Invasão

"Venezuela é um caso isolado", diz reitor Manuel Furriela

Na visão do especialista, a Colômbia não deve ser invadida pelos EUA, pois não atende aos mesmos pré-requisitos da Venezuela

Manuel Furriela, reitor da Universidade Católica de Brasília (UCB) e professor de Relações Internacionais, foi o convidado do primeiro CB.Poder de 2026  -  (crédito:  Guilherme Felix CB/DA Press)
Manuel Furriela, reitor da Universidade Católica de Brasília (UCB) e professor de Relações Internacionais, foi o convidado do primeiro CB.Poder de 2026 - (crédito: Guilherme Felix CB/DA Press)

Professor de Relações Internacionais e reitor da Universidade Católica de Brasília (UCB), Manuel Furriela afirmou, nesta segunda-feira (5/1), que a invasão dos Estados Unidos na Venezuela e o sequestro do presidente deposto Nicolás Maduro é um caso “isolado” e não deve perpetuar por outros países na América Latina. Ele reconheceu, porém, que as atenções dos EUA estão direcionadas de maneira mais intensa para o continente sul-americano.

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“Eu acho que o caso da Venezuela é um caso isolado no sentido das características do que aconteceu lá. Agora, a atenção americana vai ter na região inteira”, disse em entrevista ao programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.

Na visão do especialista, a Colômbia, país apontado pelo presidente Donald Trump como um outro possível alvo de ataques, não deve ser invadida pela potência norte-americana, pois não atende aos mesmos pré-requisitos da Venezuela. Os critérios, de acordo com Furriela, são o interesse em terras rasas, vasta reserva de petróleo, governo ilegítimo e ditatorial, com possíveis ligações com o tráfico de drogas.

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“As questões são distintas. No caso venezuelano, havia um governo ilegítimo, que não comprovou ter sido eleito, têm questões envolvendo acusação de relacionamento direto com grupos de narcotraficantes e que os Estados Unidos até qualificaram como grupos terroristas. Então, acho que são características diferentes da Colômbia. E tem outra que é de interesse econômico. No caso da Venezuela, além propriamente dessas características e desses problemas que a figura de Nicolás Maduro tem, também os interesses americanos eram mais expressivos em relação a terras raras, mas principalmente a voltar a explorar o petróleo”, explicou.

Furriela destacou que o Estado governado por Donald Trump retomou as atenções para países da América Latina nos últimos anos, com o intuito de voltar com a influência da Doutrina Monroe, que foi criada em 1823 e usada como justificativa para as intervenções americanas na política de países como Brasil, Chile e Argentina nos anos de 1960.

Diplomacia brasileira

Em relação aos posicionamentos do Brasil em relação à crise enfrentada pelo país vizinho, Manuel ressaltou que os discursos devem seguir a linha diplomática e técnica de que a invasão representou uma desobediência ao Direito Internacional e à soberania venezuelana, o que na opinião dele, não prejudica a relação entre o Itamaraty e os EUA.

“O Brasil ao fazer crítica neste aspecto técnico, eu acho que não interfere no relacionamento que a gente pode ter. Há uma agenda que agora interessa para os dois estados. Tem que ver se o governo brasileiro vai usar um tom mais assertivo, se vai partir também para críticas pessoais ao presidente americano, mas eu duvido. Deve sair uma nota mais protocolar, elaborada pelos ótimos técnicos que temos no Itamaraty, pegando na parte de que o direito internacional não prevê essa possibilidade”, argumentou.

Questionado sobre como essa crise política afetaria as eleições brasileiras de 2026, o professor de relações internacionais acredita que Trump não irá interferir de forma direta no pleito, mas que deve apoiar o candidato mais favorável aos ideais norte-americanos.

*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

Assista à entrevista na íntegra:

 

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LC
postado em 05/01/2026 16:55 / atualizado em 05/01/2026 17:01
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