Entrevista

Presidente da CBV, Radamés Lattari vibra com Brasília capital do vôlei

Na semana de aniversário de 66 anos, capital federal começa a receber uma série de eventos da modalidade. De quarta-feira (22/4) até domingo (26/4), o circuito de praia desembarca na cidade, seguido da elite mundial da vertente e da Liga das Nações das quadras

Radamés Lattari enumerou qualidades de Brasília como sede de grandes eventos:
Radamés Lattari enumerou qualidades de Brasília como sede de grandes eventos: "Nós deveríamos dar um presente a Brasília, mas acho que é a cidade que está dando um presente ao vôlei" - (crédito: Dhavid Normando/CBV)

Na semana do aniversário de 66 anos, comemorado na terça-feira (21/4), Brasília ganhou um baita presente esportivo. Marcada por receber de coração aberto pessoas de todos os cantos do país, a cidade ganha o status de capital de uma das modalidades mais amadas pelos brasileiros. De quarta-feira (22/4) até domingo (26/4), com ingressos gratuitos, o Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia desembarca por aqui. Na sequência, entre 29 de abril e 3 de maio, a nata da vertente de areia do esporte esbanja talento no Circuito Mundial. Em junho, as seleções de quadra entram em cena nas etapas masculina e feminina da Liga das Nações (VNL).

A sequência de competições de grande porte se apresenta como um reconhecimento da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) durante as festividades de aniversário. Mas, em entrevista exclusiva ao Correio, o presidente Radamés Lattari garante: é a cidade quem está agraciando a entidade com acolhimento, carinho e, principalmente, capacidade de organização. No bate-papo, o dirigente de 68 anos enumera as qualidades e a expertise de Brasília para abrigar grandes disputas do calendário, além do potencial de crescer ainda mais no cenário nacional e mundial do vôlei.

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Com mandato efetivo à frente da entidade desde janeiro de 2025, Lattari detalhou avanços da gestão, prospectou a importância dos eventos deste ano no ciclo em direção aos Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028, explicou os avanços da reformulação estrutural da Superliga e a possibilidade de Brasília receber, futuramente, a decisão única da elite nacional das quadras. Tudo sob a ótica da expectativa das competições dos próximos meses. "Vamos tentar retribuir não só com resultados, mas com carinho, tentando aproximar o público cada vez mais dos atletas. Pedimos que todo mundo vá dar carinho, incentivo, para nossas equipes possam ter grandes participações."

Brasília vai receber uma sequência importante de eventos, tanto no vôlei de quadra quanto no de praia. O que pesou na escolha da cidade para esse momento?

Brasília, além de ser a capital oficial do país, vai se tornar por um período a capital do vôlei brasileiro e mundial. A cidade reúne uma combinação de fatores: estrutura logística, experiência na organização de eventos e localização central, facilitando o deslocamento de delegações e torcedores de todas as regiões. Há uma excelente rede hoteleira e demonstrou capacidade de organizar grandes eventos. Além disso, sempre contamos com uma grande colaboração do governo local e da secretaria de esportes. O Renato Junqueira, secretário, faz de tudo para colocar Brasília nas melhores condições para receber grandes eventos.

Essa sequência de eventos já aconteceu outras vezes em Brasília. O quanto esse histórico facilita o planejamento?

Facilita bastante. Há dois ou três anos, tivemos a Liga Mundial acoplada ao mundial de vôlei de praia. Tinha um apelo por parte do Renato Junqueira, o deputado federal Júlio César e o secretário Rodrigo Delmasso sempre pediram a volta desses eventos. Neste ano, conversamos com o governo do Rio. Eles fazem o Pré-olímpico, mas a VNL está na hora de voltar para Brasília para atendermos os fãs do Brasil inteiro. É uma cidade central, os fãs do Norte e do Nordeste se deslocam com facilidade. Além disso, o sucesso de público sempre existe. A torcida superlota até a parte de fora dos hotéis onde as delegações ficam hospedadas. É impressionante o carinho demonstrado pelos fãs com nossas seleções e os atletas do vôlei de praia.

