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Ex-técnico da Coreia do Sul sofre ameaça de morte após eliminação

Após cair na fase de grupos, Hong Myung-bo renunciou, virou alvo de torcedores e até do governo sul-coreano

Cerca de 160 agentes mobilizados pela polícia sul-coreana acompanharam o desembarque do ex-técnico Hong Myung-bo no Aeroporto de Incheon -  (crédito:  AFP)
Cerca de 160 agentes mobilizados pela polícia sul-coreana acompanharam o desembarque do ex-técnico Hong Myung-bo no Aeroporto de Incheon - (crédito: AFP)

O ex-técnico da seleção da Coreia do Sul, Hong Myung-bo, passou a ser alvo de ameaças de morte após a eliminação da equipe na Copa do Mundo de 2026. Mensagens publicadas em fóruns online levaram as autoridades sul-coreanas a reforçar a segurança durante o retorno do treinador ao país, em meio à crescente revolta de parte da torcida com a campanha no torneio.

Segundo o jornal sul-coreano The Korea Herald, uma das publicações afirmava: "Irei ao Aeroporto de Incheon no dia em que Hong retornar e o matarei". A mensagem foi considerada uma ameaça concreta pelas autoridades, que mobilizaram cerca de 160 de agentes de segurança para acompanhar a chegada de Hong, na terça-feira (30/6), ao Aeroporto Internacional de Incheon. O desembarque ocorreu dias após o treinador anunciar sua renúncia ao comando da seleção.

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A recepção no Aeroporto Internacional de Incheon foi marcada por manifestações de descontentamento de parte dos torcedores. Hong Myung-bo foi recebido sob escolta policial em meio a vaias, enquanto alguns fãs exibiam cartazes com mensagens como "Devolva o dinheiro e dê o fora!", direcionadas ao ex-treinador. 

 

Torcedores coreanos protestam contra ex-técnico durante sua chegada ao país
Torcedores coreanos protestam contra ex-técnico durante sua chegada ao país (foto: JADE GAO/AFP)

Saída após campanha decepcionante 

Hong deixou o cargo de técnico dos "diabos vermelhos", apelido nacional do time, no último domingo (28/6), um dia depois da confirmação da eliminação sul-coreana ainda na fase de grupos. Em pronunciamento, pediu desculpas aos torcedores pelo desempenho da equipe.

Segundo o jornalista Tomás Hill López-Menchero, do New York Times, o treinador afirmou que sempre procurou tomar decisões pensando no que considerava melhor para o futebol sul-coreano, embora reconhecesse que nem todas tenham produzido os resultados esperados.

A Coreia do Sul estreou com vitória por 2 a 1 sobre a Tchéquia, mas foi derrotada por Méxica e África do Sul, ambos por 1 a 0, encerando a partipação no Mundial antes do mata-mata. Ainda de acordo com López-Menchero, a derrota para a os sul-africanos foi encerrada como o principal símbolo de fracasso da campanha.

A decisão de deixar o capitão Son Heung-min no banco de reservas durante o primeiro também também foi alvo de fortes críticas da imprensa e dos torcedores. 

Hong retornou ao lado de oito jogadores da seleção, entre eles:

  • Hwang Hee-chan, do Wolverhampton;
  • Kim Min-jae, do Bayern de Munique;
  • Lee Kang-in, do Paris Saint-Germain.

Son Heung-min, atualmente no Los Angeles FC, desembarcou separadamente no dia seguinte, conforme informou a Associação Coreana de Futebol (KFA).

Críticas chegaram ao governo 

A repercussão da eliminação ultrapassou o ambiente esportivo e alcançou o cenário  político. O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, criticou publicamente o desempenho da equipe e classificou Hong como "incompetente".

"Eu sinto não apenas confusão, mas também perplexidade com esse resultado inesperado [...] Se se seleciona uma pessoa incompetente como comandante, o resultado é óbvio", escreveu.

Conforme o NYT, o presidente também pediu uma investigação sobre a campanha do time coreano e questionou a condução da Associação Coreana de Futebol (KFA). Em resposta, O Ministério da Cultura, Esportes e Turismo anunciou uma auditoria especial para apurar as circunstâncias da eliminação e avaliar a atuação da entidade. 

Contratação já era alvo de contestação 

As críticas a Hong Myung-bo já vinham de antes da Copa do Mundo. Em abril, um tribunal de Seul concluiu que sua nomeação para o comando da seleção ocorreu com falhas no processo administrativo, decisão que intensificou os questionamentos sobre a gestão da KFA.

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postado em 02/07/2026 10:08
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