
Hino do Liverpool, "You'll Never Walk Alone!" (Você nunca caminhará sozinho), famoso na voz de Gerry and the Pacemakers, serve de trilha sonora para o trabalho de Luiz Carlos Souza no Gama. A três dias do duelo de volta com o São José-RS no Bezerrão, domingo, às 16h, pelas quartas de final da Série D do Campeonato Brasileiro, o técnico não é solitário. Cercado de profissionais leais na temporada em que pode levar o bicacampeão do Distrito Federal de volta à terceira divisão nacional, ele conta com dois ex-jogadores de confiança. O asssistente Victor Santana e o preparador de goleiros Osmair, ambos com bagagem no futebol candango, são dois dos homens de confiança do dono da prancheta alviverde.
A excelente fase do camisa 1 Renan Rinaldi está diretamente ligada a Osmair. Campeão da segunda divisão do Candangão com o Sobradinho em 2003 e da elite pelo Brasiliense em 2009 como goleiro, ele era o preparador dos donos da trave do Leão da Serra na conquista doméstica de 2018 e se firmou na profissão escolhida depois da aposentadoria.
"Ser preparador de goleiros é uma profissão pela qual sempre fui muito apaixonado e que nunca tive dúvidas de que queria seguir. Primeiro, como atleta, sempre procurei dar o meu máximo e ser um profissional correto e dedicado. Quando encerrasse a carreira, já sabia que queria ser treinador de goleiros. Hoje, não me imagino exercendo outra profissão. É algo que amo e que faz parte da minha vida", conta Osmair em entrevista ao Correio.
Sob a orientação de Osmair, o goleiro Renan Rinaldi foi decisivo nos pênaltis contra o Porto Velho na segunda fase da Série D e o América-RN nas oitavas. Por trás do êxito abaixo do travessão está justamente quem conhece muito da posição no quadrado da capital.
Osmair passou por vários clubes candangos, mas o coração é alviverde desde o tempo de jogador. "Voltar ao Gama é motivo de muita alegria e orgulho. Poder reviver momentos únicos que vivi como atleta e, agora, retornar como treinador de goleiros, fazendo parte dessa história e contribuindo para colocar o Gama em condições de disputar o acesso à Série C me deixa ainda mais confiante no trabalho que está sendo realizado", agradece.
No sábado passado, houve empate por 1 x 1 no Estádio Passo d'Areia, em Porto Alegre, no primeiro duelo das quartas de final. O sobrevivente no domingo se classificará automaticamente para a Série C. O perdedor terá mais uma chance na repescagem. Empate no tempo regulamentar forçará a disputa por pênaltis para apontar quem sobe.
"O clube vem trabalhando de forma muito correta, com os pés no chão, tratando os profissionais com muito respeito e dignidade, dando todas as condições necessárias para que cada um possa exercer o melhor trabalho. Sabemos que ainda não conquistamos nada, mas temos uma grande oportunidade de colocar o Gama novamente na Série C, e, quem sabe, voltar ao lugar que, na minha opinião, nunca deveria ter saído: a Série A.", vislumbra Osmair.
Reserva do Gama na temporada de 2004, Osmair era o titular alviverde em 7 de abril daquele ano, quando a equipe candanga eliminou o Botafogo da Copa do Brasil no Maracanã na segunda fase e avançou às oitavas de final do mata-mata nacional para enfrentar o Palmas.
Victor Santana
A sintonia de Osmair com o assistente Victor Santana é outro trunfo do Gama. Em 2018, eles trabalharam juntos na campanha do título do Sobradinho no Candangão. Victor no papel de técnico do Leão da Serra, Osmar no cargo de preparador de goleiros. À época, Michael brilhou na decisão por pênatis e garantiu o tricampeonato alvinegro.
"A relação que nós temos é muito boa. De amizade, respeito e muito profissionalismo. Existe uma cobrança grande entre nós, mas isso tudo é para o nosso crescimento e sou muito grato por estar com eles", disse Victor Santana ao Correio. Em 2018, ele se tornou o primeiro e único técnico nascido no DF a levar time da capital ao título do Candangão pelo Sobradinho.
Formado nas divisões de base do Gama, Victor Santana tem um carinho ainda mais especial pelo clube. "Eu e o Osmair somos grandes amigos porque jogamos juntos em 2004 no Gama. De lá para cá, a amizade só cresceu. Com o Luiz (Carlos Souza), joguei algumas vezes contra os times que ele comandava, e aí sempre tivemos um bom relacionamento. Quando virei treinador nos enfrentamos algumas vezes", conta Victor.
A admiração era mútua. "Eu sempre falei que era muito bom enfrentá-lo porque tinha que quebrar a cabeça para armar otime contra o dele. Quando começamos o trabalho no ano passado, ele me disse que era para a gente ter trabalho juntos, mas nunca dava certo. Fiquei muito feliz quando fui convidado no ano passado porque iniciei a carreira no Gama. Passei por todas as divisões: Série A, B, C e retornando para a B em 2005. Agora, tenho orgulho de participar desse grande objetivo do clube", emociona-se Victor Santana.
Ele admite a "pressão" do treinador. "Com o Luiz, você tem que estar ligado o tempo todo e em cada detalhe. Ele fica acelerado", testemunha. "Espero que o nosso obbjetivo seja alcançado. Ele é um treinador fora da curva, um ser humano incrível também. Aquela cara de bravo engana às vezes", brinca o braço direito do comandante alviverde.
*Estagiário sob a supervisão de Marcos Paulo Lima

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