
Milhões de crianças venezuelanas enfrentarão as consequências dos terremotos que atingiram o país na última terça-feira (24/6). Segundo alerta divulgado pela fundação Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), cerca de 3,9 milhões de menores de idade vivem nas áreas afetadas pelos tremores de magnitudes 7,5 e 7,2.
Os abalos atingiram Caracas e os estados de Aragua, Carabobo, Falcón, La Guaira e Miranda, além de regiões vizinhas. De acordo com informações preliminares, dezenas de edifícios desabaram nas localidades mais impactadas.
Até o momento, o número de mortes é de 589 pessoas, segundo balanço atualizado do governo venezuelano, divulgado pela presidente interina Delcy Rodriguez. Há ainda relatos de crianças entre as vítimas, o número oficial ainda está sendo apurado pelas autoridades.
Enquanto equipes de emergência avaliam a extensão dos danos, milhares de famílias permanecem em situação de vulnerabilidade, cerca de 24 mil pessoas estão desaparecidas. Os terremotos provocaram danos em residências, prédios públicos e sistemas essenciais, incluindo redes de abastecimento de água, unidades de saúde e instituições de ensino.
Em nota, a diretora executiva da Unicef, Catherine Russell, classificou as cenas registradas no país como devastadoras e destacou a necessidade de colocar a proteção das crianças no centro das ações de resposta à emergência.
“As imagens que estamos vendo da Venezuela e os relatos que ouvimos de nossos colegas em campo são devastadores”, afirmou. Segundo ela, é fundamental garantir a segurança e o bem-estar das crianças e famílias afetadas à medida que o impacto da tragédia se torna mais claro.
A Unicef ressalta que crianças costumam estar entre os grupos mais vulneráveis em desastres naturais. Além do risco de ferimentos, elas podem enfrentar separação familiar, deslocamento forçado, traumas emocionais e interrupções no acesso a serviços básicos, como saúde, educação e proteção social.
A estimativa é de que milhares de famílias necessitem de assistência humanitária urgente nos próximos dias. Países como Brasil e Estados Unidos anunciaram que enviaram equipes para auxiliar nas buscas.
A organização informou que trabalha em conjunto com autoridades venezuelanas e parceiros humanitários para identificar as necessidades mais urgentes e ampliar o atendimento à população. As ações incluem apoio médico, proteção infantil, assistência psicossocial, fornecimento de água potável e criação de espaços seguros para crianças e adolescentes.
Antes mesmo dos terremotos, a Unicef já mantinha uma operação humanitária ativa na Venezuela. Para 2026, a agência havia lançado um apelo de US$ 137,6 milhões para financiar suas atividades no país, mas apenas 35% desse valor havia sido arrecadado até o momento.
A fundação Fundo das Nações Unidas para a Infância atua em mais de 190 países e territórios, desenvolvendo ações voltadas à proteção dos direitos de crianças e adolescentes, especialmente em contextos de vulnerabilidade e emergências humanitárias.
*Estagiária sob supervisão de Ronayre Nunes

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