Ainda há quem dê de ombros para o futebol olímpico e trate o torneio como competição secundária, perdida entre Copa do Mundo, Copa América e Eurocopa. Lógica que não faz sentido, como mostram Espanha, França e Brasil. O trio de oito títulos mundiais desembarcará para as disputas na América do Norte sustentado por jogadores que passaram pela lapidação e amadureceram em finais de Olimpíadas recentes e transformaram os Jogos em etapa importante da formação das principais potências do planeta bola.
A Espanha é o melhor retrato do reaproveitamento de talentos. Vice-campeã em Tóquio-2020 contra o Brasil e ouro em Paris-2024 contra a França, construiu nos Jogos a base que sustenta a seleção principal. Da campanha no Japão, há titulares hoje, como o goleiro Unai Simón, o lateral Cucurella, os meias Pedri, Dani Olmo, Zubimendi, Merino e Oyarzabal, além de Carlos Soler.
O caminho também funcionou para o treinador. Dono da prancheta de La Roja naquela Olimpíada, Luis De La Fuente foi promovido à equipe principal após a demissão de Luis Enrique. O ouro na capital francesa consolidou e acelerou as oportunidades para o zagueiro Pau Cubarsí, o ponta-esquerda Alex Baena e o Fermín López.
A França tem brincado de produzir talentos e competir em alto nível. Chegou às duas últimas finais de Copa do Mundo, disputou a decisão olímpica em Paris-2024, colocou o Paris Saint-Germain nas duas disputas recentes pelo troféu da Champions League e segue sustentada por uma das maiores reservas técnicas do planeta bola, pois nem só de Mbappé vive a companhia orquestrada por Didier Deschamps.
Um dos craques do avassalador Bayern de Munique, Michael Olise tinha 21 anos quando foi o garçom do torneio, com cinco assistências, e turbinou a geração de prata comandada pelo ex-centroavante Thierry Henry. Olise chegará à Copa como sétimo boleiro mais valioso, estimado em 140 milhões de euros.
A Olimpíada também foi trampolim para Rayan Cherki. O meia ambidestro esbanjou talento a ponto de ser contratado pelo Manchester City de Pep Guardiola. Désiré Doué também desabrochou durante os Jogos e foi recompensado com a primeira convocação para a seleção principal em março de 2025. Completa a lista o ponta veloz e com alta capacidade de drible, Maghnes Aklio, do Monaco.
O Brasil de Carlo Ancelotti ainda mantém elos com os ouros conquistados na Rio-2016 e em Tóquio-2020. Atual capitão da Seleção, Marquinhos formava dupla de zaga com Rodrigo Caio na decisão tensa vencida nos pênaltis contra a Alemanha, no Maracanã.
Maior incógnita da lista de 26 nomes do treinador italiano, Neymar foi o rosto do título inédito e segue como símbolo daquele ciclo. Gabriel Jesus, que dificilmente receberá nova oportunidade em Copa do Mundo, também fazia parte da campanha.
Intocável no meio-campo ao lado de Casemiro, Bruno Guimarães nunca mais saiu do radar da Seleção após a medalha conquistada no Japão. Artilheiro em Tóquio com cinco gols, Richarlison ainda pode aparecer na nova caça ao hexa impulsionado pela confiança de Ancelotti. Matheus Cunha chega praticamente consolidado no grupo após transformar a experiência olímpica em etapa importante da maturação na equipe principal.
A relação entre Jogos Olímpicos e Copas do Mundo já havia dado sinais fortes em Pequim-2008. Campeã naquela edição, a Argentina utilizou o torneio como etapa importante de amadurecimento para Lionel Messi e Ángel Di María, finalistas em 2014 no Brasil e recompensados pela insistência no Catar em 2022.
Anfitrião desta Copa do Mundo ao lado de Canadá e Estados Unidos, o México alcançou o topo olímpico em Londres-2012. Quatorze anos depois de derrotar o Brasil de Neymar, Hulk, Oscar e Alexandre Pato na decisão, um personagem daquele ouro segue resistente ao tempo. Aos 35 anos, Raúl Jiménez caminha para disputar a quarta Copa da carreira e ainda alimenta a possibilidade de se tornar o maior artilheiro da história da seleção mexicana. São 44 gols desde a estreia pela equipe principal, em 2013 — oito a menos do que Javier "Chicharito" Hernández.
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