A União Europeia (UE) convocou uma reunião de emergência dos embaixadores neste domingo (18/1), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que vai impor tarifas de importação a países europeus que se opõem à proposta americana de anexação da Groenlândia aos EUA. O anúncio do novo tarifaço de Trump foi feito na tarde de ontem (17/1), paralelamente à assinatura do acordo da UE com o Mercosul.
Segundo Trump, as tarifas atingiriam produtos de Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia. A alíquota inicial seria de 10%, com entrada em vigor prevista para 1º de fevereiro, podendo chegar a 25% a partir de junho caso não haja, segundo o presidente, “um acordo para a compra completa e total da Groenlândia” pelos Estados Unidos. Espanha e Portugal, apesar de fazerem parte da Europa, ainda não foram citaos por Trump pois não se posicionaram contra a compra da Groenlândia e não enviaram tropas para a ilha.
A Groenlândia é um território autônomo que integra o Reino da Dinamarca e ocupa posição estratégica no Ártico, entre Rússia e EUA. O governo americano sustenta que a ilha é vital para a segurança nacional do país americano, argumento que Trump tem repetido ao afirmar que o controle do território impediria avanços de potências rivais como Rússia e China. O presidente norte-americano afirmou que não descarta o uso da força militar para anexar a Groenlândia “de um jeito ou de outro”.
A reunião emergencial da UE está marcada para ocorrer ainda neste domingo, segundo informações da Agência France-Presse. Diplomatas europeus discutem uma resposta coordenada ao que classificam como uma escalada sem precedentes nas relações transatlânticas.
Líderes do continente reagiram publicamente às declarações de Trump. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que o futuro da Groenlândia “é uma questão entre os groenlandeses e os dinamarqueses” e classificou como “completamente errado” impor tarifas a aliados por defenderem a segurança coletiva no âmbito da Otan. Já o presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que a ameaça é “inaceitável” e que a Europa não se deixará intimidar.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou que a integridade territorial e a soberania são princípios basilares do direito internacional e não podem ser relativizados. Segundo ela, esses valores são essenciais não apenas para a Europa, mas para toda a comunidade internacional. Von der Leyen destacou ainda que a União Europeia tem reiterado seu interesse transatlântico comum na paz e na segurança do Ártico, inclusive no âmbito da Otan, e afirmou que o exercício militar dinamarquês pré-coordenado com aliados responde exclusivamente à necessidade de reforçar a segurança na região, sem representar ameaça a qualquer país.
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Ursula afirmou total solidariedade à Dinamarca e ao povo da Groenlândia, ressaltou que o diálogo com os Estados Unidos segue em curso e alertou que a imposição de tarifas pode prejudicar gravemente as relações transatlânticas, desencadeando uma “espiral descendente perigosa”. “A Europa permanecerá unida, coordenada e firme na defesa da sua soberania”, concluiu.
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