O brilho do relâmpago jamaicano Usain Bolt, dono de oito ouros olímpicos e de três recordes mundiais, ajudou a consolidar o atletismo como vitrine global. Empresas do setor esportivo entenderam o valor de estampar e calçar atletas fora de série. Na marcha atlética, esse movimento ganha cada vez mais espaço. No Mundial por equipes, no domingo, na Esplanada dos Ministérios, a manhã de quatro provas terá uma corrida paralela: a guerra de marcas que, com tecnologia de ponta, promete fazer a elite "pisar fofo" rumo ao pódio em Brasília.
Na marcha atlética, o uniforme é padronizado de acordo com cada confederação, mas os calçados seguem outra lógica. Como em outras provas do atletismo e no futebol, os atletas têm liberdade para escolher o que usar. É aí que se revela a disputa paralela entre marcas e estratégias de mercado.
Medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Paris-2024, Caio Bonfim passou a integrar o time de atletas da Puma e se tornou um dos embaixadores da marca após conquistar a primeira medalha olímpica da marcha para o Brasil.
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A parceria vai além das pistas: em uma das ações recentes, colocou jogadores do RB Leipzig para experimentar a marcha atlética durante a passagem do clube por São Paulo. Nos pés, utiliza modelos da linha Deviate Nitro Elite, com placa de carbono e espuma de alta responsividade — tecnologia que virou padrão entre os principais nomes da modalidade. No mercado, o modelo aparece a partir de R$ 1.200.
Caio também destaca o peso do material esportivo na rotina de alto rendimento. Segundo ele, a tecnologia se tornou decisiva no desempenho. O marchador percorre cerca de 25km por dia e chega a gastar dois pares por mês. "O tênis combinou, deu liga", afirmou ao comentar a adaptação aos modelos da Puma.
Entre os favoritos, há uma coincidência que revela tendências do mercado. O japonês Toshikazu Yamanishi e o canadense Evan Dunfee competem com modelos da linha FuelCell SuperComp Elite, da New Balance. Equipados com placa de carbono e espuma de alto retorno de energia, seguem o padrão dominante da elite e podem ultrapassar a faixa dos R$ 2 mil. Curiosamente, as escolhas individuais nem sempre acompanham as marcas mais associadas às seleções.
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Dentro da própria equipe japonesa, a diversidade reforça essa lógica. Enquanto Yamanishi aposta na New Balance, Hayato Katsuki compete com modelos da Mizuno, uma das marcas mais tradicionais do país. Às vésperas da prova, o japonês chegou a amaciar o calçado em sessões específicas de treino, evidenciando a importância da adaptação ao equipamento. A fornecedora da confederação é a Asics, também presente nos pés do sueco Perseus Karlström.
Karlström aposta na linha Metaspeed. A marca japonesa tem forte presença em provas de fundo e resistência, com modelos que utilizam placa de carbono e espuma FF Turbo — material leve e responsivo que devolve energia e ajuda a manter o ritmo. Seguindo o padrão dos chamados "super shoes", os modelos também custam acima de R$ 2 mil.
O italiano Massimo Stano representa um ponto fora da curva. Campeão olímpico dos 20km em Tóquio-2020, ele compete com modelos da linha Equipe Atomo, da Diadora. Diferentemente dos demais, o calçado não tem a mesma ênfase em placa de carbono e prioriza a leveza. No mercado, aparece na faixa de R$ 1 mil.
No feminino, a Adidas ganha protagonismo. Entre as principais inscritas, a peruana Kimberly García, bicampeã mundial em 2022, iniciou a temporada em alta ao estabelecer a melhor marca pessoal, 1h34min17s, na Dudinská 50. Nos pés, utiliza modelos da linha Adizero Adios Pro, com placas de carbono e espuma Lightstrike Pro, que contribuem para o retorno de energia e ajudam a sustentar o ritmo ao longo da prova.
A equatoriana Paula Torres reforça a presença da Adidas entre as principais do pelotão feminino. A atleta compete com modelos da mesma linha e terá na tecnologia uma aliada para encarar, em Brasília, os mais de 42km da maratona.
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