Como a CBV mede o sucesso de uma operação desse porte? O que pesa mais: público, audiência ou retorno esportivo?

É a soma de tudo isso. Primeiro, há a participação do governo local. Segundo, o público que comparece. Terceiro, o fácil acesso para torcedores de todo o país. Quarto, as delegações elogiam bastante a hospedagem e o deslocamento rápido. Para jogadores que viajam o mundo inteiro, a facilidade de Brasília faz com que tenham um ganho nas recuperações após as partidas. A televisão elogia o retorno que existe. O somatório de todos esses fatores faz com que a gente fique muito satisfeito em realizar eventos em Brasília. Trabalhei em Brasília, sou apaixonado e acho que é um dos locais onde melhor tem instalações esportivas para receber qualquer modalidade esportiva.

A sua ligação com Brasília é antiga. O que representa ver a cidade nesse protagonismo atual no vôlei?

Fico super feliz. No ano em que estive treinando a equipe masculina da AABB, fizemos uma campanha espetacular e fui cercado de muito carinho. Ali eu fiquei apaixonado pela cidade, porque os deslocamentos são muito fáceis e as instalações esportivas são inúmeras. Eu sou daqueles que pensam que os patrocinadores locais deveriam investir mais, porque é uma cidade que tem condições de ter grandes times em diversas modalidades. Não digo só do vôlei. Brasília tinha tudo para ser também a nossa capital esportiva, porque poucas cidades têm tantos ginásios. Quando você vai para a região dos lagos, fica impressionado. É um clube atrás do outro, todos muito bem equipados, com excelentes ginásios. Brasília reúne condições para ser um grande destaque no esporte nacional.

Organizar eventos em sequência, com estruturas diferentes, como areia e quadra, gera desafios. O que mais pesa nesse processo?

A dor de cabeça é mais no início, quando se faz a montagem do projeto e fica naquela ansiedade de começar a construção no Parque da Cidade ou a montagem da quadra no Nilson Nelson. Mas a experiência que a CBV tem de organizar esses eventos, junto com o desejo da cidade de Brasília de receber, faz com que isso seja muito mais uma ansiedade do que uma dor de cabeça. O somatório da logística, da experiência da CBV e do desejo da cidade é um casamento perfeito.

Esses eventos marcam simbolicamente a metade do ciclo até os Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028. Como está o planejamento das seleções e qual é o papel desses eventos nesse processo?

Nós temos que relembrar, antes de tudo, que uma das principais razões de estarmos olhando para Brasília também é uma forma de homenagear o Banco do Brasil, que há 35 anos é patrocinador do vôlei de praia. É um recorde. Nenhum patrocinador está há tanto tempo com a mesma modalidade. Nos orgulhamos muito. Eles são muito mais que patrocinadores, são parceiros da CBV. Isso faz com que tenhamos a responsabilidade de tratar esses eventos como preparativos para nossas equipes. Nesse ano, ainda temos Pre-Olímpico na quadra e na praia. As participações em Brasília são de fundamental importância para nossas equipes adquirirem experiência e condições de tentar conquistar uma vaga. Com dois anos de antecedência, daria tranquilidade para fazer o restante do ciclo. Brasília é, sem dúvida, um divisor de águas na nossa preparação para esse ciclo.

Presidente efetivo da CBV desde 2015, Radamés Lattari destacou "transparência e credibilidade" da gestão liderada por ele
Presidente efetivo da CBV desde 2015, Radamés Lattari destacou "transparência e credibilidade" da gestão liderada por ele (foto: Dhavid Normando/CBV)

Brasília está na rota para receber uma final única da Superliga?

É uma guerra. Brasília é sempre uma sede que está nos nossos pensamentos. Uma final de Superliga precisa ser em um ginásio com grande capacidade de público. Temos o Maracanãzinho, o Ibirapuera, o Mineirinho, a Arena BRB, no Amazonas, no Pará. Em termos de televisão e retorno de mídia, a gente acaba concentrando mais em Rio, São Paulo, Minas Gerais e Brasília. Então, Brasília está sempre entre as quatro candidatas. A gente espera, em breve, poder trazer novamente as finais da Superliga para a cidade. Se for um grande evento mais uma vez na Liga das Nações, quem sabe o pessoal não tome o gosto de nos propor as finais do próximo ano no DF. Esse ano será em São Paulo.

