MUDANÇAS ESTRUTURAIS

Dorival pede limite de estrangeiros no Brasil e alerta para risco de "preço alto"

Técnico do Corinthians cita a Itália como exemplo, critica rumos do futebol nacional e também volta a questionar o uso de gramados artificiais

Dorival pede diminuição de estrangeiros no Brasil -  (crédito: Foto: Rodrigo Coca / Agencia Corinthians)
Dorival pede diminuição de estrangeiros no Brasil - (crédito: Foto: Rodrigo Coca / Agencia Corinthians)

O técnico do Corinthians, Dorival Júnior, voltou a defender mudanças estruturais no futebol brasileiro. Desta vez, o treinador apontou a necessidade de restringir o número de jogadores estrangeiros por equipe e alertou para impactos diretos na formação de atletas nacionais. Para reforçar o argumento, citou a Itália como um exemplo de país que teria pago caro por escolhas semelhantes.

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Atualmente, o regulamento do Campeonato Brasileiro permite que cada clube relacione até nove estrangeiros por partida. Na edição de 2026, a competição conta com 131 atletas de fora do país inscritos. No elenco corintiano, são seis jogadores estrangeiros, incluindo o marroquino Zakaria Labyad, que ainda aguarda regularização.

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Após a vitória por 1 x 0 sobre o Athletico-PR, pela segunda rodada do Brasileirão, Dorival abordou o tema em entrevista coletiva e foi direto ao tratar do assunto.

"Eu também acho que está na hora de intervirmos em relação ao número de estrangeiros em cada equipe brasileira. Nós estamos penalizando uma geração e, futuramente, pagaremos um preço muito alto. Nós não estamos percebendo isso acontecer. A Itália pegou preço altíssimo em duas Copas do Mundo, tendo dificuldade muito grande de classificação nesta terceira", comentou o treinador.

A seleção italiana ficou fora das Copas do Mundo de 2018, na Rússia, e 2022, no Catar, e ainda precisa disputar a repescagem para tentar vaga no Mundial de 2026, que será realizado nos Estados Unidos, Canadá e México.

Europa como exemplo

Aliás, a declaração surgiu a partir de uma pergunta sobre o gramado sintético da Arena da Baixada, palco da partida. Dorival, no entanto, ampliou a discussão e contextualizou sua posição.

"Se está autorizado pela CBF, ponto, nós não temos que ficar discutindo. Que é vantajoso para quem atua dentro do seu campo, é natural. A vantagem é muito grande. Aliás, o jogo é muito mais rápido, muito diferente de um gramado natural. Esse é um aspecto", explicou, antes de aprofundar o tema.

"Em boa parte da Europa já não se permite isso, e nós tínhamos que levar isso em consideração. Estamos sempre na contramão do que vem acontecendo lá fora. Mas nós temos que estar conscientes daquilo que estamos proporcionando aos nossos profissionais. O Athletico já tem esse campo há um bom tempo. Todos nós sabemos. Eu mesmo já estive a favor da Athletico e sei da vantagem que nós levamos em muitas partidas em razão do desconhecimento do adversário, sabemos como tirar proveito de uma situação como esta", completou.

Dorival aumenta coro contra o sintético do Athletico

Por fim, Dorival também reforçou críticas feitas por Garro após a partida, quando o jogador afirmou que o gramado sintético "atenta contra o corpo". Aliás, antes do duelo do Timão, Neymar e atletas do Santos já haviam se manifestado contra o piso da Arena da Baixada, após derrota pelo Brasileirão.

"O que eu acho é uma atitude que deveria partir, naturalmente, de quem comanda o futebol. Para vocês verem que são dois fatores que, para mim, conflitam muito com aquilo que nós sempre fizemos. Revelarmos atletas e termos gramados em condições, por sermos um país tropical. É impossível que isso não aconteça. Na Europa, são 50 dias do ano sem ver sol, e os gramados lá são perfeitos. Não é possível que não possamos atingir um momento como este dentro do nosso país, independente do estado em que estivermos", finalizou.

Assim, depois do triunfo em Curitiba, o Corinthians volta as atenções para o Campeonato Paulista. O time enfrenta a Portuguesa pelas quartas de final, em jogo único, no Canindé, no próximo domingo (22), às 20h30.

 

 

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RJ
postado em 20/02/2026 14:32
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