Calamidade pública

CNU: decisão de manter concurso é criticada por candidatos e políticos

Ministério da Gestão decidiu manter o concurso neste domingo (5/5), mesmo diante dos pedidos para adiar o concurso por conta da situação de calamidade no Rio Grande do Sul

Yasmin Rajab
postado em 03/05/2024 09:44
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul informou que chegou a 29 o número de mortes devido às fortes chuvas que assolam o estado -  (crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul informou que chegou a 29 o número de mortes devido às fortes chuvas que assolam o estado - (crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Candidatos e políticos estão criticando a decisão do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) de manter a aplicação da prova neste domingo (5/5). As reclamações se devem à situação enfrentada pelos moradores do Rio Grande do Sul por conta das fortes chuvas. 

Nas redes sociais, a deputada federal Fernanda Melchionna (Psol/RS) sustentou o pedido de adiar as provas. "O Concurso Nacional Unificado (CNU), o Enem dos concursos, é o sonho de milhares de trabalhadoras e trabalhadores que almejam ser servidores públicos. Porém, no RS, vivemos uma situação de calamidade que inviabiliza para muitos dos inscritos de até mesmo acessar as cidades para realizar a prova. Acionamos o Ministério da Gestão para que seja adiada urgentemente a aplicação da prova no próximo domingo."

No vídeo, Fernanda explicou que 134 cidades do estado estão em calamidade pública por conta dos temporais. "Temos pontes rompidas, temos estradas inviabilizadas, muitas pessoas que estão inscritas para fazer o concurso em uma das dez cidades polo não tem sequer como chegar", disse a deputada. 

A deputada federal Daiana Santos (PCdoB/RS) enviou um ofício à ministra do MGI, Esther Dweck, pedindo o adiamento. "É impossível manter a data: já são 24 mortes registras, 21 pessoas desaparecidas e mais de 8 mil fora de casa. Além disso, diversas cidades estão isoladas e estradas bloqueadas. Ou seja, essa situação compromete a segurança e a capacidade de deslocamento", argumentou.  

Segundo o deputado estadual Matheus Gomes (Psol/RS), o Rio Grande do Sul não consegue movimentar cerca de 86 mil pessoas durante a calamidade pública. "Espero que o governo federal reveja a decisão e garanta que os gaúchos participem plenamente da prova. A crise climática exige medidas extraordinárias!".

No X, antigo Twitter, os usuários reclamaram da decisão de manter o certame. "A péssima decisão de manter o Concurso Nacional Unificado - CNU precisa ser questionada judicialmente. Esta é a hora de cursinhos preparatórios, que lucraram tanto com a preparação dos milhares de candidatos, mostrarem que o interesse em concursos públicos não é só financeiro", disse André Pires. 

Entenda a situação

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul informou que chegou a 31 o número de mortes devido às fortes chuvas que assolam o estado. Há ainda 70 desaparecidos, que estão sendo procurados por equipes de resgate.

Servidores do MGI analisaram a possibilidade de adiar a aplicação do certame. Dos 96.592 mil inscritos para a prova no Rio Grande do Sul, mais de 9 mil indicaram Santa Maria para realizar o exame, uma das principais cidades afetadas pelas fortes chuvas. Toda a região em volta do município foi atingida pelo temporal, que provocou também bloqueios de muitas estradas.

Apesar da situação, o Ministério informou, em nota, que o governo federal empenhará todos os esforços para garantir, no Rio Grande do Sul, a participação dos candidatos, em diálogo com as autoridades federais, estaduais e municipais competentes. “Quaisquer atualizações serão informadas pelos canais oficiais do Ministério”, informou.

 

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