COPA DO MUNDO

Mundo se aproxima da primeira Copa em duas décadas sem Neuer

Presente nas últimas quatro edições e campeão em 2014 com a Alemanha, o paredão deixa como legado o modelo que redefiniu a posição

Em ótima fase, Neuer foi decisivo para o Bayern nas quartas de final da Champions League contra o Real Madrid -  (crédito: Oscar Del Pozo/AFP)
Em ótima fase, Neuer foi decisivo para o Bayern nas quartas de final da Champions League contra o Real Madrid - (crédito: Oscar Del Pozo/AFP)

O goleiro moderno, como conhecemos hoje, não nasceu com Manuel Neuer, mas foi com ele que a exceção passou a ser regra. A trajetória do alemão ajuda a explicar como o posicionamento adiantado, a participação ativa na saída de bola, a leitura refinada de jogo e as defesas no estilo handebol redefiniram a função.

O comportamento como jogador de linha debaixo das traves ajudou a levar a Alemanha aos principais sucessos recentes, como o tetra da Copa do Mundo de 2014 e os títulos da Liga dos Campeões de 2013 e 2020 pelo Bayern de Munique. Aos 40 anos, segue em alto nível, com o clube bávaro competitivo na Europa e dominante na Bundesliga, mas convencido a não defender a Mannschaft na caça ao penta no Canadá, no México e nos EUA. 

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O goleiro-líbero, caracterizado pelas saídas ousadas e até com a cabeça, estreou pelo time adulto da Alemanha em 1º de junho de 2009 e anunciou a aposentadoria da equipe nacional em agosto de 2024. Foram 15 anos de serviços prestados, a maior parte como titular absoluto, sob o comando de quatro treinadores — Joachim Löw, Hansi Flick, Rudi Völler (interino) e Julian Nagelsmann.

Disputou quatro Copas do Mundo: estreou na África do Sul, em 2010, e foi peça central na conquista do tetra, em 2014, no Brasil. O ciclo, no entanto, terminou em baixa. As eliminações na fase de grupos em 2018 — lanterna em chave com Suécia, México e Coreia do Sul — e em 2022 — terceira com concorrência de Espanha, Costa Rica e Japão — esfriaram a relação com a seleção. A despedida veio na Euro-2024, encerrada nas quartas de final, diante da Espanha.

"Sinto-me muito bem fisicamente e, com certeza, a Copa de 2026 me atrairia bastante. Ao mesmo tempo, estou convencido de que agora é exatamente a hora de dar esse passo e me concentrar totalmente no Bayern", justificou Manuel Neuer em 2024. A decisão abre uma nova disputa no gol alemão em meio a uma instabilidade.

Dos 38 jogos da seleção após a campanha no Mundial do Catar, sofreu 47 gols em 27 partidas. O nome mais experiente é Oliver Baumann, que pode chegar ao torneio Fifa aos 35 anos. Em um cenário ideal, o titular seria Marc-André ter Stegen, mas o goleiro do Barcelona emprestado ao Girona convive com uma sequência de lesões. Mais jovem, Alexander Nübel surge, aos 28, como opção para os próximos ciclos.

Nada impede que Manuel Neuer mude de ideia. A temporada 2025/2026 pelo Bayern de Munique recoloca o goleiro entre os protagonistas do futebol europeu. O alemão foi decisivo na campanha que levou o clube à semifinal da Liga dos Campeões contra o Paris Saint-Germain, além de participar da conquista antecipada da Bundesliga. Na Copa da Alemanha, cruzará justamente com o Stuttgart, defendido por Alexander Nübel. Uma decisão que simboliza a transição no gol da seleção tetra mundial.

A ideia de um goleiro mais participativo não nasceu com Manuel Neuer. Antes dele, nomes como René Higuita, Jorge Campos e Óscar Pérez inovaram com estilos menos convencionais, com saídas ousadas, bom uso dos pés e presença além da área. Eram, porém, exceções marcadas pela individualidade e pelo risco. Com o alemão, o comportamento deixou de ser traço de estilo e passou a integrar a lógica tática do jogo.

A próxima Copa do Mundo reúne uma geração de goleiros tecnicamente completos. O Brasil coloca Alisson e Ederson à disposição do técnico Carlo Ancelotti. A Bélgica tem ninguém menos do que Thibaut Courtois. Emiliano Martínez é intocável na atual campeã, a Argentina. Jordan Pickford caminha para a terceira edição seguida debaixo das traves da Inglaterra. Unai Simón é a proteção à Espanha. 

Enquanto a confirmação da ausência de Neuer na Copa não vem, está certo que o goleiro mais valorizado do planeta bola não estará na disputa. Avaliado em 45 milhões de euros (aproximadamente R$ 264 milhões na cotação atual) pela plataforma Transfermarkt, Gianluigi Donnaruma ficará de fora da festa pela terceira vez após a queda da Itália na repescagem europeia diante da Bósnia e Herzegovina. Titular do Manchester City e campeão da Eurocopa em 2021 pela Azzurra, o arqueiro de 27 anos expõe como o desempenho individual nem sempre é suficiente. A idade, porém, o permite sonhar com participação em, pelo menos, nas próximas duas edições. 

A 44 dias do pontapé inicial da Copa, o futebol mundial entra em contagem regressiva para um torneio sem Manuel Neuer. O padrão consolidado por ele segue, mas a referência, não.

 


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postado em 28/04/2026 06:00
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