GRUPO I

França estreia na Copa do Mundo sob fome de gols de Kylian Mbappé

Igualado a Pelé em número de gols em apenas duas Copas do Mundo, Mbappé inicia, contra Senegal, a perseguição a Messi e ao recorde de Klose na artilharia dos Mundiais

Foto de perfil do autor(a) Victor Parrini — Enviado especial
Victor Parrini — Enviado especial
16/06/2026 06:00
4min de leitura
Artilheiro do Mundial de 2022, atacante do Real Madrid brilhou, também, no título de 2018. Objetivo é manter desempenho na edição de 2026 -  (crédito: Franck Fife/AFP)
Artilheiro do Mundial de 2022, atacante do Real Madrid brilhou, também, no título de 2018. Objetivo é manter desempenho na edição de 2026 - (crédito: Franck Fife/AFP)

Nova Jersey — Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, tinha 17 anos quando marcou dois gols para a Seleção Brasileira na final da Copa do Mundo de 1958 contra a Suécia. Seis décadas depois, Kylian Mbappé tornou-se o segundo jogador mais jovem a balançar as redes em uma decisão do torneio da Fifa, no triunfo da França por 4 x 2 sobre a Croácia, em 2018. Ali, o craque francês se apresentou ao planeta e combinou com os russos que iniciaria a perseguição a um dos recordes mais nobres do futebol: tornar-se o maior artilheiro da história dos Mundiais. A contagem regressiva recomeça nesta terça-feira (16/6), às 16h, na estreia contra Senegal, no MetLife Stadium.

A corrida individual é um combustível extra para o principal astro da seleção mais badalada do momento. Mbappé soma 12 gols em apenas 14 partidas de Copa do Mundo. Em duas edições, marcou apenas um a menos do que Lionel Messi em cinco participações. Entre os jogadores em atividade, só o argentino aparece à frente dele na perseguição ao recorde do alemão Miroslav Klose, o artilheiro, com 16. A grande vantagem do francês é o tempo. Tinha apenas 19 anos quando marcou quatro vezes na campanha do título de 2018. Aos 23, dobrou a aposta e violou as metas adversárias oito vezes no vice-campeonato de 2022 contra a Argentina.

Na América do Norte, a expectativa é de que, pelo menos, alcance Klose. Melhor ainda para quem pensa no longo prazo. Em uma era de carreiras cada vez mais extensas, Mbappé tem margem para disputar pelo menos mais duas Copas do Mundo. Admirador declarado de Cristiano Ronaldo, 41 anos, pode até sonhar com algo ainda maior: seguir os passos do ídolo e chegar ao sexto Mundial da carreira, em 2038. Considerando a adição de uma partida no caminho até o título, as chances de Mbappé deixar Klose para trás aumentaram.

O sistema 4-2-3-1 montado por Didier Deschamps potencializa as virtudes de Mbappé. Livre de maiores obrigações defensivas, o astro do Real Madrid recebe munição de sobra na fase ofensiva. Pelas pontas, conta com a velocidade e a criatividade de Desiré Doué e Michael Olise. Por dentro, é abastecido por Ousmane Dembélé, atual vencedor da Bola de Ouro. A retaguarda também inspira confiança. Rabiot e Tchouaméni formam a dupla de volantes à frente da linha defensiva composta por Koundé, Saliba, Upamecano e Theo Hernández. No gol, a segurança atende pelo nome de Mike Maignan.

A França não carrega apenas o peso de ter disputado as duas últimas finais de Copa do Mundo. Também ostenta o elenco mais valioso da edição de 2026. Segundo o Transfermarkt, os Bleus somam cerca de R$ 8,9 bilhões em valor de mercado, à frente de Inglaterra e Espanha. O Brasil ocupa a sexta posição no ranking.

Mas se engana quem imagina uma estreia tranquila para a França. Senegal simboliza a evolução do futebol africano e a crescente presença de seus talentos nas principais ligas do planeta. Embora não atue mais no Velho Continente, a principal referência técnica segue sendo Sadio Mané, de volta à Copa do Mundo após perder a edição de 2022 por lesão. O ataque ainda conta com Nicolas Jackson, do Bayern de Munique, enquanto a segurança defensiva passa pelas mãos do goleiro Édouard Mendy, campeão da Liga dos Campeões pelo Chelsea em 2021, e pela liderança do experiente zagueiro Kalidou Koulibaly.

A seleção da África Ocidental disputa a terceira Copa do Mundo consecutiva e chega embalada pelo protagonismo recente no continente. A equipe havia conquistado a Copa Africana de Nações em campo, mas o título acabou transferido para Marrocos após a decisão ser anulada devido ao abandono do gramado pelos senegaleses em protesto contra a marcação de um pênalti.

Ainda é tímida a presença de torcedores franceses na região de Nova Jersey e Nova York. É possível contar nos dedos o número de pessoas que vestem as camisas dos Bleus. Os viajantes podem se animar até o horário de partida. Em contrapartida, Senegal não pode contar com compatriotas vindos do país. Há restrições de vistos na imigração de senegaleses, o que restringe a possibilidade de ir ao estádio a quem vive nos Estados Unidos.

A conexão entre os dois países vai além dos 90 minutos. Dos 26 convocados por Senegal, 10 nasceram na França, entre eles Édouard Mendy, Kalidou Koulibaly, Iliman Ndiaye e Pape Gueye. A seleção com maior influência francesa é a Argélia, com 13 atletas nascidos no país europeu. Nas arquibancadas, porém, o cenário deve ser diferente. Ainda é discreta a presença de torcedores franceses nas ruas de Nova Jersey e Nova York, enquanto os senegaleses enfrentam restrições migratórias que dificultam a viagem de compatriotas diretamente da África para acompanhar a partida.