
Quando o Brasil deixa de ser apenas consumidor do SailGP, a “Fórmula 1 da vela”, para se tornar, também, produtor do espetáculo, a lógica muda por completo. A avaliação é de Alan Adler, CEO do Mubadala Brazil SailGP Team e da IMM Esporte e Entretenimento e ex-atleta olímpico da vela em três edições do megaevento — LA-1984, Seul-1988 e Barcelona-1992. Para ele, a entrada do verde-amarela no circuito — com equipe própria, estrutura local e uma etapa no Rio de Janeiro — não é apenas um avanço, mas um movimento estratégico que coloca o país no mapa do turismo esportivo premium.
“Muda tudo. Essa mudança gera impacto na economia, turismo e empregos, além de nos posicionar no circuito global do esporte de elite”, analisa. “A realização de uma etapa no Brasil é trazer para cá os holofotes e o protagonismo, com um padrão de produção de evento que é referência global. Isso coloca o Rio e o país no centro do mapa do turismo esportivo de alto padrão e mostra que temos vocação e capacidade técnica para realizar grandes eventos”, comenta o executivo.
Popularmente apelidado de “Fórmula 1 da vela”, o SailGP carrega paralelos claros com o automobilismo. Adler aprova a comparação. “Faz todo sentido. Assim como na F1, o SailGP é sobre milissegundos, telemetria de ponta e equipes de engenharia trabalhando nos bastidores”, explica. O modelo de liga mundial, com etapas em diferentes países e embarcações idênticas, reforça a semelhança.
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“O formato de liga, com etapas globais e barcos idênticos nos quais o talento do piloto decide é o mesmo DNA.” Se existe um exagero, aponta ele, está na visão reducionista de que tudo depende apenas da tecnologia. “O ‘mito’, talvez, seja achar que é apenas sobre o barco; assim como na F-1, é sobre o conjunto: atletas, tecnologia, estratégias e decisões sob pressão”, destaca.
Além da alta performance náutica, o SailGP busca um público que o circuito olímpico nem sempre captura. Trata-se de uma audiência mais jovem, digitalizada e sensível à narrativa de inovação, propósito e entretenimento ao vivo.
“O SailGP atrai um público que busca entretenimento, adrenalina e muita emoção. É um prato cheio para os torcedores. Estamos falando de um ‘estádio náutico’, que dialoga com o estilo de vida moderno, sem perder a emoção das arquibancada”, exalta.
Os ingredientes transformam o SailGP, também, em um produto comercial competitivo para mídia, patrocinadores e plataformas de transmissão. Para Adler, o valor está na soma. “A previsibilidade de um calendário global permite planejamento para as marcas, além da oportunidade delas se associarem a um evento que já nasceu pensando no futuro — e o SailGP nasceu com valores e propósitos alinhados à sustentabilidade e à inclusão”, afirma.
A estética da competição, guiada por barcos que literalmente “voam” sobre a água, completa o pacote narrativo. “A velocidade e o visual impactante garantem o engajamento na mídia, com imagens incríveis e histórias muito emocionantes de serem contadas. E o storytelling, especialmente com o Brasil tendo uma mulher como a Martine na liderança, é poderosíssimo. O SailGP é um produto ‘ready-to-go’ para o mercado: é premium, é sustentável e repleto de adrenalina”, elogia.
Brasil no SailGP 2026
A temporada 2026 do SailGP começou nesta sexta-feira (16/1), em Perth, na Austrália, e vai até domingo (18/). Vitorioso em duas regatas em 2025 e vice-campeão da Impact League, o país é capitaneado por Martine Grael, ouro nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 e de Tóquio-2020. Aos 34 anos, ela é a primeira mulher a ocupar essa função na badalada liga de barcos velozes.
O Brasil passa por algumas mudanças nesta temporada. O italiano Pietro Sibello é o responsável por controle da asa rígida. O dinamarquês Rasmus Kostner é o controlador de voo, função que mantém o barco “voando” de forma estável e rápida. O treinador é o britânico Paul Brotherton. A espinha dorsal brasileira permanece com Marco Grael, Mateus Isaac e Breno Kneipp, responsáveis pela potência dos pedais como grinders. O britânico Paul Goodison segue como estrategista, enquanto Richard Mason atua como reserva.
A nova disputa do SailGP será a mais longa desde a criação da liga, em 2019. Em 2026, serão 13 etapas, incluindo a primeira na América do Sul, a ser disputada no Rio de Janeiro, em 11 e 12 de abril, na Baía de Guanabara.

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