A guerra no Oriente Médio entrou neste sábado(14) em sua terceira semana e encontra-se em uma "fase decisiva", assegurou Israel, que junto com os Estados Unidos continua bombardeando o Irã, enquanto a república islâmica responde com ataques a infraestruturas no Golfo.
Em 28 de fevereiro, Washington lançou, junto com Israel, bombardeios em grande escala contra infraestruturas no Irã, nos quais morreu o líder supremo Ali Khamenei.
Desde então, a guerra se espalhou pela região e provoca uma escalada no preço do petróleo, com graves consequências para a economia mundial.
Nenhuma das partes parece ceder e a cada dia há novos ataques acompanhados de declarações belicistas, com um saldo de mais de mil mortos, a maioria no Irã, segundo as autoridades locais.
"Entramos na fase decisiva do conflito (...) Só o povo iraniano pode pôr fim a isto por meio de uma luta determinada", disse neste sábado o ministro da Defesa israelense, Israel Katz.
Após uma mobilização militar sem precedentes em décadas, os Estados Unidos preveem enviar novos reforços, segundo a imprensa americana. O New York Times fala em cerca de 2.500 fuzileiros navais e mais três navios, e o Wall Street Journal anuncia a mobilização do navio "Tripoli", baseado no Japão.
A guerra se estende a vários países da região e, neste sábado, a embaixada americana em Bagdá, capital do Iraque, voltou a ser alvo de ataques, desta vez por meio de um drone. Além disso, os bombardeios em Bagdá contra um influente grupo armado pró-Irã deixaram dois mortos, segundo fontes de segurança.
No Irã, os Estados Unidos bombardearam a ilha de Kharg, a cerca de 30 quilômetros de sua costa, que abriga o maior terminal de exportação de petróleo do país e é fundamental para sua economia.
Embora o presidente americano Donald Trump tenha dito ter "destruído completamente" objetivos militares na ilha, onde foram ouvidas até 15 explosões, a agência de notícias iraniana Fars nega que haja infraestruturas petrolíferas danificadas.
Trump advertiu que atacará instalações petrolíferas ali "se o Irã, ou qualquer outro, fizer algo para dificultar a passagem livre e segura dos navios no Estreito de Ormuz".
Esse estreito, por onde transita habitualmente 20% da produção mundial de petróleo, está quase totalmente bloqueado pelo Irã, que, no entanto, afirmou estar cooperando com alguns países para permitir a passagem de seus navios.
A Índia anunciou neste sábado que dois navios com bandeira indiana o haviam atravessado. Teerã respondeu às ameaças de Washington assegurando que está disposto a "reduzir a cinzas" as infraestruturas petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos no Oriente Médio.
Desde o início da guerra, o preço do barril de Brent, referência internacional para o petróleo, disparou mais de 42%.
Atingir "com muita força"
Em duas semanas de ofensiva, os Estados Unidos e Israel afirmam ter enfraquecido consideravelmente a república islâmica, eliminando vários de seus líderes e atacando infraestruturas estratégicas.
Em sua rede Truth Social, Trump afirmou que o Irã está "completamente derrotado" e pede "um acordo", além de ameaçar atingi-lo "com muita força durante a próxima semana".
O Irã não parece ceder, embora Mojtaba Khamenei, o novo líder supremo designado após a morte de seu pai, ainda não tenha sido visto em público.
Os países do Golfo continuam sendo o alvo das represálias iranianas por seus vínculos econômicos com os Estados Unidos e pela presença de bases americanas.
O Irã advertiu que considera os portos dos Emirados Árabes Unidos como alvos legítimos e, neste sábado, foram vistas colunas de fumaça em Fujairah, uma zona petrolífera.
Em uma mensagem inesperada, o movimento islamista palestino Hamas, no poder na Faixa de Gaza, instou neste sábado seu aliado Irã a cessar os ataques contra o Golfo.
O Catar anunciou neste sábado ter interceptado dois mísseis, após ter evacuado previamente várias zonas.
"Já não há segurança"
No Líbano, outro cenário da guerra, pelo menos 12 membros da equipe de um centro de saúde morreram em um ataque israelense no sul, segundo o Ministério da Saúde.
O movimento pró-iraniano Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra em 2 de março, quando lançou mísseis contra Israel para vingar a morte de Ali Khamenei.
Desde então, os ataques israelenses no Líbano causaram mais de 750 mortos, entre eles 103 crianças, e mais de 800.000 deslocados, de acordo com o último balanço oficial libanês. Entre as vítimas, morreram 26 profissionais de saúde.
"Já não há segurança (...) Nunca se sabe de onde virá o próximo ataque", lamenta uma moradora ao norte de Beirute, Hanadi Hachem.
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