
Fernando Diniz se consolidou por um jogo autoral: saída de bola de pé em pé, participação ativa do goleiro, aproximações, triangulações e circulação de jogadores até encontrar espaços. Isso tudo sem medo de correr riscos. No Corinthians, porém, há sinais de mudança. O “Dinizismo” parece mais convertido ao corintianismo do que o contrário após seis jogos. Diferentemente do início de outros trabalhos, o time do ex-meia ainda não sofreu gols, nem mesmo em partidas com expulsões, como no empate contra o Palmeiras e vitória sobre o Vasco. Hoje, às 21h, pode fechar o primeiro turno da Libertadores, contra o Peñarol, na Neo Química Arena, com 100% de aproveitamento.
O Corinthians venceu os dois primeiros compromissos no principal torneio da América do Sul. Goleou o Platense por 4 x 0, na Argentina, e fez o dever de casa em Itaquera com o 2 x 0 sobre o Independiente Santa Fe. Mesmo sem Memphis Depay, o ataque tem funcionado, mas a defesa virou a principal virtude de Diniz neste início de trabalho.
Nesta edição da Libertadores, apenas Corinthians e Rosario Central ainda não sofreram gols. Os argentinos, liderados pelo craque Ángel Di María, fecharam o primeiro turno com duas vitórias e um empate, na liderança do Grupo H, com sete pontos e a mesma solidez defensiva que o time paulista tenta preservar. A diferença é que o alvinegro pode chegar a nove somados e encaminhar a classificação.
A versão corintiana de Fernando Diniz contrasta com as apresentadas em trabalhos recentes. No Fluminense campeão da Libertadores de 2023, a equipe havia sido vazada duas vezes nesta altura da fase de grupos — diante de River Plate e Sporting Cristal. Em outras passagens, o cenário foi ainda mais exposto. Nos primeiros seis jogos pelo Vasco da Gama, foram sete tentos sofridos; no Cruzeiro, oito. À frente da Seleção Brasileira no início do ciclo para a Copa de 2026, acumulou outras sete vezes frustrações defensivas.
"Foi uma coisa que eu sempre quis e acho que fui melhorando muito em relação a esse aspecto na minha carreira inteira. Os 11 que estão em campo precisam ajudar a defender. Então, não é a linha de trás. Eu acho que é a conscientização dos jogadores, a fome que eles estão tendo para fazer aquilo que eu posso entregar para eles", analisou após a vitória sobre o Vasco.
O Peñarol é o maior desafio para o Corinthians nesta fase de grupos. Embora tenha marcado apenas dois gols na competição, o time uruguaio apresenta um perfil ofensivo com o técnico Diego Aguirre, aquele ex-Internacional, Atlético-MG, São Paulo e Santos. O clube pentacampeão da Libertadores é o mais driblador do torneio até aqui, com média de 12 certos por jogo. Também há outra virtude: o jogo direto, sustentado por bolas longas e intensidade nas disputas.
No meio-campo, Leonardo Fernández concentra a criação e figura entre os principais finalizadores, com média de quatro chutes por jogo, além de ser um dos mais precisos nos lançamentos ao lado do zagueiro Mauricio Lemos. Um estilo que, mesmo com baixa conversão até aqui, tende a exigir mais da defesa corintiana.
Se a defesa sustenta o momento, a criação passa pelos pés de Rodrigo Garro. O meia é o principal articulador do Corinthians e lidera a equipe em assistências na competição, com três passes decisivos. Cabe a ele acelerar o jogo, encontrar espaços e transformar controle em vantagem no placar.
O protagonismo do camisa 8, ampliado na ausência de Memphis Depay, também passa pela influência de Fernando Diniz. O treinador tem histórico de potencializar meias criativos: recuperou Paulo Henrique Ganso no Fluminense, elevou o nível de Raphael Veiga no Athletico-PR, devolveu protagonismo a Philippe Coutinho no Vasco da Gama e apostou em Matheus Pereira no Cruzeiro.
Embora Memphis tenha treinado, o holandês segue fora da relação. O esquema 4-3-1-2 deve ter Kauê; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Breno Bidon, Allan e André; Rodrigo Garro; Yuri Alberto e Vitinho. A ESPN e o streaming Disney+ transmitem.
Ficha técnica
Corinthians x Penãrol
Libertadores, fase grupos (3ª rodada)
Prováveis escalações
Corinthians — Kauê; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Breno Bidon, Allan e André; Rodrigo Garro; Yuri Alberto e Vitinho. Técnico: Fernando Diniz
Peñarol — Britos; Matías González, Mauricio Lemos, Lucas Ferreira e Maximiliano Olivera; Jesús Trindade; Luis Miguel Angulo, Nicolás Fernández, Eric Remedi e Eduardo Darias; Matías Arezo. Técnico: Diego Aguirre
Data: Quinta-feira (30/4)
Horário: 21h (de Brasília)
Local: Neo Química Arena, São Paulo (SP)
Arbitragem: Cristian Garat (Chile)
Transmissão: ESPN e Disney+ (streaming)

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