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Caso Master: benefício para Vorcaro causa controvérsia

Mendonça autoriza visitas de advogados do banqueiro sem gravação das conversas. Polícia Penal diz que exceção contraria regras de segurança dos presídios federais

Os advogados do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fazem, nesta quarta-feira, a primeira visita ao empresário, que está preso na Penitenciária Federal de Brasília, investigado por um esquema bilionário de fraudes financeiras. A visita foi permitida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado também autorizou que os encontros ocorram sem monitoramento de áudio ou vídeo, o que contraria as regras do presídio.

A Penitenciária Federal de Brasília possui 208 celas individuais e é uma das cinco unidades de segurança máxima do Brasil. Todos possuem como padrão de segurança monitorar os detentos, que são considerados de alta periculosidade. "Diante de tal conjuntura, acolhendo o pedido formulado pela defesa, determino à direção da Penitenciária Federal de Brasília que permita a realização de visitas dos advogados regularmente constituídos nos autos, independentemente de agendamento, sem a realização de qualquer tipo de monitoramento ou gravação por áudio e/ou vídeo", diz a decisão.

Mendonça autorizou ainda que a defesa possa ter acesso ao local com a cópia dos autos e fazer anotações durante as visitas a Vorcaro. "Autorizo, ainda, o ingresso de cópias impressas dos autos e a possibilidade de os advogados tomarem notas escritas durante os encontros", afirma outro trecho do documento.

Pedido

Daniel Vorcaro foi preso na semana passada, em São Paulo, e inicialmente encaminhado a uma unidade prisional estadual. Dois dias depois, na última sexta-feira, ele foi transferido para a penitenciária federal, em Brasília, onde permanece custodiado. Após a transferência, os advogados do banqueiro recorreram ao STF, solicitando que as visitas ao cliente não fossem monitoradas. O argumento é que a gravação das conversas violaria a garantia de comunicação reservada entre advogado e cliente, considerada essencial ao direito de defesa.

O Correio conversou com Pierpaolo Bottini, um dos advogados que forma o corpo jurídico na defesa do banqueiro. Ele confirmou que o encontro ocorrerá hoje. Questionado sobre a possibilidade de delação premiada, desconversou. O jurista também evitou falar sobre o estado emocional do seu cliente.

A flexibilização das regras de monitoramento de Vorcaro pelo STF pode abrir precedentes para que ocorram novos pedidos como esse. A Polícia Penal Federal (PPF), por meio da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), manifestou preocupação diante da permissão do STF.

"É importante destacar que o Sistema Penitenciário Federal (SPF) foi estruturado para a custódia de presos com perfil específico, cuja periculosidade e capacidade de articulação exigem regime disciplinar rigoroso e protocolos de segurança estritos e padronizados", disse a nota.

A Senappen afirmou ainda que vai cumprir a determinação do Supremo, mas alertou que mudanças nos procedimentos operacionais que sustentam o funcionamento do sistema são vistas com preocupação, pois podem comprometer diretamente o padrão de segurança adotado pelo SPF.

"Diante desse cenário, a Senappen avaliará as medidas administrativas e judiciais cabíveis no âmbito da gestão da custódia, de modo a resguardar as finalidades, os procedimentos e os protocolos de segurança que estruturam o Sistema Penitenciário Federal", enfatizou.

 

 

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