Futebol

Carlo Ancelotti marca a "era da versatilidade" da Seleção

Do poder a Casemiro à transformação de Bruno Guimarães e de Danilo em falsos "camisas 10" na era Carlo Ancelotti. No quarto balanço do ciclo do Brasil, o Correio mostra como a modernidade da posição extingue os cabeças de bagre

Ancelotti Campinho VOLANTES -  (crédito: Valdo Virgo)
Ancelotti Campinho VOLANTES - (crédito: Valdo Virgo)

O Brasil reverencia camisas 10, idolatra noves, não é tão obcecado por cincos, mas curte um ou dois volantes à frente da defesa. Geralmente um marcador e outro contrutor. Zito e Didi formaram um par pefeito em 1958 e em 1962. Clodoaldo e Gerson encantaram o mundo da bola no tri em 1970. Mauro Silva e Dunga se completavam no tetra em 1994. Gilberto Silva ganhou a companhia de Kleberson em 2022. Na caminhada para a a Copa de 2026, o Brasil andou em círculo. Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior arriscaram tirar Casemiro de cena, mas Carlo Ancelotti deu todo o poder ao dono da camisa 5.

Aos 34 anos, Carlos Henrique Casimiro, paulista de São José do Campos, pode igular um feito do capitão do tetra. Dunga disputou três mundiais consecutivos como titular: 1990, 1994 e 1998. Virou símbolo de fracasso e de conquista. Era acusado de não ter parado Diego Armando Maradona no contra-ataque da Argentina antes do passe para Caniggia eliminar o Brasil nas oitavas de final. Esquecido pela Seleção na era Paulo Roberto Falcão em 1991, só voltou a vestir a Amarelinha quando Carlos Alberto Parreira assumiu o cargo.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Qualquer semelhança com o processo de retomada de Casemiro na Seleção Brasileira é mera coincidência. Casemiro é acusado de não dar o bote em Modric no contra-ataque do gol de empate da Croácia contra o Brasil por 1 x 1. Amarelado naquele jogo, o volante evitou ficar fora da possível semifinal contra a Argentina. Fernando Diniz Ramon Menezes e Fernando Diniz deram de ombros para as críticas da torcida. Dorival Júnior, não. O antecessor de Carlo Ancelotti abriu mão da experiência nos 16 jogos no cargo e pagou caro ao perder o emprego.

Carlo Ancelotti "repatriou" Casemiro na primeira convocação para as partidas contra o Equador e o Paraguai e deixou claro quem seria a trinca da defesa. "Não há um jogador brasileiro que tenha a mesma característica do Casemiro, mas há alguns que podem jogar nessa posição, com características diferentes, como Andrey Santos, como pode ser o Bruno (Guimarães), e eu acho também que, com características diferentes, porque não estou louco, Lucas Paquetá também pode jogar (nessa função), porque tem habilidade e características técnicas para pegar a bola muito bem desde trás", analisou.

Casemiro formou trio de volantes com Bruno Guimarães e Gerson na estreia de Ancelotti. Na partida seguinte, o italiano apostou no 4-2-4 com Casemiro e Bruno Guimarães. "A nível pessoal, para mim, é um jogador muito importante para a equipe nacional. Um jogador completo, que pode jogar em diferentes posições", elogiou o treinador referindo-se a Bruno Guimarães. Cada vez mais empoderado, Casemiro elegeu o substituto imediato. Convenceu Ancelotti a convocar Fabinho. "Quero um perfil que se encaixe. Ele tem estrutura, conhecimento da posição e experiência", disse Ancelotti.

A posição de volante é uma das poucas nas quais a lógica do ciclo prevalece. Levantamento do Correio mostra que foram usados 11 volantes diferentes nos 35 jogos do Brasil no ciclo: André, Andrey Santos, Bruno Guimarães, Casemiro

Danilo Santos, Douglas Luiz, Éderson, Fabinho, João Gomes, Joelinton e Pablo Maia. Alguns meias foram adaptados a essa função, como os versáteis meias Gerson e Lucas Paquetá.

Gerson, o Canhotinha de Ouro, é um dos críticos do ciclo dos volantes. A decepção do par de Clodoaldo na conquista do tricampeonato em 1970 diz respeito à falta de sequência na posição.

"Há muita troca. O Lucas Paquetá foi cabeça de área, segundo e terceiro homem. Gerson, para mim, poderia ser o armador, mas não se resolve. Até hoje não temos o meio de campo definido. Ele (Carlo Ancelotti) está colocando os mais antigos. Alguns estariam até fora se fosse outro treinador. O Casemiro é o homem de confiança dele. Bruno Guimarães… São bons jogadores atuando em times de alto nível. É válido. Vamos ver na hora da Copa", disse em fevereiro ao Correio na homenagem da reportagem aos 85 anos do craque.

A reta final do ciclo teve um sprint do volante Danilo. Ex-jogador de Davide Ancelotti no Botafogo na temporada passada, ele foi chamado por Carletto e ganhou o status de titular. Fez par com Casemiro nos amistosos contra a França e a Croácia, balançou a rede e faz uma temporada excepcional com a camisa do Glorioso. Na carência de meias à moda antiga, há quem defenda um trio de volantes com qualidade no passe formado por Casemiro, Bruno Guimarães e Danilo.

"Eu me sinto a vontade para jogar mais para frente. Nas três posições do meio, estou confiante. Casemiro é referência. Desde a primeira convocação, já falava comigo, dava uns toques. Agora estou podendo aprender mais com ele, de movimentação, passe para a frente. Estou muito feliz de trabalhar com ele de novo", disse em entrevista ao site da CBF em março.

 


  • Google Discover Icon
MP
postado em 15/05/2026 05:16
x