Se considerarmos somente o Instagram, Neymar é seguido por mais de um Brasil. São 234 milhões de fãs na rede social. O camisa 10 do Santos está entre as 15 celebridades mais acompanhadas pelo público na plataforma. A audiência está longe de ser meramente ilustrativa. Impulsiona publicidades, fortalece o engajamento e, se necessário, compra a briga do craque. Há, inclusive, uma em curso. Fora da penúltima convocação da Seleção Brasileira antes da Copa do Mundo de 2026 no Canadá, no México e nos Estados Unidos, o craque ensaia uma jogada midiática turbinada por uma artilharia digital na tentativa de pressionar o técnico Carlo Ancelotti com a opinião da massa no ambiente virtual.
Uma das provas é o vídeo publicado, ontem, pelo próprio jogador no YouTube, intitulado "48 horas sem filtro", no qual mostrou como encara a rotina e tenta minimizar as críticas ao expor o esforço físico nas atividades. Em um dos trechos, copartilhou a reação à convocação de segunda-feira para os amistosos contra França e Croácia, em 26 e 31 de março. Ao não ser chamado, disparou: "Pô, Ancelotti… e eu?" Depois da decepção, foi protocolar: "Fico triste, óbvio, mas é isso. Estando lá ou não, sempre vou torcer pela Seleção. E está tudo certo. É seguir trabalhando e melhorando em tudo para que, se tiver uma oportunidade, esteja preparado", comentou.
Neymar discursa conformado, mas tem escalado alguns companheiros para protestar, como o agente israelense Pini Zahavi. "Tenho grande respeito pelo Ancelotti, mas também sei o quanto Neymar está trabalhando duro para ajudar o Brasil na Copa do Mundo. Acredito que Ancelotti não cometerá o erro de desistir do coração do Brasil", apelou ao jornalista italiano Fabrizio Romano.
Outro parça de Neymar, o ator Rafael Zulu fez uma analogia polêmica. "Carta Aberta ao Sr. Ancelloti: A Disney sem o Mickey não existe, hein!? Se orienta. Os amantes do futebol concordarão comigo", disparou. O cantor Léo Santana também não perdeu a oportunidade durante o Carnaval em Salvador. "Coloca o Neymar nessa Seleção Brasileira, pelo amor de Deus. Eu não podia perder essa", pediu pessoalmente a Ancelotti durante a festa na capital baiana.
O palanque dado a Neymar reflete uma mudança de comportamento de jogadores e pessoas do entorno. No passado, estrelas ou membros de estafe se manifestavam pela imprensa. Houve pressão por Romário na caça ao tetra em 1994. O técnico Carlos Alberto Parreira não queria o centroavante de jeito algum, mas cedeu no último jogo das Eliminatórias devido ao risco de ficar pela primeira vez fora de um Mundial.
Resultado: o Baixinho marcou os dois gols da vitória contra o Uruguai no Maracanã e assegurou a vaga do país. Quatro anos depois, foi cortado por Mário Jorge Lobo Zagallo devido a uma lesão, apesar da afirmação de que teria condições de jogo. Em 2002, perdeu a confiança de Luiz Felipe Scolari depois de pedir dispensa da Copa América para tratar problema nos olhos. Houve a expectativa até o anúncio da lista, mas Felipão não afrouxou.
O Brasil viverá o suspense até 19 de maio, quando Carlo Ancelotti anunciará os 26 nomes para a sexta tentativa de caça ao hexa. O italiano deixa claro não ter problemas com Neymar. Entende que o camisa 10 do país nas últimas três edições do torneio da Fifa é fora de série, mas presa por ter à disposição um jogador "inteiro" para os 48 dias de estadia na América do Norte e oito jogos, caso avance até a final em 19 de julho.
"É uma avaliação física, não técnica. Com a bola, ele está muito bem, mas precisa melhorar fisicamente. Opinião minha e de todos da comissão, que assistem aos jogos dele e de outros. O Neymar pode estar na Copa do Mundo", esclareceu Ancelotti.
Neymar tem mais 15 partidas oficiais pelo Santos, entre Série A, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana, até a convocação final. Porém, é pouco provável que o camisa 10 entre em campo em todas. Deve ser preservado, sobretudo, em partidas em gramados artificiais, como o do Allianz Parque no clássico contra o Palmeiras em 3 de maio. O recorde de exibições do jogador é de seis consecutivas, alcançado em agosto do ano passado.
Nesta quarta-feira (18/3), Neymar chegou ao terceiro gol nesta edição do Campeonato Brasileiro. Autor de dois contra o Vasco, converteu o pênalti que garantia o empate até os 50 minutos do segundo tempo. Depois de ser substituído, viu o time baixar as linhas e levar o 2 x 1, com Carbonero. O resultado culminou na demissão do técnico Juan Pablo Vojvoda e afeta diretamente o projeto do camisa 10 para possível ida à Copa. No domingo (22/3), o Peixe visita o Cruzeiro, às 16h, no Mineirão.
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