MILÃO-CORTINA

Duda Ribeira participa pela 2ª vez nas Olimpíadas de Inverno

Atleta do esqui cross-country iniciou jornada na modalidade por meio de um projeto social no interior de São Paulo

Duda treina a maior parte do ano em SP, no rollerski, a versão no asfalto -  (crédito: Igo Bione/CBDN)
Duda treina a maior parte do ano em SP, no rollerski, a versão no asfalto - (crédito: Igo Bione/CBDN)

O Brasil se adaptou à ausência de neve e encontrou solução para manter o desenvolvimento de atletas do esqui cross-country. A modalidade exige resistência dos competidores ao percorrerem variadas distâncias sobre a neve, com esquis e impulsionados por bastões. Porém, quando não conseguem se preparar nas condições ideais, aprimoram-se no asfalto por meio do rollerski, a versão sobre rodas e um dos elementos que impulsionam o sonho olímpico de Bruna Moura e Eduarda Ribera, hoje, a partir das 9h, na prova dos 10km no tapete branco em Milão-Cortina.

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Duda Ribera está, aos 21 anos, na segunda participação em Jogos Olímpicos de Inverno. Estreou em Pequim-2022, justamente como substituta de Bruna Moura, gravemente ferida após acidente de carro. A paulista de Jundiaí iniciou na modalidade por meio do projeto social Ski na Rua, que atletas paralímpicos na região. Irmã do multicampeão Cristian Ribera, ela foi no embalo e treinou escondida no asfalto com autorização de um treinador.

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O rollerski é mais compacto do que o tradicional, com duas rodas e também exige bota para fixação. Os bastões também são semelhantes, mas com reforço para melhor aderência no asfalto.

Duda só foi ver neve seis meses depois do primeiro contato com a versão sobre rodas. Curtiu a experiência. Aos 15 anos, disputou os Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude, em Lausanne-2020, na Suíça. Perdeu as contas de quantos títulos nacionais de rollerski conquistou. Também celebra ser a brasileira com melhor resultado em uma prova no Mundial de cross-country, na Noruega, com a 65ª posição na categoria sprint.

A prova de 10km é a segunda de três de Duda Ribera em Milão-Cortina. Ela estreou na terça-feira, com a 72ª posição na categoria sprint. Com a marca de 4min17s05, foi a melhor sul-americana. No dia 18, terá pela frente a competição por equipes.

Embora as medalhas ainda não tenham vindo, Duda enxerga evolução e gostaria de mais suporte. "Não tem como conseguirmos medalha na neve, se não temos neve. Essa realidade está bem longe, pelo menos de nós, que treinamos no Brasil. Se pudéssemos ter mais estrutura e apoio maior para ficarmos muito mais tempo na neve, talvez um dia daria", desabafou em entrevista ao Correio.

Bruna Moura sempre foi do esporte. Iniciou no mountain bike e chegou a integrar a Seleção Brasileira, mas o diagnóstico de um problema cardíaco em 2011 forçou o rompimento com a modalidade. No ano seguinte, interessou-se pelo rollerski. Devido à condição de saúde, não podia treinar com intensidade, mas se familiarizou com as técnicas e equipamentos. Em abril de 2013, passou por cirurgia e foi liberada para treinar gradualmente.

Hoje, aos 31 anos, Bruna Moura mora na Holanda e tem mais acesso à neve. Mesmo assim, não finge costume e emociona-se a escada treino ou prova, sobretudo depois do acidente a caminho do aeroporto, antes do embarque para a Olimpíada de 2022, na China.

 


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postado em 12/02/2026 03:07
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