Série D

Poder de um maestro: técnico do Gama embalou torcida durante pênaltis

Luís Carlos Carioca segue mantra pessoal e vê classificação do alviverde nos pênaltis contra o América-RN "isolado", próximo da concentração nas arquibancadas do Bezerrão: "sabia que a torcida tinha uma influência grande"

Luís Carlos Souza, técnico do Gama -  (crédito: Filipe Fonseca/Gama)
Luís Carlos Souza, técnico do Gama - (crédito: Filipe Fonseca/Gama)

A cada fase da Série D do Campeonato Brasileiro, o Gama mostra ser capaz de fazer o possível e o impossível para alcançar o sonho do acesso à terceira divisão nacional. Depois de protagonizar mais uma virada no tempo regulamentar e encaminhar a decisão para os pênaltis, o alviverde carimbou a classificação contra o América-RN com costume diferente do comum. Regente da equipe, o técnico Luís Carlos Carioca acompanhou as cobranças por outra perspectiva: longe da área técnica e próximo à torcida gamense, no gol sul do Estádio Bezerrão.

Desde a chegada ao alviverde, Luís Carlos enfrentou cinco disputas por pênaltis. Saiu vitorioso em quatro delas, nas duas conquistas do Campeonato Candango e nas classificações recentes na Série D. A derrota foi na Copa do Brasil, diante do Goiás. Diferentemente de outros treinadores, o comandante tem uma rotina incomum nos momentos: prefere acompanhar sozinho, concentrado nas próprias orações. Para conquistar o principal objetivo de 2026, o Gama tem testado os corações dos torcedores e provado dentro de campo a força e o desejo de disputar a terceira divisão nacional no próximo ano.

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Longe do banco de reservas, o técnico adotou o setor sul do estádio para se "isolar" dos companheiros. A sentença vem entre aspas, pois, naquele local fica a maior concentração da torcida gamense. No momento decisivo contra o América-RN, o treinador de 62 anos atuou como um regente dos alviverdes em meio às cobranças. De longe, era possível observar os gestos do professor. "Ontem, eu sabia que a torcida tinha uma influência grande. Positivamente para nós, e negativamente para os adversários. E aquele gesto que eu comecei a fazer foi para a torcida começar a gritar. Eu acho que eles não estavam gritando o suficiente ou aquilo que eles podem", contou, em entrevista ao Correio.

"Eu sempre assisto dali. Fico nas minhas orações concentrado", completou, ao explicar a escolha do local para assistir aos pênaltis. Na disputa, o goleiro Renan Bragança defendeu a cobrança de Henrique de Almeida e colocou o América-RN em vantagem. Uma tensão pairou sobre a arquibancada. O dono da prancheta pediu para a torcida incendiar o estádio e deu certo. Na sequência, Renan Rinaldi mostrou, mais uma vez, o poder decisivo debaixo das traves ao bloquear o chute de Charles. Ex-jogador do clube, Wagner Balotelli carimbou a trave a classificou o Gama.

"Foi a forma que Deus me mandou um sinal ali nas orações. Ele pediu para eu fazer (chamar a torcida). Não sei se teve influência ou não, mas a gente sempre tenta ajudar de alguma forma e aquele gesto que eu estava fazendo era pra aumentar mesmo o grito. Eu acho que deu resultado, porque depois que eu comecei a fazer os gestos, começaram a gritar um pouco mais alto e eu acho que isso aí ajudou positivamente para nós", revelou.

Agora, o Gama encara o São José-RS na próxima fase da competição nacional. Se depender dos mantras adotados por Luís Carlos Carioca, o alviverde tem tudo para subir de divisão e, enfim, tirar o Distrito Federal de um limbo de 13 anos na Série D do Campeonato Brasileiro. Mesmo em caso de eliminação, o time teria uma nova oportunidade, nos playoffs destinados a quem cair na próxima fase, totalizando seis vagas de acesso. Embalado pelo maestro do banco de reservas (ou fora dele), os gamenses esperam concluir o sonho da forma mais tranquila possível.

*Estagiária sob a supervisão de Danilo Queiroz

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postado em 28/07/2026 05:00
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