
Wilson Lima (União) e o vice, Tadeu de Souza (Avante), renunciaram aos cargos de governador e vice-governador do Amazonas na noite de sábado (4/4). A formalização ocorreu às 23h, no limite do horário permitido para o prazo de desincompatibilização de seis meses antes das eleições gerais de outubro.
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As cartas de renúncia, escritas à mão, foram publicadas em uma edição extra do Diário Oficial da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Com a vacância dos dois postos do executivo, o presidente da Aleam, Roberto Cidade (União), assumiu o cargo de governador do estado.
No documento, Wilson Lima descreveu sua decisão como sendo em “caráter irrevogável e irretratável”, justificando o afastamento para cumprir a legislação eleitoral e disputar um novo cargo eletivo.
Embora a carta não especifique o cargo, o agora ex-governador confirmou ao Correio que deve concorrer a uma das duas vagas do Amazonas ao Senado Federal. Tadeu de Souza também deixou o governo para estar apto à disputa eleitoral deste ano.
A renúncia marca uma mudança de postura de Lima, que há pouco mais de um mês havia realizado um evento em Manaus para anunciar que cumpriria todo o seu segundo mandato, alegando um “acordo com o povo”. No cenário político para o Senado, ele deve enfrentar nomes como o ex-governador Eduardo Braga (MDB) e Alberto Neto (PL), que lideram pesquisas de intenção de voto.
Segundo levantamento da Real Time Big Data, Wilson era desaprovado por 53% e aprovado por 40% da população. Ele é considerado relativamente novo na política, tendo disputado sua primeira eleição em 2018, quando se tornou o governador mais votado na história do estado, batendo o próprio recorde na reeleição de 2022.
Sua gestão foi marcada pela crise do abastecimento de oxigênio na pandemia de Covid-19 e por investigação no Superior Tribunal de Justiça sobre a compra de respiradores superfaturados, processo que ainda aguarda julgamento.
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A sucessão estadual agora coloca Roberto Cidade no comando, que também era cotado para disputar cargos eletivos, tanto no Legislativo quanto no Executivo. A movimentação no Amazonas faz parte de um cenário nacional onde 11 governadores e 10 prefeitos de capitais renunciaram no mesmo prazo para concorrer nas próximas eleições.

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