
Após denúncias de influenciadores digitais sobre suposto contrato para publicar ataques ao Banco Central (BC) em favor do Banco Master, a Polícia Federal anunciou que vai abrir inquérito para apurar a movimentação. Segundo os jornalistas Malu Gaspar e Johanns Eller, os contratos chegaram a até R$ 2 milhões.
O caso ganhou repercussão depois que algumas personalidades da internet, como o vereador Rony Gabriel (PL) e Juliana Moreira Leite, denunciaram a proposta bilionária.
Rony Gabriel é vereador em Erechim (RS) pelo Partido Liberal e acumula 1,7 milhão de seguidores no Instagram com conteúdos sobre política. Do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele publica frequentemente opiniões em defesa do político, preso por participação na trama golpista que culminou nos atos de 8 de janeiro, e críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nas redes sociais, ele afirma ainda ser pré-candidato a deputado federal pelo PL, além de se descrever como cristão e conservador. Na última terça-feira (6/1), o influenciador publicou denúncia sobre a proposta. No vídeo, ele inicia dizendo que essa informação vai “implodir a internet”.
O vereador afirma também que o motivo para expor o caso é impedir que a liquidação do Banco Master fosse revertida, uma hipótese levantada após ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e ex-deputado federal pelo Republicanos em Roraima, Jhonatan de Jesus, autorizar uma inspeção no BC para apurar a liquidação da financeira. O boato de “desliquidação” foi negado pelo presidente do TCU, Vital do Rêgo, que alegou que o órgão não tem competência para essa ação.
O pré-candidato afirma que uma empresa entrou em contato por meio da assessoria dele em 20 de dezembro. O e-mail enviado dizia que o caso em questão era de repercussão nacional e que teria “esquerda e centrão envolvidos”, mas não mencionava diretamente o banco. Segundo o texto, a proposta dizia respeito a um “gerenciamento de reputação e gestão de crise para um executivo grande”, para essa “disputa contra o sistema”, eles estariam em contato com perfis que se posicionaram politicamente.
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Rony afirma ainda que assinou o contrato de confidencialidade exigido e entrou em contato com a agência. A multa em caso de quebra do sigilo seria de R$ 800 mil. Segundo o vereador, a proposta previa que ele publicasse vídeos em que defendia que o Banco Master era “uma vítima do Banco Central”. Ele também declara que não sabe o valor que seria oferecido, pois recusou o contrato antes de ser informado sobre o pagamento.
“No dia 28 de dezembro, houve uma enxurrada de vídeos de análises, inclusive de influenciadores de direita, alguns deles copiando meus métodos, dando a entender que o Banco Central se precipitou ao fazer a liquidação do Banco Master”, declarou.
Juliana Moreira Leite faz parte da Revista Oeste e é comentarista política. As redes sociais da influenciadora são voltadas para comentários sobre políticas, com defesa ao ex-presidente Jair Bolsonaro e frequentes elogios ao governo de Donald Trump. Na última semana, ela utilizou as redes para defender a atuação dos Estados Unidos na Venezuela e defendeu que parte dos presos pelo 8 de janeiro são “vítimas da ditadura”.
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Além de comentários sobre política, a apresentadora comenta assuntos envolvendo celebridades, como o término dos cantores Zé Felipe e Ana Castela, e polêmicas da produtora de conteúdo adulto Andressa Urach.
Em publicação, ela contou que rejeitou o contrato por se recusar a defender o Banco Master. “Minha posição sobre o banco é antiga, reiterada e pública — bato sem parar e sem pena”, escreveu. Ao contar da recusa, ela também afirmou que “nem todos podem ser comprados pelo sistema” e citou Rony Gabriel.
A apresentadora também criticou influenciadores que afirma terem aceitado a proposta, os quais chamou de “paquitos do Vorcaro”, mas não citou nomes.

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