RUMO AO HEXA

Projeto une todas as torcidas do país em prol da Seleção Brasileira

Com bandeirões, bateria, novos cantos e 38 torcidas organizadas unidas, Movimento Verde Amarelo promete transformar as arquibancadas da Copa em uma grande festa pela Seleção Brasileira

O que parecia impossível nas arquibancadas do futebol brasileiro, virou uma realidade para a Copa do Mundo de 2026. Pela primeira vez, 38 torcidas organizadas de diferentes clubes e Estados do Brasil estarão juntas, para apoiar a Seleção Brasileira. 

A iniciativa é liderada pelo Movimento Verde Amarelo (MVA), principal torcida do Time Brasil, que em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) promete levar uma das maiores festas de arquibancada já vista em jogos do Brasil. 

Considerada por integrantes do movimento como um “sonho” antigo, a união exigiu meses de diálogo entre uniformizadas que são historicamente rivais. Fernando Pixote, uma das lideranças dentro do movimento, conta ao Correio que o maior desafio foi convencer as torcidas a deixarem o clubismo de lado em prol de um objetivo comum. “Foi necessário mostrar a importância de estarmos na mesma sintonia em apoio à Seleção Brasileira. Todos entenderam que, neste momento, a Seleção precisa de todos unidos em busca da sexta estrela”, afirmou. 

A articulação contou com a participação da Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg), que auxiliou nas conversas entre o MVA e as torcidas espalhadas pelo país.

Ingressos populares ampliarão a presença dos torcedores 

Uma das principais conquistas celebrada pelo movimento, foi o acesso aos ingressos do programa PMA (Participating Member Association), mecanismo da FIFA que permite às federações disponibilizarem entradas com preços reduzidos para seus torcedores.

O MVA afirma que buscava acesso ao programa há anos, mas a negociação só avançou com a atual gestão da CBF. Os ingressos foram adquiridos junto à FIFA por US$ 60 e repassados pelo mesmo valor aos integrantes das torcidas. A expectativa é que a medida facilite a viagem de torcedores que dificilmente conseguiriam acompanhar a Seleção em uma Copa do Mundo devido aos altos custos.

Elitização: As críticas enfrentadas pelo movimento 

Uma das principais críticas ao movimento, é sobre ele ser de certa forma ‘elitizado”. Em resposta, Pixote conta o fato das viagens para fora do Brasil serem por si só caras. “Infelizmente são elitizados por natureza, mas o MVA vem buscando formas de incluir cada vez mais e trazer uma representatividade maior à nossa torcida”. 

O movimento reconhece que grandes eventos esportivos se tornaram cada vez mais caros, mas defende que tem buscado ampliar a representatividade das arquibancadas. Segundo o movimento, a conquista dos ingressos populares também faz parte dessa estratégia de democratizar o acesso aos estádios.

Como exemplo, cita a criação, em 2024, da área de Representatividade e Inclusão do MVA. Entre as iniciativas está o projeto “Crias do MVA”, desenvolvido no Morro do Turano, no Rio de Janeiro, que oferece formação musical para crianças e jovens. Os participantes já integram a bateria da torcida e estiveram presentes no último jogo da Seleção antes da Copa.

Divulgação/MVA - Crianças do projeto Crias do MVA.

União deve continuar após o Mundial

A proposta não termina com o encerramento da Copa de 2026. O objetivo é manter as torcidas organizadas dentro do Movimento Verde Amarelo para apoiar a Seleção em outras modalidades esportivas e em futuras competições.

A expectativa é que o programa seja mantido para as próximas Copas do Mundo masculinas e também para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada em oito capitais brasileiras. 

Festa na bancada

Sabemos que a atmosfera da arquibancada modifica o jogo. Bateria, canto, mosaico, bandeirões são os principais meios usados para “empurrar” o time para a vitória. E, claro que isso não poderia ser deixado de fora. 

Para dar vida e ditar o ritmo na bancada, o MVA prepara uma logística inédita. Serão quase 15 mil itens de patrimônio destinados a transformar os estádios em um verdadeiro “mar amarelo”.  A maior mobilização desde a criação do movimento em 2008. 

Além da mobilização das torcidas, o MVA aposta na renovação do repertório musical para embalar a torcida brasileira durante o torneio. Como o concurso  “Hit da Torcida” que busca popularizar os novos cantos. 

Divulgação/Movimento Verde-Amarelo - Movimento Verde-Amarelo presente em jogo da Copa do Mundo do Catar, em 2022. Torcida estará no jogo entre Brasil x Chile, antes do Mundial Feminino

De acordo com o movimento, algumas músicas já foram apresentadas em amistosos recentes e divulgadas nas redes sociais e plataformas de streaming, como Spotify. O grupo rebate ainda as críticas sobre a dificuldade de criar músicas que se tornem populares nas arquibancadas. 

Segundo o Pixote, canções como “Mil Gols”, “58 Foi Pelé” e “Camisa Amarela” já foram incorporadas pelos torcedores ao longo dos anos. A aposta mais recente é a música “Copa do Mundo é Guerra”, lançada no jogo de despedida da Seleção no Maracanã.

Com 38 torcidas confirmadas no projeto e uma estrutura inédita para acompanhar a Seleção, o Movimento Verde Amarelo espera transformar as arquibancadas da Copa de 2026 em uma demonstração de união rara no futebol brasileiro, ao menos enquanto a camisa vestida for amarela.

De Brasília para os Estados Unidos 

Em entrevista para o Correio, a integrante do MVA, Carolina Amaral, de 46 anos, moradora de Sobradinho, disse que a viagem para os EUA representa a realização de mais um sonho. E, conta que, essa é a segunda vez que viaja para fora do Brasil, para acompanhar a Seleção Canarinho. “Estava muito animada, ansiosa e nem dormi na noite anterior. Vai ser minha primeira Copa ao lado do pessoal do Movimento Verde Amarelo e das meninas do Elas no MVA”, conta. 

Carolina conheceu o grupo durante a Copa da Rússia, em 2018, e desde o ano seguinte participa ativamente das ações da torcida. Segundo ela, a chegada ao país norte-americano foi tranquila, sem dificuldades na imigração ou no desembarque.

Apaixonada por esportes e pela Seleção Brasileira, Carolina já acompanhou o MVA em eventos como o Mundial Sub-17 de 2019, em Brasília, a Olimpíada de Paris 2024, partidas das Eliminatórias, competições de vôlei e a Copa América Feminina de 2023, no Equador. 

Para ela, a união entre torcidas organizadas de diferentes clubes é um dos pontos mais importantes do projeto. “É inspirador ver tantas torcidas deixando as rivalidades de lado para apoiar a Seleção. O objetivo é um só: torcer pelo Brasil, ajudar na busca pelo hexa e mostrar que o esporte também pode ser um espaço de união e harmonia”, afirma.

Às vésperas da estreia brasileira, a expectativa é alta. Carolina acredita que a festa preparada pelo MVA nas arquibancadas será um dos grandes destaques da competição. “Estou muito empolgada. Acho que vai ser uma Copa com clima de Copa de verdade, com festa, emoção e muita energia positiva. Nem começou e eu já estou com pena de não poder ficar até o fim.

*Estagiária sob supervisão de Rafaela Soares

 

 

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