
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (9/3) que seu governo está “longe” de decidir pelo envio de tropas terrestres ao Irã. Em entrevista exclusiva ao New York Post, o republicano também criticou a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo iraniano e disse não estar “satisfeito” com a decisão.
Questionado sobre a possibilidade de uma operação militar para proteger instalações subterrâneas de enriquecimento de urânio no território iraniano, Trump declarou que ainda não há consenso dentro de seu governo sobre qual caminho seguir. “Não tomamos nenhuma decisão sobre isso. Estamos longe de chegar a um acordo”, afirmou o presidente.
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Na entrevista, Trump evitou comentar em detalhes a nomeação de Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder supremo, Ali Khamenei, que morreu no primeiro dia de ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã. No entanto, deixou claro o descontentamento com a escolha. “Não vou dizer a vocês, mas não estou satisfeito com ele”, declarou.
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Ainda nesta segunda, em entrevista à emissora NBC News, Trump voltou a comentar a situação e disse que ainda é “cedo demais” para discutir medidas mais duras contra o Irã, como a apreensão de petróleo iraniano. Apesar disso, não descartou a possibilidade e avaliou que o governo de Teerã cometeu “um grande erro”.
As críticas à sucessão no comando do regime iraniano já vinham sendo feitas nos últimos dias. No domingo (8), antes da confirmação oficial de Mojtaba Khamenei como sucessor, Trump declarou ao canal ABC News que o próximo líder do país precisaria contar com a aprovação dos Estados Unidos para permanecer no cargo. “Ele vai ter que obter nossa aprovação. Se não obtiver, não vai durar muito”, disse.
Na quinta-feira (5), o presidente americano afirmou que pretendia participar diretamente do processo de escolha do novo líder iraniano e classificou como “inaceitável” a possibilidade de Mojtaba assumir o posto. “Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã. O filho de Khamenei é um peso morto”, afirmou na ocasião.
As declarações provocaram reação imediata do governo iraniano. Em entrevista a uma emissora americana, o ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, afirmou que a escolha do líder supremo é uma decisão interna e criticou a postura do presidente norte-americano.
Segundo ele, cabe exclusivamente ao povo iraniano definir quem comandará o país. O chanceler também cobrou um pedido de desculpas de Trump pelos ataques e pela escalada do conflito na região.
“Não permitimos que ninguém interfira em nossos assuntos internos. É responsabilidade do povo iraniano escolher seu novo líder. Trump deveria pedir desculpas ao povo da região e ao povo iraniano pelos assassinatos e pela destruição que provocaram”, declarou.

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