FRONTEIRA

Governo monitora crise na Venezuela e diz que fronteira segue tranquila

Após reunião coordenada por Lula, ministros afirmam não haver risco imediato, confirmam nova avaliação às 17h e destacam atenção contra desinformação

Após a reunião emergencial realizada na manhã deste sábado (3/12), no Itamaraty, integrantes do governo federal falaram com a imprensa e reforçaram que o Brasil acompanha com cautela os desdobramentos da ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela. Uma nova rodada de discussões está prevista para as 17h, novamente por videoconferência, para atualização do cenário.

A ministra substituta das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, informou que o encontro foi coordenado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reuniu ministros de áreas estratégicas, além de representantes de outros órgãos do governo. Segundo ela, Lula reiterou publicamente a posição já expressa mais cedo nas redes sociais sobre os acontecimentos no país vizinho.

De acordo com Maria Laura, não há movimentação anormal na fronteira entre Brasil e Venezuela. “A fronteira seguirá sendo monitorada, e o ministro [José Múcio] está em contato com o governador de Roraima”, afirmou. A embaixadora acrescentou que o chanceler Mauro Vieira apresentou um panorama dos contatos mantidos com ministros de outros países nas últimas horas e destacou que, até o momento, não há registro de brasileiros entre possíveis vítimas dos ataques.

“O ministro das Relações Exteriores indicou também que está em permanente contato com a Embaixada do Brasil na Venezuela para acompanhar a situação interna”, disse. Segundo ela, a comunidade brasileira no país vizinho vive um cenário de normalidade. “Nenhuma ocorrência até o momento. Os turistas que lá estão estão conseguindo sair normalmente.”

Questionada sobre conversas do chanceler brasileiro com o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, Maria Laura confirmou os contatos. “Ele teve conversa com o ministro Gil e com outros ministros também. Todos estão atentos ao que pode acontecer nos próximos momentos. As informações são variadas e precisamos escolher bem as corretas para evitar a desinformação. Neste momento, isso é o mais importante”, afirmou.

Sobre eventual diálogo com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, a ministra disse que ainda não houve contato. “Os contatos acontecem sempre, quando a ocasião permitir.”

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O ministro da Defesa, José Múcio, reforçou que a situação na fronteira é estável. “Nós já temos um contingente suficiente para dar tranquilidade. A fronteira está absolutamente tranquila”, afirmou. Ele reconheceu a circulação de informações contraditórias ao longo do dia, mas ressaltou que não há confirmação de fechamento da passagem com a Venezuela: “No momento, a fronteira está aberta.”

Múcio detalhou ainda a presença militar na região. Segundo ele, em Roraima há cerca de 2,3 mil militares, sendo aproximadamente 200 diretamente na área de fronteira. Considerando Exército, Marinha e Aeronáutica, são cerca de 10 mil homens atuando na região amazônica. “Estamos atentos, nos comunicamos permanentemente e está tudo sob controle”, disse, ao afastar a necessidade imediata de reforço.

O governo informou que novas informações deverão ser divulgadas após a reunião marcada para o fim da tarde, quando haverá uma avaliação mais consolidada dos acontecimentos e de seus possíveis impactos para o Brasil.

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