
A condenação de Jasveen Sangha, que em 2025 admitiu ter vendido a dose fatal de ketamina ao ator Matthew Perry (Friends), está marcada para esta quarta-feira (8/4). Apelidada de “Rainha da Ketamina”, a traficante se tornou a quinta acusada a firmar um acordo judicial e reconhecer culpa no caso.
Para os promotores federais, a gravidade de sua atuação justifica uma pena de 15 anos de prisão. Eles destacam o “amplo alcance da ilegalidade da ré e sua resposta insensível às mortes que ela ajudou a causar”, referindo-se tanto à morte de Perry quanto à de outra vítima ligada ao esquema.
Matthew Perry morreu em outubro de 2023, aos 54 anos. A investigação concluiu que a ketamina — utilizada clinicamente como anestésico — foi a principal causa da morte. O ator, que enfrentava há anos a dependência química, já havia recorrido à substância de forma legal no tratamento da depressão. No entanto, ao ter o acesso negado pelo médico nas doses desejadas, passou a obtê-la por vias clandestinas.
O caso envolve cinco acusados: os médicos Salvador Plasencia e Mark Chavez; o assistente pessoal Kenneth Iwamasa, responsável por aplicar a droga antes da morte; Erik Fleming, que atuava como intermediário; e a própria Sangha. Embora os médicos não tenham fornecido a dose que matou o ator, um juiz afirmou que Plasencia e outros contribuíram para o desfecho ao “alimentar seu vício em ketamina”.
Sangha, de 42 anos, confessou ter fornecido aproximadamente 50 frascos da substância a Perry, com Fleming facilitando as transações. Em seu acordo, também admitiu que, desde 2019, distribuía drogas como ketamina e metanfetamina a partir de sua casa em North Hollywood.
O histórico inclui ainda a venda de ketamina a Cody McLaury, de 33 anos, que morreu pouco depois de adquirir a droga, também em 2019. Mesmo ciente das consequências fatais, Sangha continuou operando o esquema — ponto central na argumentação da promotoria ao pedir uma pena mais dura.
“As ações da ré demonstram uma frieza e um desprezo pela vida. Ela priorizou o lucro em detrimento das pessoas, e suas ações causaram imensa dor às famílias e entes queridos das vítimas”, afirmaram os promotores nos autos, segundo o The Guardian. A acusação também sustenta que Sangha teve acesso a educação de alto nível, vindo de uma família privilegiada, e que optou pelo tráfico por “ganância, glamour e influência”.
A defesa, por outro lado, afirma que ela reconheceu plenamente seus atos e não tentou relativizar sua conduta. Representada pelos advogados Mark Geragos e Alexandra Kazarian, Sangha não possui antecedentes criminais e, segundo seus representantes, tem se dedicado a programas de recuperação durante o período em que esteve presa.
“A reabilitação demonstrada pela Sra. Sangha, incluindo dois anos de sobriedade contínua, participação constante em programas de recuperação e forte apoio da comunidade, reflete um compromisso significativo com a mudança e um baixo risco de reincidência”, diz a defesa.
Apesar do acordo, a decisão final permanece nas mãos do juiz, que não é obrigado a seguir a recomendação de pena. Em um cenário mais severo, Sangha pode ser condenada a até 65 anos de prisão.

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