com vários fatores relacionados à eleição. Com 2,2 milhões de votos à frente do segundo colocado, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) é tratado como ainda mais favorito pelos principais bancos de aposta no exterior. A possibilidade de mudança em relação ao cenário fiscal é vista como um cenário animador pela maioria do mercado financeiro.
- Leia também: Mercado em euforia nesta segunda-feira
“A troca de governo é positiva na visão do mercado porque o incumbente (Lula) não deve mudar nada do que vimos nos últimos 4 anos e isso deve resultar em aumento da dívida em relação ao PIB. Em uma troca, a gente tem a possibilidade disso mudar. O mercado vai dar o benefício da dúvida e o Flávio Bolsonaro precisa sinalizar e entregar. Caso contrário, todo o otimismo vai embora”, pontuou o especialista.
Além da eleição presidencial, Komura acredita que a renovação no Senado Federal, com uma maioria de parlamentares ligados a Flávio, traria maior governabilidade ao candidato, caso eleito. “Na Câmara houve avanço, mas ainda será preciso negociar e formar coalizões. Com esta configuração de Congresso e Executivo, temos chances de aprovar medidas duras, mas que são necessárias. O resultado positivo deveria começar a aparecer perto do terceiro ano de mandato”, acrescenta o analista.
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