REPESCAGEM

Itália revive trauma nos pênaltis e fica fora da terceira Copa seguida

Tetracampeã sai na frente contra a Bósnia, mas tem jogador expulso, cede empate e cai na marca da cal por 4 x 1. Eliminação se junta às decepções nos mundiais de 1990, 1994 e 1998

Eliminação contra a Bósnia é um tapa na cara do futebol italiano  -  (crédito: Elvis Barukcic/AFP)
Eliminação contra a Bósnia é um tapa na cara do futebol italiano - (crédito: Elvis Barukcic/AFP)

A Itália tem um sentimento ambíguo tratando de decisões por pênaltis. Alegrias recentes, como o tetracampeonato mundial em 2006 e o bi da Euro em 2021, vieram na marca da cal. Em contrapartida, amargou eliminações em Copas do Mundo, como na semifinal de 1990 contra a Argentina, na final de 1994 diante do Brasil e nas quartas frente à França em 1998. Nesta terça-feira (31/3), carregou todos esses sentimentos para a marca da cal no último ato da repescagem por vaga no Mundial de 2026. O empate por 1 x 1 no tempo regulamentar com a Bósnia e Herzegovina no “inferno” de Zenica forçou a última instância da definição e impôs à Azzurra a derrota por 4 x 1 e a ausência na terceira Copa seguida e, pelo menos, mais 16 anos de ausência.

Será a terceira edição consecutiva de uma Copa do Mundo sem todos os campeões e a quinta do século. A última vez com Brasil, Alemanha, Itália, Argentina, França, Uruguai, Espanha e Inglaterra foi na edição de 2014, em território brasileiro. 

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A eliminação levanta questionamento sobre a sequência do técnico Gennaro Gattuso. Campeão pelo país em 2006, o atual dono da prancheta afirmou que sumiria do mapa caso a classificação não viesse. “Se não nos qualificarmos para a Copa do Mundo, vou me mudar e morar longe da Itália, muito longe", disparou em 2025. 

Desde a estreia em 5 de setembro de 2025, Gattuso tem seis vitórias e duas derrotas. Os tropeços foram contra a Bósnia e a Noruega, pela fase de grupos das Eliminatórias. São 23 gols marcados e 14 sofridos.

A segunda seleção mais vitoriosa da história da Copa do Mundo, ao lado da Alemanha, não participa do torneio Fifa desde a edição de 2014, no Brasil. Falhou em se classificar diante da Suécia (2018) e da Macedônia do Norte (2022). Portanto, havia um trauma para os italianos. Os abalos pareciam que seriam superados depois do alívio do 2 x 0 sobre a Irlanda do Norte cinco dias atrás, em Bérgamo. Nesta terça, apesar do clima hostil no acanhado Estádio Bilino Polje, a equipe treinada por Gennaro Gattuso indicou que poderia ter classificação menos dramática ao abrir o placar com Moise Kean, aos 15 minutos de jogo. 

Entretanto, as linhas altas e a sede por atacar no sistema 3-5-2 resultaram na escapada de Memic pela esquerda. Livre de marcação, o lateral-direito bósnio avançou de frente para o goleiro Donnarumma e precisou ser parado pelo zagueiro Bastoni. Como era o último homem, Memic provocou a expulsão do defensor italiano a sete minutos do fim do primeiro tempo. A intervenção acertada da arbitragem do francês Clément Turpin mudou o panorama favorável aos tetracampeões.

A Bósnia morou no ataque da Itália durante todo o segundo tempo e forçou a Itália a resgatar a solidez defensiva que a caracterizou no passado. Na etapa final, os bósnios trocaram 289 passes contra 93 dos visitantes e deram 12 chutes a gol contra quatro dos italianos. Donnarumma precisou fazer milagres com cinco defesas e forçar a prorrogação. 

A segurança passada por Donnarumma inspirou a Itália no primeiro ato da prorrogação. A seleção, acuada durante os 90 minutos mais acréscimos, teve chances claras para colocar o 2 x 1 no placar no tempo extra. Nos 15’ finais de bola rolando, a perna pesou para os bósnios e permitiu aos italianos se soltarem no ataque, mas insuficientemente para balançar as redes. Resultado: pênaltis. Tahirovic abriu a série com eficiência para os anfitriões. Pressionado, o centroavante Piu Esposito isolou. Na sequência, os bósnios não perderam nenhum e viram os italianos desperdiçarem, novamente, com Cristante.

A Bósnia assegurou vaga no Grupo B da Copa do Mundo de 2026. A estreia será contra um dos anfitriões, o Canadá, em 12 de junho, às 16h, em Toronto. Depois, enfrentará Suíça (18/6) e Catar (24/6).

Ficha técnica 

Bósnia e Herzegovina 1 (4) x (1) 1 Itália
Final da repescagem da Uefa (jogo único)

Local: Estádio Bilino Polje
Árbitro: Clément Turpin (França)

Escalações

Bósnia e Herzegovina — Vasilj; Dedic, Katic, Muharemovic e Kolasinac (Alajbegovic); Bajraktarevic, Basic (Tabakovic), Sunjic (Tahirovic) e Memic (Burnic); Demirovic (Hadziahmetovic) e Dzeko. Técnico Sergej Barbarez.
Cartões amarelos: Benjamin Tahirovic, Katic e Muharemovic
Gol: Tabakovic

Itália — Donnarumma; Mancini, Bastoni e Calafiori; Politano (Palestra), Barella (Frattesi), Locatelli (Cristante), Tonali e Dimarco (Spinazzola); Kean (Pio Esposito) e Retegui (Gatti). Técnico: Gennaro Gattuso
Cartões amarelos: Davide Frattesi, Donnaruma e Gattuso
Cartão vermelho: Alessandro Bastoni
Gol: Moise Kean

Pênaltis 

Bósnia
Marcaram: Tahirovic, Tabakovic, Alajbegovic e Bajraktarevic
Erraram: nenhum 

Itália
Marcaram: Sandro Tonali
Erraram: Pio Esposito e Cristante

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postado em 31/03/2026 18:44 / atualizado em 31/03/2026 19:33
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