MATA-MATA DA COPA

Mbappé busca manter fama de decisivo contra Suécia na Copa do Mundo

Relembre como Mbappé se apresentou ao mundo dos mata-matas ao frustrar a Argentina em 2018. Craque tem oito gols em duelos eliminatórios em Copas. Hoje, encara a Suécia

Foto de perfil do autor(a) Victor Parrini — Enviado especial
Victor Parrini — Enviado especial
30/06/2026 04:01 - Atualizado em 30/06/2026 05:29
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Pela seleção francesa, camisa 10 coleciona 60 gols e 42 assistências em 101 partidas: artilheiro do time -  (crédito: Charly Triballeau/AFP)
Pela seleção francesa, camisa 10 coleciona 60 gols e 42 assistências em 101 partidas: artilheiro do time - (crédito: Charly Triballeau/AFP)

Nova Jersey — Foi em um 30 de junho que Kylian Mbappé entrou definitivamente para o imaginário do futebol e rompeu as fronteiras da França e da Europa. A Copa do Mundo era disputada na Rússia. O jovem de 19 anos, bancado por Didier Deschamps, havia marcado contra o Peru na fase de grupos e conquistado de vez a confiança do treinador para o mata-mata.

Quiseram os deuses do futebol que o primeiro desafio em uma fase eliminatória fosse justamente diante da Argentina de Lionel Messi. O resultado virou um marco na carreira do francês: vitória por 4 x 3, com dois gols do então prodígio. Oito anos depois daquela tarde inesquecível, o camisa 10 volta a disputar uma partida desse quilate em Mundial. Hoje, às 18h, lidera a seleção francesa contra a Suécia no MetLife Stadium.

Mbappé transformou o extraordinário em rotina. São 16 gols em três Copas do Mundo, marca que o coloca como segundo maior artilheiro da história do torneio, atrás apenas de Lionel Messi, autor de 19. O currículo impressiona ainda mais pela qualidade dos momentos escolhidos para balançar as redes. Metade dos gols saiu em mata-matas.

O francês não costuma decidir todas as partidas eliminatórias, mas, quando aparece, produz capítulos memoráveis. Foi assim com os dois gols sobre a Argentina nas oitavas de 2018; na final contra a Croácia; no doblete diante da Polônia, quatro anos depois; e, sobretudo, no histórico hat-trick contra os argentinos na decisão do Catar.

Contra os suecos, tenta acrescentar mais um capítulo à coleção. O adversário de hoje, aliás, ocupa um lugar especial na trajetória do camisa 10. A Suécia foi a terceira seleção enfrentada por Mbappé com a camisa da França, em 9 de junho de 2017.

O resto é história: tornou-se o maior artilheiro da bicampeã mundial, com 60 gols em 101 partidas, e o maior garçom, com 42 assistências, além de ser o mais jovem francês a alcançar a marca centenária de jogos, aos 27 anos, superando Patrick Vieira, que atingiu o feito aos 30. Se conduzir os Bleus às oitavas, Mbappé igualará o técnico Didier Deschamps, dono de 103 partidas pela equipe como volante. À frente deles permanece apenas o goleiro Hugo Lloris, recordista com 145 atuações.

Mbappé arrancou elogios de Ronaldo. Em entrevista ao jornal francês L'Equipe, o Fenômeno disse se enxergar no craque dos Bleus. "Messi é um dos maiores jogadores da história do futebol e ainda é influente e decisivo hoje em dia. Quanto a Mbappé, seu estilo de jogo me lembra o meu próprio no auge. Ele é um dos maiores jogadores de futebol da atualidade e um herdeiro natural das lendas do esporte", opinou.

Mas reduzir a França a Mbappé seria uma injustiça. Os Bleus encantam pelo funcionamento coletivo. O 4-2-3-1 idealizado por Didier Deschamps é disciplinado sem a bola e libera o camisa 10 para decidir perto da área adversária. Ousmane Dembélé e Désiré Doué sacrificam-se na recomposição pelos lados, enquanto o meio-campo sustenta o equilíbrio da equipe.

Não por acaso, a França goleou a Noruega por 4 x 1, mesmo em uma tarde discreta de Mbappé. O protagonismo ficou com Dembélé, autor de um hat-trick.

Há, porém, um ponto de atenção. Theo Hernández teve atuação insegura contra os noruegueses, cometeu um pênalti e deixou dúvidas suficientes para perder a vaga para Lucas Digne na lateral esquerda. Jules Koundé permanece confirmado pelo lado direito. Outro retorno é o do treinador Didier Deschamps. Ele havia desfalcado contra os noruegueses, após retornar às pressas para o país natal devido à morte da mãe.

Esperança e zebra

Se a defesa francesa precisa tomar algum cuidado, o desafio atende pelos nomes de Viktor Gyökeres, Alexander Isak e Anthony Elanga. Juntos, os três movimentaram quase 300 milhões de euros na última janela de transferências e representam a principal esperança sueca. Gyökeres custou 76 milhões de euros ao Arsenal; Isak tornou-se a contratação mais cara da história do Liverpool, por 150 milhões; enquanto o Newcastle desembolsou 61 milhões por Elanga. Caberá à dupla Dayot Upamecano e William Saliba superar o primeiro grande teste da Copa.

Os herdeiros de Zlatan Ibrahimovic respondem por quatro dos sete gols da Suécia no Mundial. Elanga balançou as redes duas vezes, enquanto Gyökeres e Isak marcaram um cada. O problema está do outro lado do campo. A seleção também sofreu sete gols, desempenho que a coloca ao lado da Noruega como a defesa mais vazada entre as 32 classificadas para o mata-mata. Não por acaso, precisou recorrer à repescagem europeia para garantir presença na Copa, superando Ucrânia e Polônia antes de desembarcar na América do Norte. É zebra contra os franceses.