Vôlei

'Não sou bandida', diz Tifanny sobre banimento de mulheres trans pela CBV

Jogadora do Osasco cogita ir à Justiça para jogar a Superliga e faz forte desabafo sobre nova regra que bane mulheres trans de competições femininas; CBV reforça decisão política tomada pelo COI

O desabafo da jogadora:
O desabafo da jogadora: "Quero terminar a minha carreira de atletas com o pé direito, digna de uma aposentadoria, digna de falar eu comecei, eu terminei, eu inspirei e agora vou começar a ajudar outras pessoas fora de quadra. Não assim expulsa, não assim proibida, jogada na sarjeta como se nada tivesse acontecido" - (crédito: Reprodução/Redes sociais )

Tifanny Abreu, ponteira do Osasco, marcou presença no lançamento da nova temporada da Superliga, em evento que ocorreu durante a COB Expo, em São Paulo, nesta quinta-feira, 1º. A jogadora de 41 anos detonou a decisão da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) de proibir mulheres trans de atuarem na competição.

"É um momento muito difícil, porque ao mesmo tempo que a gente tem que estar focado no nosso treinamento diário, em estar competindo, tem que ouvir isso no meio de uma temporada não é fácil, não é fácil. É como a gente tivesse... como se eu fosse uma bandida, e eu não sou bandida. Sou uma atleta, uma atleta que inspira muitas pessoas."

Em agosto, a entidade divulgou uma nova política de elegibilidade que determina que os torneios nacionais da categoria feminina sejam exclusivos para as atletas que possuem o sexo biológico feminino. A medida está alinhada com os critérios do Comitê Olímpico Internacional (COI), da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e da Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).

"Quero terminar a minha carreira de atletas com o pé direito, digna de uma aposentadoria, digna de falar eu comecei, eu terminei, eu inspirei e agora vou começar a ajudar outras pessoas fora de quadra. Não assim expulsa, não assim proibida, jogada na sarjeta como se nada tivesse acontecido. Eu espero que algo possa mudar. Se não for uma boa conversa, de bom acordo, que seja na Justiça. E que a justiça possa estar do meu lado, porque não faço nada de errado, só estou trabalhando" Tifany Abreu, jogadora do Osasco



Diante deste cenário, Tifanny está impossibilitada de participar da temporada 2026/27 da Superliga, por não ter nascido com o sexo biológico feminino. Ela atua no Osasco desde 2021 e possui um título da competição, além de quatro Campeonatos Paulistas, um vice-campeonato no Sul-Americano e um terceiro lugar no Mundial de Clubes.

"Eu sinto desprezo, sinto uma falta de empatia muito grande. Raiva eu acho que é um sentimento que as pessoas não deveriam carregar dentro do coração delas, a gente deveria carregar amor. Faltou muita empatia com o ser humano, com a atleta, com o clube e principalmente com todas as pessoas que se inspiram em mim no esporte", completou a ponteira.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

  • Google Discover Icon
postado em 01/10/2026 21:54 / atualizado em 01/10/2026 21:56
x