Influenciadores especializados no mercado financeiro afirmam ter sido abordados em nome do Banco de Brasília (BRB) para defender a instituição nas redes sociais em meio ao caso Master. Segundo os relatos, o contato foi feito por e-mail e por mensagens em aplicativo de texto, enviados por representantes da empresa The Marketing Arm, na última terça-feira (27/1).
As mensagens solicitavam orçamento para a participação dos influenciadores em um almoço, marcado para os dias 10 ou 24 de fevereiro, supostamente a convite do presidente do BRB, Nelson Antonio de Souza.
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De acordo com o conteúdo do convite, o encontro teria como objetivo apresentar as medidas de contenção de danos e as ações de recuperação adotadas pelo banco. A proposta era expor o que foi descrito como a “transparência que o BRB quer passar para os clientes e o mercado”.
Além da participação no almoço, os influenciadores deveriam publicar um story e um reels com um resumo do evento. O roteiro do conteúdo, segundo as mensagens, seria definido pelo próprio banco. O pagamento pelos serviços ocorreria até 40 dias após a campanha.
A influenciadora Renata Barreto publicou nas redes sociais um trecho do e-mail que afirma ter recebido. Em reação, escreveu: “Não pode ser sério um negócio desses. Alguém avisa ao presidente do BRB que a pessoa que deu a ideia de me chamar para fazer publi do banco sobre o caso Master realmente não me conhece. Vocês que se expliquem para o mercado com transparência, em vez de usar influenciadores para isso”.
O especialista em mercado financeiro Renato Breia também se manifestou em vídeo. Na gravação, questiona a necessidade da ação: “Agora, me diz o seguinte: um banco que tem CDBs no mercado, tem o seu próprio RI, precisa de um influencer ir lá almoçar com o presidente do banco para falar bem do banco?”, disse.
Já Murilo Duarte, conhecido nas redes como Favelado Investidor, afirmou em publicação que recusou a proposta. “Não estou à venda. Cheguei até aqui com honestidade, sem passar pano para corrupção, enganação, fraude ou qualquer coisa ilegal e imoral”, escreveu.
O Correio procurou o Banco de Brasília e a The Marketing Arm para comentar o caso, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.