EM BRASÍLIA

Basquete: Brasil leva virada e perde invencibilidade nas Eliminatórias

Em noite de Nilson Nelson pintado de verde-amarelo para partida da qualificatória para a Copa de 2027, Seleção abre vantagem de 14 pontos, mas cai de produção no segundo tempo e cai por 94 x 90 diante da República Dominicana

Seleção fez jogo seguro no primeiro tempo, mas caiu de produção nos dois últimos quartos -  (crédito: Matheus Maranhão/CBB)
Seleção fez jogo seguro no primeiro tempo, mas caiu de produção nos dois últimos quartos - (crédito: Matheus Maranhão/CBB)

Esporte não é ciência exata, mas a Seleção Brasileira masculina de basquete tinha um modus operandi que costuma dar spoiler da vitória. Nas seis partidas das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2027, a equipe comandada pelo croata Aleksandar Petrovic nunca terminou os dois primeiros quartos atrás no placar. Nesta quinta-feira (27/8), no Ginásio Nilson Nelson, o roteiro parecia se repetir: o Brasil abriu 11 pontos de vantagem no primeiro período, chegou a liderar por 14 e levou oito de frente para o intervalo. Só que a partida mudou completamente de direção. A República Dominicana reagiu, virou o placar no terceiro quarto e levou a melhor no fim, por 94 x 90. 

Palco do maior público da história do basquete nacional, com 24.286 torcedores em Brasília x Flamengo, em 2007, o Ginásio Nilson Nelson viveu outra noite especial. Depois de 11 anos, voltou a receber a Seleção Brasileira e teve as arquibancadas como combustível para o time em quadra. O Brasil controlou a partida nos dois primeiros quartos, mas caiu de produção depois do intervalo e viu os dominicanos transformarem uma vantagem confortável em um jogo dramático.

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Cidade que apresentou Oscar Schmidt ao mundo, Brasília viu novamente um camisa 14 contribuir bem para a Seleção. Léo Meindl anotou 19 pontos e foi o cestinha brasileiro, enquanto Jean Montero liderou a República Dominicana com 30. A derrota interrompeu a sequência de seis vitórias do Brasil nas Eliminatórias. Confortável na tabela com 6-1, a Seleção faz as contas de 10 triunfos para se classificar antecipadamente na chave com México, Estados Unidos, Colômbia, República Dominicana e e Chile.

Na qualificatória, asseguram vaga os três melhores de cada chave, além do melhor quarto colocado. O próximo dos cinco desafios do Brasil nas Eliminatórias para a Copa do Mundo do Catar será contra o México, em 31 de agosto, às 23h10, em Zacatecas. 

Sabendo que o rebote era uma das principais armas da República Dominicana, Aleksandar Petrovic apostou em um quinteto alto para tentar neutralizar o adversário. Yago, Georginho, Léo Meindl, Márcio e Caboclo começaram a partida com média de 1,97m de altura. A estratégia quase foi contrariada logo no primeiro ataque, quando Angel Delgado insistiu no garrafão até abrir o placar. O Brasil, porém, respondeu rapidamente: virou para 7 x 2, com direito à primeira bola de três de Léo Meindl e uma cravada de Caboclo que incendiou o Nilson Nelson. Meindl terminou o primeiro quarto com três arremessos de três convertidos em três tentativas, e o Brasil abriu 29 x 18.

Segunda seleção mais alta entre as 12 das Eliminatórias, a República Dominicana conseguiu travar o jogo no segundo quarto. Os visitantes aproveitaram erros do Brasil no rebote defensivo para diminuir a diferença e também encontraram espaço nos arremessos de longa distância. Jean Montero tentou cinco vezes de fora e acertou quatro, aproveitamento de 80%. Depois de abrir 11 pontos de vantagem no primeiro período, a Seleção terminou o segundo com oito de frente.

A vantagem, que chegou a ser de 14 pontos, ruiu. O sangue da Seleção parecia ter esfriado, enquanto Jean Montero liderava os dominicanos em uma reação cada vez mais perigosa. Os visitantes usaram a vantagem física para dominar o garrafão: converteram nove de 12 arremessos próximos à cesta e pegaram 14 rebotes ofensivos. Petrovic pediu tempo. O Brasil deixou de ser criativo, movimentou menos a bola e ficou previsível.

Faltava o maestro Yago, autor de oito pontos e quatro assistências nos dois primeiros quartos. Com um incômodo na coxa desde os treinamentos, o armador dosou as energias e avisou que só deixaria a quadra se não conseguisse mais andar.

A seis segundos do fim do terceiro quarto, a República Dominicana passou à frente pela primeira vez desde os dois pontos que abriram a partida. Andrés Feliz acertou o arremesso que colocou os visitantes em 75 x 72 e deixou o Brasil em desvantagem para o último período. A queda era evidente: a Seleção havia perdido os dois quartos anteriores, por 32 x 29 e 25 x 14.

O cenário favorável aos dominicanos começou a mudar logo depois. David Jones marcou debaixo da cesta e, fora do lance, cometeu uma falta antidesportiva em Léo Meindl. Petrovic pediu o desafio. Após a revisão das imagens, a arbitragem confirmou a infração e expulsou o ala dominicano da partida. Porém, em um momento de VAR do futebol brasileiro, a demora tomou conta devido a uma espécie de desafio do desafio.

A quarta falta deixou os dominicanos no limite. O Brasil tinha mais volume, mas pecava no capricho nas bandejas em uma partida de placar apertado. Até que o camisa 14, número eternizado por Oscar, ajudou a destravar o jogo. Léo Meindl saiu do banco, pegou um rebote importante a menos de cinco minutos do fim e acionou Raulzinho no contra-ataque. A jogada deu novo fôlego à Seleção. Pouco depois, porém, veio o susto: durante a marcação sobre Montero, o brasileiro recebeu uma pancada no queixo com a cabeça do adversário. Meindl ficou caído em quadra por alguns instantes, mas se levantou e sinalizou que estava bem.

O suspense seguiu até os segundos finais. A 27 segundos do fim, a República Dominicana vencia por 91 x 90 e tinha a posse de bola. Petrovic pediu tempo para desenhar a última reação brasileira, mas a Seleção não conseguiu transformar a pressão em virada. Depois de abrir vantagem, desperdiçar a liderança e buscar o jogo no fim, o Brasil sofreu a primeira derrota nas Eliminatórias e deixou escapar uma partida que parecia sob controle.

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postado em 27/08/2026 22:38 / atualizado em 27/08/2026 22:58
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