
O caso BRB-Master só cresce. A Polícia Federal (PF) abriu nova frente de investigação envolvendo o Banco de Brasília. Dessa vez, o inquérito apura suspeitas de gestão fraudulenta no BRB que chegaram aos investigadores. Os indícios vão além das supostas fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
A abertura do inquérito — sob sigilo — foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), e o caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR). O próprio BRB, na atual gestão, sob o comando do presidente Nelson Antônio de Souza, apresentou à PF e ao Banco Central achados da auditoria independente realizada no banco.
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O caso também avançou no Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). O plenário autorizou a realização de auditoria no BRB e no Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF).
Também será promovida pelos auditores apuração dos efeitos da liquidação extrajudicial do Banco Master e sobre o patrimônio do Fundo Solidário Garantidor (FSG) — maior fundo do Iprev-DF.
Sob a relatoria da conselheira Anilceia Machado, a decisão foi aprovada em sessão plenária realizada última quarta-feira. As medidas atendem a uma representação protocolada pelo deputado distrital Max Maciel (PSol).
Na representação, Maciel chamou a atenção para a concentração excessiva de ações do BRB no Fundo Solidário Garantidor (FSG), o que, segundo ele, pode comprometer o pagamento de mais de 75 mil aposentados e pensionistas do DF.
No processo, o TCDF determinou a realização de fiscalização para avaliar a execução orçamentária e financeira do Iprev-DF, a disponibilidade de caixa para pagamento de aposentadorias e pensões, além da situação atual dos ativos que compõem o FSG.
De acordo com a decisão, os auditores deverão examinar, de forma específica, os impactos das oscilações no valor das ações do BRB na composição patrimonial do fundo e na sua capacidade futura de geração de rendimentos.
Em nota divulgada ontem, o BRB afirmou que entregou à PF e ao Banco Central (BC) um relatório preliminar de auditoria forense com "achados relevantes". O relatório foi elaborado pela Machado & Meyer, um escritório de advocacia, com o suporte técnico da Kroll, uma empresa global de consultoria de riscos.
"O BRB informa que encontrou achados relevantes que constam da primeira etapa do relatório preliminar entregue pela auditoria forense contratada pelo banco", diz a nota (confira a íntegra abaixo). "O Banco BRB informa que entregou o relatório à Polícia Federal (PF), na última quinta-feira, 29/01/2026. O mesmo relatório também foi entregue na data de ontem, 02/02/2026, ao Banco Central", observa.
O banco público do DF comprou cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos falsos do Master, no ano passado, fato investigado pela PF na Operação Compliance Zero. Também em 2025, o BRB se ofereceu para comprar a instituição financeira do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
"Achados relevantes" da auditoria
» "O BRB informa que encontrou achados relevantes, que constam da primeira etapa do relatório preliminar entregue pela auditoria forense contratada pelo banco junto à Machado & Meyer, com suporte técnico da Kroll.
» Prezando pela transparência e dever de colaboração com as autoridades competentes, a fim de confirmar eventuais atos ilícitos, o Banco BRB informa que entregou o relatório à Polícia Federal (PF), na última quinta-feira, 29/01/2026. O mesmo relatório também foi entregue na data de ontem, 02/02/2026, ao Banco Central.
» Dando resposta ao quanto constatado na investigação independente, e com o intuito de resguardar seus interesses, recuperar seus créditos e ativos e ver ressarcidos os prejuízos causados pelos agentes relacionados à Operação Compliance Zero, o BRB informa que vem adotando inúmeras medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais relacionadas a fundos de investimentos, garantias e carteiras de crédito, adquiridas pelo BRB, medidas estas que correm parte em sigilo e que serão reforçadas por novas medidas, com a maior brevidade possível, para garantir a efetividade da preservação dos interesses do banco.
» Por fim, o BRB ressalta que segue sólido e reafirma seu compromisso com a preservação de seu patrimônio, de seus clientes e do desenvolvimento econômico e social de Brasília e região."
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