Em qual estágio estão as discussões sobre mudanças na organização da Superliga?

A gente criou uma comissão junto com os clubes, presidida pelo Minas Tênis Clube. Os clubes vêm tendo reuniões frequentes com a CBV, e a CBV também tem conversado com investidores interessados em serem sócios da Superliga. Temos que criar um modelo de negócios e é isso que está em discussão. Existem dois ou três modelos na cabeça de todos. Atualmente, o dever de casa está com os clubes, que levaram essas possibilidades para estudarem e depois trazerem uma proposta para a CBV. Ao mesmo tempo, seguimos conversando com investidores. A ideia é, ainda neste ano, ter um modelo diferente de negócio na Superliga. Preferimos ser mais lentos para acertar do que ser veloz e errar. Queremos crescer juntos com os clubes e os investidores. Em breve, teremos grandes notícias para a nossa tão sonhada liga.

Que legado essa sequência de eventos pode deixar para Brasília?

Não tenho a menor dúvida de que todo grande evento causa impacto na cidade. Lembro que, há três anos, quando realizamos a VNL, na semana seguinte vários clubes registraram aumento no número de alunos nas escolinhas. Também cresce o interesse de patrocinadores em estar junto de equipes. Além disso, aumenta o interesse do público em assistir às partidas das equipes masculina e feminina. Quem sabe quando o time masculino alcançar o objetivo de estar na Superliga A, isso se torne cada vez mais forte a partir do momento que o público se interesse mais por assistir e participar dos jogos da equipe.

Após pouco mais de um ano à frente da CBV, qual balanço faz da gestão?

Tivemos uma assembleia recentemente e as contas da CBV foram aprovadas por unanimidade, o que demonstra transparência e credibilidade. Isso é tudo nos dias de hoje. A gente cresceu na organização da Superliga, passou a investir muito mais nas categorias de base e temos uma sede na França para que nossas equipes de praia e de quadra possam ter um intercâmbio maior, principalmente com os times europeus. É um caminho que ninguém mais pode fazer nada sem uma gestão com ética, transparência e sustentabilidade. Temos ações contra a homofobia e qualquer tipo de preconceito. Batemos recorde no número de eventos de vôlei de praia, mais do que qualquer país do mundo. O Brasil realiza seis a nível mundial. A China fez dois. Isso fez com que nossos atletas pontuem mais no ranking sem ter tantas despesas. Em vez de ir ao exterior, trazer as competições para cá aumenta o número de duplas participando. Estamos fazendo de tudo para popularizar o vôlei dentro de uma gestão marcada por ética, transparência e estamos obtendo resultados.

Qual convite faz ao público?

A gente pede para que o público compareça em grande número, tanto para prestigiar as seleções de quadra quanto as de praia. Vamos tentar retribuir não só com resultados, mas com carinho, tentando aproximar o público cada vez mais dos atletas. Pedimos que todo mundo vá dar carinho, incentivo, para nossas equipes possam ter grandes participações.

Na semana do aniversário da cidade, esses eventos são um presente para Brasília?

Nós deveríamos dar um presente a Brasília, mas acho que é a cidade que está dando um presente ao vôlei ao nos acolher e nos receber. Vamos tentar retribuir esse abraço através de carinho, resultado e organização nesses eventos.

Agenda do vôlei no DF

4ª etapa do Circuito Brasileiro
De quarta-feira (22/4) até domingo (26/4), no Parque da Cidade
Ingressos: gratuitos com resgate na plataforma Sympla

2ª etapa do Brasileiro Sub-21
De 26 a 28 de abril, no Parque da Cidade

Etapa Elite do Circuito Mundial
De 29 de abril a 3 de maio, no Parque da Cidade

Liga das Nações de Vôlei (VNL)
Etapa feminina: de 3 a 7 de junho, no Nilson Nelson
Etapa masculina: 10 a 14 de junho, no Nilson Nelson

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DQ
postado em 22/04/2026 08:00
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