Excesso de Redes

Bem-estar de crianças e adolescente está em xeque devido às redes sociais, diz estudo

No Brasil, o ECA Digital surge como resposta para mitigar riscos como ansiedade e pressão estética gerados por algoritmos e influenciadores

O Relatório Mundial da Felicidade 2026, apoiado pela ONU, aponta uma queda no bem-estar de jovens devido ao uso excessivo de redes sociais. -  (crédito: Reprodução/Freepik)
O Relatório Mundial da Felicidade 2026, apoiado pela ONU, aponta uma queda no bem-estar de jovens devido ao uso excessivo de redes sociais. - (crédito: Reprodução/Freepik)

Um novo Relatório Mundial da Felicidade (World Happiness Report), publicado nesta quarta-feira (19/3) produzido por um grupo internacional de pesquisadores e instituições, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), explora a relação complexa entre o uso de redes sociais e o bem-estar, especialmente entre os jovens. 

Os dados mostram um cenário preocupante em países como Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e regiões da Europa Ocidental, onde houve uma queda significativa no bem-estar dos jovens. Os pesquisadores classificam esse movimento como um alerta sem precedentes sobre os efeitos das redes sociais na saúde mental.

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Em muitos casos, jovens passam mais de sete horas por dia conectados, um tempo equivalente a um ciclo completo de sono. Esse padrão, segundo os pesquisadores, acaba “roubando” tempo de atividades essenciais, como descanso, lazer e convivio social.

No Brasil, o estudo aponta efeitos negativos associados ao uso de algoritmos e ao consumo de conteúdos de influenciadores. Jovens brasileiros relatam sentir pressão para corresponder a padrões irreais de vida exibidos nas internet, o que pode afetar a autoestima e aumentar a ansiedade.

“As evidências globais deixam claro que o impacto das redes sociais no bem-estar depende não apenas do tempo de uso, mas também das plataformas e da forma como elas são utilizadas”, afirmou Jan-Emmanuel De Neve, diretor do Centro de Pesquisa em Bem-Estar da Universidade de Oxford.

A dose certa de redes sociais

O estudo mostra que o uso moderado pode ser benéfico em jovens que utilizam redes por até uma hora diária. Essas crianças e adolescentes relatam níveis de felicidade até maiores do que aqueles que não usam nenhuma plataforma, reforçando a ideia de que o problema não é a internet em si, mas o excesso, ou o uso inadequado. 

 O impacto não é igual para todos os gêneros. Entre as meninas, a satisfação com a vida diminui conforme o tempo de uso nas redes aumenta. Já entre meninos, esse efeito negativo é mais concentrado em países da Europa Ocidental e em nações de língua inglesa, sendo quase inexistente em outras regiões.

Algoritmos x conexão real

O estudo também diferencia dois tipos de uso das redes:

  • Positivo: comunicação direta, troca de mensagens, busca por informação e aprendizado, estão associados a maior satisfação com a vida.
  • Problemático: consumo passivo de conteúdos, especialmente aqueles guiados por algoritmos e focados em imagens, ligados a maiores níveis de ansiedade, estresse e depressão.

Na América Latina, o bem-estar dos jovens se mantém mais alto justamente porque o uso das redes está mais conectado à interação social do que ao consumo passivo. 

Reação global

Em 2025, a Austrália aprovou uma lei que estabelece idade mínima de 16 anos para acesso a plataformas como Facebook, TikTok e YouTube.  No Brasil, a Lei Felca ou Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, passou a partir da última terça-feira (17/3), com o estabelecimento de um conjunto de regras voltadas à proteção de menores de 18 anos no ambiente digital.

*Estagiária sob supervisão de Paulo Leite 

 

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postado em 19/03/2026 22:11
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