Mercado financeiro

Bolsa e dólar ficam estáveis

Após desabar quase 14% na segunda-feira, IBovespa recua 0,51%, ficando em 175.710 pontos e dólar cai quase 1%, encerrando o dia valendo R$ 5,35

 The BOVESPA stock index is displayed on an electronic board at the Sao Paulo Stock Exchange (B3) in Sao Paulo, Brazil, on October 26, 2026. The Sao Paulo Stock Exchange suspended trading for 30 minutes on October 26 as share prices plummeted following the shock re-election of Brazil's leftist President Luiz Inacio Lula da Silva. The B3 stock exchange activated a
The BOVESPA stock index is displayed on an electronic board at the Sao Paulo Stock Exchange (B3) in Sao Paulo, Brazil, on October 26, 2026. The Sao Paulo Stock Exchange suspended trading for 30 minutes on October 26 as share prices plummeted following the shock re-election of Brazil's leftist President Luiz Inacio Lula da Silva. The B3 stock exchange activated a "circuit breaker" mechanism provided for "periods of sharp market decline," according to a statement. (Photo by Nelson ALMEIDA / AFP) Caption - (crédito: AFP)

O mercado financeiro acalmou, ontem, após abrir a semana com turbulências após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Depois de desabar 13,88%, na segunda-feira, a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) oscilou pouco chegando até a registrar alta no início do dia, mas encerrou o pregão com queda de 0,51%, aos 175.710 pontos – acima do patamar do início da campanha eleitoral de 166 mil pontos. 

Enquanto isso, o dólar recuou quase 1%, para R$ 5,35, depois de subir mais de 8%, na véspera registrar a maior alta desde janeiro de 1991. E os juros futuros, que chegaram a ficar acima de 15% ao ano, foram negociados, ontem, levemente abaixo desse patamar. Nesse caso, o recuo refletiu as intervenções do Tesouro Nacional, que realizou recompra de títulos públicos prefixados (NTN-F) e indexados à inflação (NTN-B), em três leilões em dois dias. O valor da compra somou R$ 31,3 bilhões, com a retirada do mercado de papeis com vencimento em 2030, 2031, 2035, 2037, 2040, 2045 e 2050. 

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Mas, apesar da aparente tranquilidade, analistas alertam que os operadores e investidores seguem na expectativa do anúncio dos nomes da equipe econômica por Lula e a torcida é que ele escolha um nome mais técnico e respeitado pelo mercado para recuperar a credibilidade da equipe econômica. Nesse sentido, o petista precisará pensar muito bem em quem vai escolher para ser os ministérios da área econômica, principalmente para a Fazenda durante o quarto mandato e, assim, cumprir a promessa de que fará o melhor governo da história.

 Por enquanto, entre os nomes ventilados, os mais cotados, por enquanto,para o Ministério da Fazenda são o vice Geraldo Alckmin e o governador reeleito no Piauí, Rafael Fonteles (PT). Segundo eles, o futuro ministro terá de apresentar um plano econômico mais convincente do que o programa de governo para conseguir estabilizar o crescimento do endividamento público, que compromete a adoção das promessas voltadas para a redução da desigualdade social. 

Expectativas

 “O primeiro dia foi de ajuste e, agora, a tendência é acalmar até o anúncio das primeiras escolhas da equipe e das medidas”, disse Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, ao comentar sobre o movimento do mercado nesses dois dias após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. “A expectativa está toda em cima dos próximos nomes que vão ser anunciados na economia. Esse é o foco principal agora”, destacou Vale. Segundo ele, Lula precisa de um importante no Ministério da Fazenda e tudo está caminhando para que seja Geraldo Alckmin. “Ele certamente montaria uma equipe econômica bastante adequada, porque tem demonstrado, há muito tempo, a preocupação com a questão fiscal. Acho que ele faria um trabalho bastante interessante nesse sentido”, afirmou. “Lula tem consciência do problema fiscal do país neste e eu acho que vai fazer esse caminho de trabalhar pelo ajuste de uma forma importante. É resgatar um pouco o espírito de 2003”, emendou. 

Na mesma linha, Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), acredita que para chefiar a Fazenda, é preciso alguém de peso, que consiga montar uma boa equipe para o mercado acreditar, “como o perfil de Henrique Meirelles”, afirmou.  “O esperado, agora, é algo mais próximo do que foi o governo Lula 1, senão, haverá recessão e crise econômica”, afirmou. 

Mas, ontem, os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, deram sinais trocados sobre o compromisso do governo com o equilíbrio fiscal. Enquanto Durigan voltou a afirmar que o governo trabalha com a ideia de propor um projeto de lei complementar (PLP) para definir juridicamente que buscará o centro da meta de resultado primário – sem explicar exatamente como –, Guimarães, disse que a proposta de ajuste fiscal “não está entre as prioridades do governo no Congresso”. Na avaliação de Sergio Vale, o ministro Zé Guimarães e a ala petista que não gostam de cortar gastos precisarão “se dobrar à realidade”. “O cenário vira rapidinho de crise mais profunda se continuarem esses discursos. Eles ainda estão no palanque. A escolha da Fazenda e os primeiros passos vão ser importantes”, afirmou.

Alertas

Analistas reforçaram o alerta de que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) de 2027, que está parado no Congresso desde agosto, não tem espaço para todas as medidas anunciadas por Lula. O consenso é de que será necessário algum ajuste fiscal diante da perspectiva de forte deterioração das contas públicas, e, assim, evitar a explosão da dívida pública bruta, atualmente em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), podendo chegar a 100% do PIB antes do fim do próximo mandato.  

Diante desse cenário ainda preocupante, em nota sobre relatório que avaliou o resultado das eleições no Brasil, a agência de classificação de risco norte-americana Moody’s reforçou o alerta, ontem, da necessidade do ajuste fiscal no quarto mandato de Lula, com risco de reduzir o rating atual do país, que está com perspectiva negativa. “A continuação da atual trajetória da política fiscal com apenas ajustes fiscais graduais corre o risco de prolongar os grandes rombos fiscais nominais do Brasil, os custos de financiamento muito altos e a carga da dívida crescente. Na ausência de um compromisso mais forte com a consolidação fiscal do que a Moody’s espera atualmente, a capacidade de pagamento da dívida persistentemente fraca pesaria sobre o perfil de crédito do Brasil ao longo do tempo”, alertou o comunicado. 

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postado em 27/10/2026 23:33
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