
Elas são obrigadas a defender e atacar na mesma intensidade. Para o Minas e o Cresspom, as laterais Suzana e Karolzinha criam jogadas no setor ofensivo e ajudam na marcação, na pressão adversária. As duas estarão frente a frente na final única do Candangão Feminino no domingo, às 10h30, no Bezerrão. A TV Brasília anuncia a transmissão ao vivo e com imagens. O ingresso para a decisão é 1kg de alimento não perecível.
Suzana teve desde a infância o incentivo da avó, Maria Helena, para praticar esporte. As opções para distrações eram poucas, então dona Maria estimulou a zagueira em diferentes modalidades. Suzy se aventurou no handebol, no vôlei e até na natação, mas nada agradou o suficiente. Porém, foi brincando nas ruas da Samambaia Norte que a paixão aumentou.
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A brasiliense se encontrou, começou a jogar futsal e ganhou bolsas de estudo no ensino médio e na faculdade de educação física. Na trajetória, Suzana contou com o apoio da avó e do esposo Rinaldo Júnior, uma peça fundamental. "Não é muito fácil ser mulher e muito menos viver do futebol, mas eu tenho esse apoio muito importante na minha vida. Eu me dei conta que, de fato, o futebol podia moldar um futuro diferente para mim, o esporte me abriu portas".
No Minas Brasília há uma brincadeira segundo a qual as jogadoras dizem que Suzy fundou o clube. Há quase 10 anos defendendo o time, a defensora esteve nos principais momentos das Minas: conquistou o acesso à Série A1 (2018), viveu a dor do rebaixamento em 2021 e comemora outra vez o retorno à elite nacional. "Graças a Deus, esse ano foi grande. Conseguimos o nosso grande objetivo na equipe que era o acesso. No pessoal, tive um ano sólido de boas partidas. Fui titular absoluta na minha posição", comemora.
Lateral direita do Cresspom, Karolzinha chegou nesta temporada e tomou conta da posição. Aos 21 anos, a carioca usa da idade e da disposição para controlar a ala direita: "Comecei no futebol com 13 anos. Não tinha muita ambição em virar jogadora. Comecei a levar mais a sério a partir do momento em que me destacava. Iniciei minha carreira no Duque de Caxias, passei pelo Botafogo e cheguei ao Cresspom em março deste ano", relembrou.
Karolzinha é acostumada com bola na rede. No 3-4-3, ela é ala direita. São quatro gols em três jogos. Ela é a terceira maior goleadora do torneio. "Acho que dá para pegar o topo da artilharia. Apenas um gol me separa do primeiro lugar. Venho desempenhando a função de ala mais ofensivo e, por isso, consegui marcar mais gols".
O Cresspom chega à final como recordista de títulos com sete taças. O Minas é um time muito forte, mas vamos mostrar que nosso esforço valeu a pena", finalizou.
5 perguntas para...
MÁRCIO COUTINHO, o Careca, diretor técnico da Federação de Futebol do Distrito Federal
O que uma transmissão como essa representa para a valorização do torneio?
A modalidade tem evoluído, o futebol feminino vem sendo valorizado com transmissão em tevê aberta. O alcance é de grande importância. Estamos perto de um Mundial no Brasil e em Brasília.
A volta da final a uma tevê aproxima o torcedor?
A visibilidade de imagem pode atrair empresas e outras formas de patrocínio ou apoiadores. A tevê é uma boa exposição e importante para o mercado, atraindo os torcedores com mais visibilidade.
Quais são as ações necessárias para dar mais visibilidade ao futebol feminino do DF?
A maior mudança vem primeiro com o fortalecimento da base. Precisamos dar condições para uma boa prática da modalidade nas competições sub-15 e sub-17, na qual formam-se futuros e grandes atletas.
O que vocês esperam que mude para os clubes e atletas a partir de uma maior exposição do campeonato?
Os clubes precisam ter condições mínimas para que as atletas possam desempenhar as atividades com tranquilidade e conseguir atletas com boa formação técnica. As atletas de hoje são exemplos para as formações futuras e que precisam ter uma boa qualidade de vida dentro e fora de campo.
Essa final pode ser um ponto de partida para que outras partidas do Candangão feminino tenham transmissão nos próximos anos?
Uma transmissão em uma final em uma tevê sempre chama atenção do público e causa uma importância grande aos clubes e atletas. A oportunidade de mostrar para um número maior de pessoas o trabalho que vem desenvolvendo engrandece cada vez mais a categoria.
*Estagiários sob a supervisão de Marcos Paulo Lima
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